MUDANÇA DE VIDA -- 23/04/2001

 

Janela nem porta não tinha
A minha casinha singela,
Na bela paisagem selvagem;
Parede não tinha nela.

Sob o telhado de palma,
Minh’alma calma vagava,
Imaginava um futuro
Seguro onde eu estava.

Na rede suspensa nas traves,
As aves ouvia cantar,
O balançar das folhagens,
Mensagens puras do ar.

Durante o dia só via,
O que havia de vizinhos,
Macaquinhos, porcos, mateiros,
Os ligeiros passarinhos.

Nessa mista vizinhança,
Da onça sutil e flexível,
Possível era ver pegadas
Deixadas imperceptível.

Longe da vida urbana,
Da humana correria,
Sabia pouco do mundo
Imundo que existia:

Da corrupção política,
Da crítica situação,
Do ladrão e da miséria,
Da séria poluição.

Um dia cansado do mato,
Do anonimato total,
Da vida tal que levava,
Voltava à terra natal,

Mas para trocar a vida
Vivida em zona rural
Por tal rotina agitada
Encontrada na capital.

 

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