MANIPULAR GENTE É FÁCIL

 

Observando estes dias um gráfico do desemprego, comecei a pensar nas décadas passadas e no que ouvimos hoje.

 

 

Nos dias de Sarney, o desemprego estava baixo, os salários estavam com um poder de compra muito bom em comparação com o dos dias de hoje, o povo estava consumindo muito. Os comerciantes aproveitaram a situação boa e foram aumentando os preços todos os dias; Sarney pensou em resolver o problema com o "gatilho salarial", reajustando os salários todos os meses na mesma medida do aumento praticado pelo comércio no mês anterior. Os comerciantes, vendo que a coisa estava fácil, aumentavam os preços um pouco acima do reajuste dos salários, aumentando a inflação mês a mês. Muitos eram felizes e não sabiam. Pois a mídia demonizava o Presidente da República e dizia que o país não tinha como suportar tal inflação. Quase depuseram Sarney.


Lembro que, nos 'terríveis' dias de Sarney, até conseguimos economia para comprar um apartamento.


Veio Collor, o "salvador da pátria", "caçador de marajás", culpando os servidores públicos por tudo de ruim que se imaginava estar acontecendo. O povo o elegeu para confiscar as poupanças; houve até suicídios, e as coisas chegaram a tal ponto, que ele foi deposto, ficando Itamar com o resto de seu mandato.


Entre Lula, que poderia estabelecer o temido comunismo, e Fernando Henrique Cardoso, sociólogo bem conceituado, o povo não teve muita dúvida.


Daí em diante foi assim: venda de patrimônio público a preços vil sob a rubrica de reduzir a dívida do país; aviltamento do serviços públicos, supressão de reajustes, a chamada contenção de despesas; aumento de tributos para equilibrar as contas públicas; reajustes salariais abaixo da inflação para contê-la, não podendo dar noutra coisa. O aumento exponencial de falências, a queda acentuada no consumo, com o crescimento das disparidades sociais e grande ampliação da miséria, nem teria como haver inflação. Os comerciantes já não conseguiam mais vender como antes nem sem aumentar os preços. Até os calangos entraram no cardápio dos pobres. Mas parece que o povo até acreditava que estava bem como a mídia dizia; pois o reelegeu em 1998.


O resultado foi um desemprego de mais de 12%; um número de falências nunca antes imaginado; uma queda da renda per cápita de uns cinco mil dólares para pouco mais de três mil e setecentos dólares; o aumento da dívida pública de menos de 30% para mais de 60% do PIB. E, por incrível que pareça, os meios de comunicação ainda passaram a ideia de que FHC resolveu os problemas do país e colocou a casa em ordem, acabando com a inflação.


No final desses oito anos de maravilhas neoliberais, a minha situação econômica já me preocupava um pouco.


Eu 2002, parece que o povo começou a desconfiar da situação, ou perdeu o medo do comunismo; alguma coisa mudou: Lula foi eleito.


Aquele desemprego de 12% foi caindo; os pobres começaram a consumir um pouquinho mais; o povo foi sentindo que alguma coisa havia de melhor... Lula foi reeleito em 2006. Quando Lula terminou o segundo mandato, o desemprego havia caído de 12,2% para 6,8%; o PIB per cápita (renda média da população) havia subido para incríveis mais de treze mil dólares, ou seja a renda média já era mais de três vezes maior do que no início de seu governo; e, uma coisa que o povo nem sabe o que é, a dívida pública havia caído de mais de 60% para apenas 33% do PIB. Se pudesse continuar, Lula teria sido reeleito pela terceira e pela quarta vez.


Em 2010, como Lula ainda não era considerado "um ladrão que arruinou o país", Dilma Roussef, indicada de Lula, foi eleita. E, quando terminou o primeiro mandato de Dilma, o desemprego já era quase o menor da história, apenas 4,8%! Os antigos mandantes neoliberais já ficaram preocupados: "se não for tomada alguma medida, esse partido não sairá mais do poder, principalmente quando já está quase autossuficiente na produção de combustíveis. Temos que fazer alguma coisa." Daí em diante, Dilma era responsável até pelas mudanças meteorológicas: era culpada pela crise do tomate, pela safra ruim e o aumento do preço do feijão... até um pequeno reajuste dos preços dos combustíveis foi transformado num terremoto.

 

Em pouco tempo, a mídia controlada pelos especuladores conseguiu convencer a população de que Dilma Roussef era o problema do Brasil.  Como os inimigos estavam no comando das duas casas legislativas, não foi difícil conseguirem o impedimento da Presidente.  Agora, os problemas do Brasil acabariam. 

 

Uma política de redução da capacidade das refinarias da Petrobrás para sobrar petróleo bruto e faltar combustíveis e haver importação foi suficiente para provocar a atual crise de aumento de preços.  O desemprego, que tinha chegando a um nível dos mais baixos da história nos dias petistas, agora chegou a ser o maior de todos os tempos; e os mais poderosos meios de comunicação, que pertencem aos que tiram proveito da miséria do povo, continua convencendo o povo de que tudo é culpa do PT. 

 

Se nos dias de Sarney o desemprego chegou a ser o menor da história, tornou-se um dos maiores nos dias de FHC, voltou a ser um dos menores nos dias do PT e agora está o maior de todos os tempos nos dias da união MDB/PSDB; se a renda per cápita caiu nos dias do PSDB e subiu mais de três vezes nos dias de Lula; se a dívida pública cresceu para mais do dobro nos dias de FHC e caiu pela metade nos dias de Lula, voltando a subir depois de tirarem o PT do poder; e ainda prevalece a crença de que o PT é que quebrou o Brasil; só podemos chegar a uma conclusão: para quem tem o controle da telecomunicação, é facílimo levar o povo para onde quiser.

 

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