O CONCERTO PERPÉTUO -- 16/03/2003


Conhecemos no mundo cristão dois pactos divinos com homem: um transitório, o mosaico, e outro não transitório, o cristão. Entretanto, lendo atentamente a Bíblia, não é difícil perceber que essa doutrina de pacto transitório foi uma criação cristã para adaptar Jesus ao messias predito pelos profetas.

Essas foram as palavras de Paulo, o verdadeiro "fundador do cristianismo":


"... e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz. Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo" (Colossenses, 2: 13-17).


Referindo-se aos judeus, Paulo disse também aos coríntios:


"mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido" (II Coríntios, 3: 14).

Essas foram as palavras de Paulo. Mas há algum fundamento para isso? Os preceitos observados pelos israelitas eram transitórios ou perpétuos? O que diz o chamado "Velho Testamento"?

Assim como está escrito que o arco-íris estaria no céu como "pacto perpétuo entre Deus e todo ser vivente de toda a carne que está sobre a terra" (Gênesis, 9: 16), todos os preceitos do livro da lei contida em Êxodo e Deuteronômio foram estabelecidos como pacto perpétuo:

O dia da páscoa por " estatuto perpétuo" (Êxodo, 12: 14);
A "festa dos pães asmos" por "estatuto perpétuo" (Êxodo, 12: 17);
Os serviços do santuário exercidos por Arão e seus filhos, também por "estatuto perpétuo" (Êxodo, 28: 43);
Os filhos de Arão deveriam ter o sacerdócio por "estatuto perpétuo" (Êxodo, 29; 9);

"Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações como pacto perpétuo" (Êxodo, 31: 16). Isso, sim, é algo de que os adventistas não abrem mão. Entretanto, não festejam a lua nova, não sacrificam animais, não celebram a festa dos pães asmos, etc.
Admitem os cristãos adventistas que todas essas outras ordenanças foram abolidas, não obstantes sejam consideradas "estatuto perpétuo" tanto quanto o sábado.

É curioso que em folhetos doutrinários de alguns grupos adventistas é dito que o sábado será guardado na Nova Jerusalém, citando-se este texto: "E acontecerá que desde uma lua nova até a outra, e desde um sábado até o outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor" (Isaías, 66: 23). Todavia, dizem que a lua nova é coisa do passado, e o sábado não.

 

E falando do predito reino eterno de Israel e dos estrangeiros que se uniriam ao povo israelita, um profeta teria dito:

"E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos." (Isaías, 56:6, 7)

Se o leitor quiser confirmar essas coisas, leia todo o velho testamento. Não encontrará nenhuma promessa de abolição de qualquer preceito da lei mosaica. E até os evangelistas dizem que Jesus teria dito que nada da lei seria abolido:

"Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus" (Mateus, 5: 17-19).


A abolição da lei mosaica foi puramente criação de Paulo, cuja linha doutrinária prevaleceu como a verdade do cristianismo.

 

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