BLOQUEIO PERIGOSO

 

Hoje se fiscalizam muitos os produtos de todas as indústrias para evitar riscos para usuários.  Todavia, há um risco que envolve um dos equipamentos mais perigosos que usamos, que parece os fabricantes nem a fiscalização perceberem.  O bloqueio de freio e direção do veículo desligado.

 

Uma pessoa estava descendo tranquilamente uma rua em seu Peugeot 206, quando o motor falhou.  Como veículo desligado, a direção travada, ela seguiu rigidamente em linha reta (sorte que não estava na curva), tentou frear, o freio também, como é normal nos carros de hoje, não funcionou, a condutora desesperada continuou agarrada ao volante sem saber o que fazer, o veículo atravessou um cruzamento de avenida (também por sorte não havia nenhum veículo trafegando na avenida, e ela ainda teve a terceira sorte de começar um aclive depois da avenida, e conseguiu religar o motor quando já estava a ponto de começar a andar para trás.

 

Ao ouvi-la contar o fato, me veio novamente o questionamento que eu já havia feito comigo mesmo várias vezes: Por que, numa era tão tecnológica como hoje, continuamos dirigindo com todo esse risco.

 

Se a condutora estivesse em uma curva no momento da falha do motor, ela poderia ter subido em uma calçada e atropelado pessoas, ou rolado por algum despenhadeiro, dependendo da situação.   

 

Na situação em que se encontrou, na reta, mas próximo de cruzamento, poderia ter causado um sério acidente se tivesse um outro veículo passando na avenida que cruzava aquela rua.

 

E, se não estivesse já próximo ao final da descida, as probabilidades de acidente teriam sido tão maiores, que dificilmente teria saído ilesa como saiu.

 

Sempre que passo próximo do local, volto a pensar: por que os fabricantes de veículo não corrigem esse problema?  Por que o freio tem falhar exatamente no momento de uma outra falha que pode ocorrer com qualquer veículo?  E por que a direção tem que travar exatamente no momento em que poderia amenizar o risco?

 

Lembro-me de, quando era criança, no retorno de Ipanema para Pocrane, o motor do ônibus falhou na subida em uma serra extremamente íngreme, e o motorista girou o volante para a direita levando o veículo a bater a traseira no barranco, evitando uma queda da qual com certeza não escaparia nenhum passageiro.   Se a direção do ônibus travasse, como travam nos veículos atuais, todos nós estaríamos mortos.

 

Por isso continuo perguntado: se tantos objetos tão testados pelo IMMETRO para verificar possíveis riscos, se coisas pequenas são tão observadas, por que, exatamente onde o risco é muito maior, a direção do veículo precisa  travar e o freio não pode funcionar quando o motor para de funcionar?

 

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