A PALAVRA É PODEROSA E PERIGOSA -- 23/03/2003 -

O que nos possibilitou essa grande superioridade do homem sobre os outros animais foi acima de tudo a invenção da palavra. Cada espécie animal tem sua forma de comunicação. O homem, entretanto, em milhões de anos, desenvolveu esse código complexo de transmissão de idéias que aprendemos em poucos anos e às vezes nem pensamos quão importante é e o poder que ela nos deu.

Aquele pequeno animal que aprendeu a andar sobre dois pés e utilizar as mãos para pegar paus e pedras e afugentar seus predadores fez uma descoberta fantástica. O bicho que a vinte ou trinta metros começava a tomar pedradas dificilmente iria chegar mais perto.

Mas esse animal criativo foi inventando modos de dar informações sonoras mais complexas do que as existentes. Primeiramente, deve ter aprendido a dar nomes às coisas de acordo com os som que elas produzissem, coisa que até hoje existe com o nome de onomatopéia. Ela é um pouco mais sofisticada do que a interjeição. Essa é a expressão mais primitiva que ainda usamos.

Quando você recebe um choque que lhe causa dor, quase sempre a primeira mensagem que emite é: “ai!”. Isso significa estou sentindo dor, ou algo ruim. Isso é pouco mais do que o que faz o porco, o cachorro, o gato, etc. Mas, como o humano está cada vez mais exercitando sua criatividade, depois da grande invenção do substantivo por onomatopéia, chegou à descoberta do verbo, do adjetivo, e daí por diante. Assim, começou a poder passar experiência aos descendentes de outra forma além da visual. Esse animal inteligente, após criar um pequeno vocabulário, já aprendeu a dizer aos seus familiares sobre as coisas estranhas que via em seu dia-a-dia.

Algo atingia com uma força jamais vista uma árvore e às vezes aparecia outra coisa assustadora, que consumia tudo que estivesse ao redor. Ninguém tinha coragem de se aproximar, ao ver paus sendo queimados e sentir aquele calor ameaçador.

Como ele próprio lançava uma pedra contra um outro animal, com certeza haveria um outro animal, fortíssimo e invisível, capaz de lançar aquele objeto que algumas vezes partia uma árvore e produzia aquilo capaz de destruir misteriosamente um monte de coisas. Esse ser seria muito superior.

A água que era lançada do alto sobre o ambiente também deveriam ser obra de algum ser superior. Alguns seres visíveis também eram superiores, capazes de se movimentar fora do chão, sem se firmar em nada. E aqueles que vivem dentro da água e não se afogam? Havia mistério demais nesse mundo.

Algumas vezes, enquanto dormia, o homem até conseguia voar também, ou se encontrava com outro ou outra em lugares distantes. Como, por informação dos que não estivessem dormindo sabia ter estado constantemente no local, logo imaginou: “Ah, eu não sou um simples animal como eu pensava não! Se eu consigo sair para lugares distantes e até voar enquanto os outros me vêem dormindo, eu devo ter dentro de mim um ser invisível como aqueles que mandam raios sobre as árvores e despejam água sobre as florestas.” Estava lançado o fundamento da alma, que muitos dos religiosos pregam hoje.

Assim, começou o homem a idealizar seres superiores comandantes das vidas terrenas. Certamente eles teriam posto na Terra animais parecidos com eles próprios. Daí a razão de há alguns milênios existirem deuses nas mais diversas formas animais. Essas concepções teísticas foram sendo moldadas conforme a criatividade de cada um, mas transmitidas aos descendentes. Tal como precisamos de água para viver, passamos a precisar desses seres sobrenaturais, que estariam comandando nossos passos. Podemos dizer que ficamos geneticamente programados para crer eu deuses.

Como os chefes de tribos foram aos poucos extrapolando seus limites, passando a dominar outros grupos, alguns foram ficando poderosos, esboçando os chamados reinos. Algum mais esperto passou a informação de que era a vontade dos deuses que todos lhe obedecessem as ordem. Aí estava lançado o fundamento da doutrina cristã de que “não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus” (Romanos, 13: 1). Como se sabe, nos reinos mais antigos, as pessoas adoravam o deus que fosse adorado pelo rei, ou estariam na pior.

Como os hebreus se apresentaram como o povo escolhido de Yavé, que teriam recebido ordens escritas diretamente por esse deus, o qual informou que todos os outros povos estavam enganados, que os outros deuses eram todos falsos, invenções dos homens; e posteriormente surgiu Jesus, como o filho de Yavé, seus seguidores conseguiram dominar o mundo em alguns séculos. Daí a Bíblia tornou-se o livro mais importante do mundo. Embora existam outros ditos de procedência divina, o que predominou é que a “verdade” está só na Bíblia. E com essa tradição procedente de tempos paleolíticos e aperfeiçoada por alguns povos, não é de admirar que grandes personagens da história e até alguns do mundo científico atual tenham a Bíblia como a mais importante obra de todos os tempos, produzindo pérolas como estas constantes do Manual Bíblico de Henry H. Halley:

Este livro dá a razão da supremacia da Inglaterra” (Rainha Vitória).  Nada mais interessante para quem nasceu para reinar.

Impossível é governar bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia” (George Washington). A história das torturas perpetradas pelos poderes político-religiosos que o diga.

É impossível escravizar mental ou socialmente um povo que lê a Bíblia. Os princípios bíblicos são os fundamentos da liberdade humana” (Horace Greeley). Certamente não a lia com atenção suficiente para ver os grandes exemplos de escravidão nela existente.  Qual livro autoriza vender a própria filha como escrava? (Êxodo, 21: 7).

Todas as descobertas humanas parecem ter sido feitas com o propósito único de confirmar cada vez mais fortemente as verdades contidas nas sagradas escrituras” (Sir Willam Herschel).  Em seus dias certamente pouco ainda se havia descoberto.

Nas Escrituras hebraico-cristãs, temos a única chave que abre para o homem o Mistério do Universo e, para esse mesmo homem, o mistério do seu próprio eu” (Ferrar Fenton).  Não é essa visão que levou pessoas à morte quando descobriram alguns enganos desses mistérios?

Muitas pessoas brilhantes em seus ramos profissionais, ao aprenderem dos pregadores coisas maravilhosas da Bíblia, saem dizendo tolices como essas por aí, e outros olham e pensam: se uma pessoa como essa disse, quem somos nós para contestar?  Nem imaginam que esses brilhantes profissionais não têm tempo para se aprofundar naquilo que está fora de suas áreas de atividade.


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