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PARQUE DAS ENGANAÇÕES
10/07/2011

 

A reportagem do Fantástico mostra por que as pessoas sempre perdem mais do que ganham nas bancas de jogos.  Já tive oportunidade de verificar outros jogos.

 

"Mágico desvenda trapaças em jogos típicos de festa junina

Nem sempre você perde porque é ruim de pontaria, às vezes, o jogo tem alguma mutreta.

Sabe esses jogos que costumamos encontrar em festa junina e parque de diversão, e que temos uma dificuldade enorme para ganhar o prêmio? Temos vários deles e vamos mostrar por que são tão difíceis.

Nem sempre é porque você é ruim de pontaria, às vezes tem mutreta no meio. Ninguém está dizendo que todos esses jogos têm algum truque. Claro que não, existem aqueles que são absolutamente honestos. Mas que é fácil enganar o jogador, é.

Seja bem-vindo ao Parque das Enganações ! Você vai ser enganado aqui, mas é para nunca mais ser enganado em outro lugar.

O parque foi montado em uma praça do Rio de Janeiro, em um sábado de manhã. Ninguém precisou comprar ingresso para participar das brincadeiras. Bastava ter uma dessas simpáticas fichinhas na mão.

Tadeu Schmidt distribui fichinhas para as pessoas, que entram nas brincadeiras, mas não conseguem vencer nenhuma.

Enquanto a Graça insiste, a banca já faturou um monte de fichinhas.

Em um jogo normal, as pessoas pagariam. Essa compulsão vai aumentando, e quando a pessoa não consegue, ela cisma em conseguir. Esse é o perigo de um jogo como esse”, alerta o mágico Kronnus.

Nem todo parque tem um Tadeu bonzinho para ficar dando ficha para as pessoas. Normalmente eles vendem.

Kronnus vai mostrar como brincadeiras aparentemente simples e fáceis viram fonte de dinheiro nas mãos dos espertinhos. A pirâmide das latinhas é famosa, todo mundo conhece. O jogo funciona assim: você escolhe uma cor. Tem três arremessos cada pessoa. Você tem que derrubar todas as latas com três bolas.

As pessoas tentam, mas não conseguem acertar todas.

“Tem algum truque aí. Essas latas estão presas. Ou têm algum chumbo dentro”, desconfia um homem.

“Vou deixar você jogar até derrubar para mostrar que não tem truque”, desafia Kronnus.

“Tem bola aqui que não acaba mais, vê se não me decepciona”, pede Tadeu Schmidt.

O mágico Kronnus já sabe que Anderson vai ficar um bom tempo tentando derrubar as latinhas. Tempo suficiente para ele mostrar uma última brincadeira, outro clássico das festas juninas: o jogo dos dardos.

“Eu vou dar três dardos. Tem que acertar dois balões. Se acertar dois balões com esses três dardos você ganha. Acertou um balão só, não ganha nada”, explica.

As pessoas tacam os dardos também sem sucesso.

Chega de enganações, mágico Kronnus! Queremos descobrir por que ninguém está acertando nada nesse parque. A começar pela banca dos balões.

“Atrás de cada balão tem uma placa com um número que corresponde ao prêmio que você ganha. Certamente, os melhores prêmios.   aqueles que estão expostos e são grandes, estão atrás de bexigas que estão bem murchinhas”, conta o mágico.

“O que faz com que um dardo de aço tenha uma certa dificuldade de furar essa bexiga. Principalmente quando os dardos tiveram as suas pontas completamente lixadas. Além do que cortamos manualmente na parte de trás dos dardos, tirando o equilíbrio e a estabilidade deles no ar quando você arremessa”, revela.

Não tem bexiga que estoure com um dardo fajuto desses.

Agora nos diga por que aquelas bolinhas nunca param dentro do balde.

“A distancia da qual você deve fazer o arremesso faz necessário que você imprima uma certa força na bola. Essa força é a mesma que joga a bola para fora do balde. Com essa distância que tem aqui, a força necessária para a bola chegar a essa distancia é a mesma força necessária para ela bater no fundo e voltar”, explica o mágico. “Ela vai e quica.” “O fato de a boca estar inclinada para você também trabalha contra você, o que faz com que a bola saia do balde com mais facilidade.”

Robson e Penha descobrem que existem dois jeitos de acertar a bola no balde. O primeiro está na forma de arremessar.

“Você tem que jogar a bola com parábola, para ela bater em uma pontinha e entrar, fazer uma tabela, dispersar a força de maneira lateral no balde e não bater no fundo”, diz o mágico.

A outra forma de acertar a bola dentro do balde só vai acontecer se o dono da banca deixar.

“É só colocar uma bolinha já la dentro. Essa bolinha que está lá dentro vai absorver o impacto do arremesso e vai fazer com que a bolinha fique ali dentro. Simples”, conta Kronnus.

Tatiana e Anderson estão até agora quebrando a cabeça para entender por que é tão difícil derrubar a pirâmide de latinhas. Com a palavra, Kronnus.

“Se a gente está usando latas normais, a tarefa é fácil. Vocês examinaram as latas, pode pegar na mão. Parecem normais. Eu posso até fazer isso e botar na frente de vocês. Agora pega essas outras latas aqui. Eu não falei que tinha coisa nas latas?”, aponta o mágico.

“Aqui a gente botou silicone e chumbo, mas dá para botar areia, cimento, qualquer coisa que faça peso. Por que a gente bota aqui para examinar e a pessoa não vê? Porque a gente troca a lata. Coisa de mágico, coisa de mágico”, diz Kronnus, que continua:

Três latinhas pesadas tornam o jogo impossível. Se alguém começar a desconfiar, o dono da banca tem sempre uma saída: colocar as pesadas em cima e as leves embaixo.
Todo mundo que participou dos jogos levou nossa brincadeira na esportiva. Domingo que vem, tem mais. Esperamos você no Parque das Enganações.

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1664604-15605,00.html

 

 

Essa reportagem me lembrou certas vezes que fui participar desse tipo de jogo.

 

Uma vez, tentei aquele jogo de argolinhas.  Elas são muito leves, o que, além de dificultar o acerto do alvo, muitas vezes elas caem no lugar certo e voltam, havendo poucas chances para o jogador sair ganhando.   Comprei uma dúzia, joguei dez, guardei duas, treinei em casa, e, no outro dia, apesar  de muitas vezes acertar e a argola voltar escapando do alvo, consegui pegar em refrigerantes um valor bem maior do que  o que gastei. Mas, em noventa e nove por cento dos casos as pessoas gastam mais do que o que ganham.

 

Outra vez, entrei em um parque aqui em Belo Horizonte para, como bom atirador que era, ganhar no tiro ao alvo.  Havia dois tipos de armas.  Uma arremessava uma rolha de cortiça, e a outra uma bola.   E na distância que os alvos estavam, eu tinha certeza de que acertaria o menor deles sem dificuldade.

 

Observando de lado outras pessoas atirarem, verifiquei que a cortiça saía da boca da espingarda com um desvio imprevisível, jamais ia na direção apontada; podia desviar para qualquer direção.   Muitas vezes o atirador acertava, mas em um alvo próximo daquele em que mirava.

 

Observei a outra.   Esse mandava a bola no ponto certo, mas era ainda mais difícil acertar, porque o complicador era outro.  Após apertar o gatilho, havia uma certa fração de segundo para o disparo.  Além de essa fração variar um pouquinho de tiro para tiro, os alvos eram bonequinhos que levantavam e abaixavam, em pontos diferentes, um de cada vez, aparecendo aleatoriamente. O tempo decorrido entre o aperto do gatilho e a saída da bola, somado ao tempo gasto entre avistar o boneco e apontar, era suficiente para ele se recolher. 

 

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