ISLÂNDIA E UMA DECISÃO INCOMUM ACERTADA

 

País que deixou cair os bancos já tem desemprego nos 4%
António Freitas de Sousa
29/01/14 09:11

Os islandeses não resgataram o sistema bancário. Mas a economia recuperou rapidamente: cresce a 2,7% e taxa de desemprego ronda os 4%.

A Islândia, em Setembro de 2008, tornou-se o primeiro país fora dos EUA a sofrer com os desvarios do sistema financeiro, que passaram à história sob o nome de ‘subprime'.

O figurino da crise espalhar-se-ia rapidamente: o sistema bancário entrou em falência - os bancos Kaupthing, Glitnir e Landsbanki Islands fechariam as portas menos de um ano e meio depois -, o mercado de capitais colapsou, as famílias acumularam dívidas astronómicas e a inflação entrou de rompante no dia-a-dia dos islandeses. Nas fronteiras, os credores internacionais faziam fila para serem reembolsados. Contra todas as expectativas, o governo islandês decidiu não seguir o ‘road book' que as instâncias internacionais propunham como solução: não ajudaram os bancos a saírem de uma dívida na ordem dos 60 mil milhões de euros, seis vezes mais que o PIB do arquipélago. Sigmundur Gunnlaugsson, o primeiro-ministro liberal de 38 anos, mantém hoje a rota: os problemas da banca "não vão passar a ser dívida soberana".

A Islândia continua a debater-se com uma série de casos em tribunal levantados pelos credores britânicos e holandeses, mas isso ainda não é suficiente para alterar as opções económicas do governo. E, apesar da pressão internacional, a economia está a responder positivamente graças a uma profunda depreciação da coroa islandesa, um instrumento fora do alcance dos países periféricos do euro.

No último ano, segundo a Bloomberg, a coroa apreciou cerca de 10% face ao euro mas o câmbio de 156 coroas por cada euro continua muito longe das 88 registadas, em média, em 2007. Segundo a OCDE, a Islândia vai crescer 2,7% em 2014, contra os 2,3% da média dos membros da organização. Por outro lado - e esse é o problema que está na ordem do dia - o governo quer adoptar medidas que permitam estabilizar o desemprego nos 2%.Um esforço assinalável, dado que, em Dezembro, a taxa de desemprego estava nos 4%, que compara com os 26% da Grécia, os 25% de Espanha e os 15,6% de Portugal.

Gunnlaugsson é peremptório: "Os islandeses não estão acostumados ao desemprego". O país estima alocar 43% do orçamento à economia social este ano. Uma das últimas decisões nesta área foi isolar 7% do PIB para aliviar as dívidas hipotecárias dos que enfrentam o risco de despejo. "O aumento da estabilidade vai significar mais investimentos, mais empregos, mais criação de riqueza, para que possamos manter o Estado social islandês", disse Gunnlaugsson. Quanto aos credores, vão ter de esperar.

http://economico.sapo.pt/noticias/pais-que-deixou-cair-os-bancos-ja-tem-desemprego-nos-4_186040.html

 

É uma decisão incomum que deu certo.  Os países que preferiram socorrer os poderosos continuam mergulhados na crise.  É um exemplo para o mundo.  Enriquecer os banco a custa do empobrecimento do povo não é o melhor caminho.  Alguém teria que fazer a experiência e ver o que os economistas não vêem.  Tirar do povo para dar aos bancos é a linha mais seguida, mas, como estamos vendo, não dá bom resultado; pois é o povo que cria a riqueza do país, não os bancos.

 

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