OS FUNDAMENTOS DA ASTROLOGIA -- 10/11/2006

A Astrologia, embora originalmente ligada à religião, foi bem mais elaborada do que esta. Não tem apoio científico no que concerne à influência dos astros sobre os seres vivos, mas se baseia em fatores astronômicos, demonstrando a grande habilidade de seus criadores. Seus princípios, todavia, se firmam no que o homem imaginava que fossem as coisas naqueles tempos. É algo tão equivocado quanto a religião.

Os sacerdotes caldeus, os criadores das medidas do tempo, foram exímios observadores astronômicos. Após criar o ano, com base no aparente movimento solar resultante da translação da Terra, criaram o mês, inspirado na revolução lunar, e a semana, em honra aos componentes conhecidos do sistema solar.

OS ASTROS - Os planetas passíveis de ser vistos a olho nu, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, não obstante nos pareçam estrelas, não enganaram os sábios caldeus. Eles entenderam que esses astros eram algo diferente e lhes atribuíram nomes dos deuses mais importantes de sua religião, assim como também à Lua e ao Sol, este a única estrela que lhes pareceu não ser estrela.
Os caldeus marcaram o início do ano no equinócio de primavera setentrional. Poderiam ter escolhido um dos solstícios, ou até mesmo o outro equinócio, início do outono setentrional e da primavera austral. Os solstícios ocorrem no dia em que a Terra chega ao último ponto de inclinação para o norte, em dezembro, aparentando que o sol caminhou para o sul, daí o nome de solstício meridional, e também no dia em que a Terra chega ao último ponto de inclinação para o sul, em junho, aparentando o Sol ter ido para o norte, donde o nome solstício setentrional, que deveria ser mais convenientemente chamado de terristício meridional. Os equinócios ocorrem no meio desse caminho, quando a noite tem tamanho equivalente ao do dia nos dois hemisférios.

Embora desde Júlio César os romanos tenham passado a iniciar o ano com o mês de janeiro, originalmente, o primeiro mês era março, pelo que o signo de áries é chamado de primeira casa zoodiacal.

O Sol foi a única estrela que eles não consideraram como tal, devido à sua proximidade, que o torna tão diferente aos olhos terráqueos. Assim, somando aos cinco planetas a Lua e o Sol, eles criaram a semana para os homenagear.

OS SIGNOS E SEUS REGENTES - Como o ano foi dividido em doze meses, a cada mês correspondeu um signo, a que os astrólogos atribuíram muitos aspectos das pessoas nascidas no referido mês.

Como os astros conhecidos no tempo da origem da astrologia são sete, e os signos são doze, um a cada mês, cinco planetas ficaram com dois signos cada:
Marte ficou com Áries e escorpião,
Vênus, com touro e libra,
Mercúrio com gêmeos e virgem,
Júpiter com sagitário e peixes e
Saturno com capricórnio e aquário.
Só a Lua e o Sol que ficaram com um signo cada: câncer e leão, respectivamente.

Com a descoberta de Urano e Netuno, os astrólogos modernos fizeram como que uma reforma astrológica, tomando de Júpiter o signo de peixes para Netuno, e tiraram de Saturno para Urano o signo de aquário. Não tomaram um signo de Marte para Plutão, mas sempre falam dele em relação a escorpião.

E, recentemente, noticiou-se que foi encontrado um pequeno planeta, menor do que Plutão, "a 18 bilhões de quilômetros do sol" ao qual deram "o nome de Sedna - em homenagem a uma deusa dos Inuit, os esquimós do ártico" (Jornal da Globo, 15/03/2004). Se confirmado ser Sedna mesmo um planeta do nosso sistema, ficaria faltando apenas um para se dividirem com exatidão os signos, uma vez que a Lua entra na parceria. Todavia, o que os cientistas fizeram posteriormente, foi desclassificar Plutão como planeta.

OS DIAS DOS ASTROS E SIGNOS - Cada dia da semana foi dedicado a um astro, considerando-se o dia de mais sorte para as pessoas nascidas sob o signo regido pelo referido astro.
Domingo é o dia dedicado ao Sol (dies solis), sendo o dia de sorte das pessoas nascidas sob o signo de leão.
Segunda-feira é o dia dedicado à Lua (dies lunae), dia de sorte das pessoas de câncer.
Terça-feira é o dia de Marte (dies martis), atualmente também de Plutão, dia de sorte das pessoas de áries e escorpião.
Quarta-feira é o dia de Mercúrio (dies miercolis), dia de sorte de gêmeos e virgem.
Qinta-feira é o dia de Júpiter (dies juevis), atualmente também de Netuno, dia de sorte de sagitário e peixes.
Sexta-feira é o dia de Vênus (dies viernis), dia de sorte das pessoas de touro e libra.
Sábado é o dia de Saturno (dies saturni), atualmente também de Urano, dia de sorte das pessoas de capricórnio e aquário.
Ver
origem da semana.

OS ELEMENTOS - Como naqueles tempos os sábios imaginavam que tudo na natureza fosse constituído de apenas quatro elementos, TERRA, AR, ÁGUA E FOGO, os astrólogos atribuíram um elemento destes a cada grupo de três signos.
Áries, leão e sagitário são os signos do fogo;
touro, virgem e capricórnio são os signos da terra;
gêmeos, libra e aquário são os do ar;
câncer, escorpião e peixes são os da água.
Sabemos hoje que o fogo nem é elemento químico, e o número dos elementos é bem grande; mas a astrologia continua falando nos referidos quatro.

Outro ponto que mostra a fragilidade dos conceitos astrológicos é o que já se sabe sobre o planeta Marte. Ele recebeu esse nome por ser vermelho, cor de sangue, sendo associado ao deus da Guerra. Assim, ele tem influência bélica. A realidade, porém, é que a cor vermelha do planeta vem da grande quantidade de óxido de ferro em sua superfície, o que em nada tem a ver com a belicosidade humana.

Como em parte as coisas já são cientificamente bem esclarecidas, não há como negar que os princípios da astrologia são fundados em pensamentos equivocados do passado, que nada têm a ver com a realidade do universo.

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