DIA DO BOI

 

Na nomenclatura usual dos campos, boi inteiro é touro; castrado, é boi-de-trabalho. O recém-nascido é bezerro; e já crescido é novilho. A fêmea do boi é vaca; a cria nova é bezerra; e já crescida, é novilha.
 

Quando o Brasil ainda era colônia, a Coroa portuguesa não permitia a criação de gado no litoral brasileiro. Pois a costa, com seu solo fértil, era usada para à produção em larga escala de cana-de-açúcar e não poderia ser utilizada como pasto. Com isso, lá foi o boi, desbravar os limites de Tordesilhas.


Graças a interiorização de rebanhos, fomos povoando esse Brasilzão. A pecuária dinamizou a economia interna e bordou o Brasil de batuques e visagens assombradas do ciclo do gado. O boi virou música e poesia.


Hoje é dia, portanto, de parabenizar ao boi e aos homens que fazem das folganças do bumba e da arte de tanger gado essa belezura brasileira de recriação da vida.

(http://coisadezootecnista.blogspot.com/2011/04/dia-do-boi.html)

 

O nosso grande Olavo Bilac
assim falou do boi:

Quando ainda no céu não se percebe a aurora,
E ainda está molhando as árvores o orvalho,
Sai pelo campo afora
O boi, para o trabalho.
Com que calma obedece!
Caminha sem parar;
E o sol, quando aparece,
Já o encontra, robusto e manso, a trabalhar.
Forte e meigo animal! Que bondade serena
Tem na doce expressão da face resignada!
Nem se revolta, quando o lavrador, sem pena,
Para o instigar, lhe crava a ponta da aguilhada.
Cai-lhe de rijo o sol sobre o largo cachaço;
Zumbem moscas sobre ele, e picam-no sem dó;
Porém, indiferente às dores e ao cansaço,
Caminha o grande boi, numa nuvem de pó.
Lá vai pausadamente o grande boi marchando...
E, por ele puxado,
Larga e profundamente o solo retalhando,
Vai o possante arado.
Desce a noite. O luar fulgura sobre os campos.
Cessa a vida rural.
Há estrelas no céu. Na terra há pirilampos.
E o boi, para dormir, regressa ao seu curral...

 

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