O TABACO É PIOR QUE O ÁLCOOL
- 29/07/2001 -

Se formos fazer um julgamento bem criterioso dos dois vícios, chegaremos à conclusão de que O TABAGISMO É EXTREMAMENTE PIOR DO QUE O ALCOOLISMO.

O médico Dr. Eleazor Teixeira afirma: "O cigarro é prejudicial para a saúde, é mortal, com riscos de vida maiores que o alcoolismo" (Jornal de Saúde, novembro/92, pág. 6).

O alcoólatra causa enormes danos ao seu organismo, mas somente a si mesmo. O fumante danifica a si e a quantos com ele convivem.

É desagradável permanecer próximo de um bêbado, mas, ao nos afastarmos dele, ficamos completamente livres do cheiro do álcool. Situação bem mais grave é ficar junto de fumantes: mesmo depois de nos afastarmos deles continuamos perseguidos pelos componentes fétidos do fumo, que impregnam nossa roupa, nosso cabelo, etc., só nos libertando dos seus resíduos após um bom banho e ficarmos bem distante da roupa contaminada.

O alcoólatra exala o cheiro do álcool, talvez até algumas horas depois de haver bebido; mas no dia em que não bebe não apresenta nenhum indício do álcool. O fumante, todavia, até muitos dias depois de parar de fumar, carrega consigo o mau cheiro do fumo. E, num exame médico, até anos após o abandono do vício, se constata que a pessoa foi fumante.

Os pontos comparados acima nos demonstram que os danos causados pelo cigarro são mais duradouros do que os causados pelo álcool.

Ademais quase todas as receitas de prevenção do câncer e do infarto repetem, como a divulgada no fantástico de 12 de outubro de 1997: “tomar bebidas alcoólicas em pequenas doses e manter distância do cigarro”. É comum encontrarmos artigos com essa receita de longevidade: “beber com moderação, abandonar o cigarro, controlar o peso...” Nos dias atuais, jamais encontramos recomendação para fumar com moderação, mas sim manter distância do cigarro.

Da comparação abordada, vale considerar o fato de que o cigarro é contagioso. Presenciar as outras pessoas beberem não causa fisicamente nenhum risco de alguém se tornar alcoólatra. No caso do tabagismo, ao contrário, a fumaça do cigarro é altamente contagiosa, levando o não-fumante a perder, aos poucos, a normal repugnância à fumaça do cigarro, passando depois a sentir prazer em aspirá-la e, conseqüentemente, a se tornar fumante também.

Uma de minhas colegas contou-me que, após sofrer alguns anos obrigada a trabalhar em uma sala fechada com três fumantes, passou a não se incomodar mais com a fumaça de seus cigarros; não percebeu quando passou a achar aquilo agradável. Ao mudar o ambiente de trabalho, passando para uma sala arejada, sentiu a falta da fumaça e mergulhou definitivamente no vício.

Esse efeito contagioso, qual uma epidemia, vai fazendo mais e mais adeptos do tabagismo, chegando ao ponto atual, em que, não obstante as advertências científicas, uma vasta multidão ainda persiste poluindo o nosso precioso ar, tornando necessárias as leis restritivas, que já impedem que fumem em alguns ambientes. Progressivamente, diante do patente desrespeito ao bem-estar alheio por parte dessa classe de pessoas, os legisladores, mormente do Primeiro Mundo, vão fazendo normas mais imperativas no sentido de proteger o público do incômodo vício. Mesmo nos países subdesenvolvidos, como o nosso, embora mais lentamente, estamos conseguindo alguns avanços na proteção contra essa prática desagradável e perniciosa.

Os componentes do fumo levam muito tempo para deixar o organismo onde penetraram. Alguns efeitos podem ser reversíveis, outros não.

Ante o lamentável quadro aqui exposto, autoridades dos países desenvolvidos começaram a criar leis impedindo fumar em ambientes de trabalho. Entre nós, já existe a lei 9294/96, que proíbe fumar em ambientes coletivos, entre os quais o ambiente de trabalho. Se isso já fosse observado, evitar-se-iam muitos casos lamentáveis como o da minha colega supracitada.

As estatísticas provam, sem sombra de dúvida, a maior gravidade do vício do tabaco em relação ao do álcool: “Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), registrados pelo Ministério da Saúde no ano passado” (1995 “dão conta de que o cigarro causa mais mortes prematuras que a soma das mortes causadas por Aids, Coca, Heroína, álcool, incêndios, acidentes de automóveis e suicídios” (Jornal Pampulha, 16 a 22/11/96, pág. 7).

“O consumo de cigarro é responsável, ainda, por 90% dos casos de câncer de pulmão, 30% de outros tipos de câncer, 85% das doenças pulmonares e 50% das doenças cardiovasculares. Também aumenta em 40% a chance de contrair infecções respiratórias por bactérias e vírus e em 800% o risco de derrame cerebral. Além disso, duplica a velocidade do envelhecimento do organismo e predispõe à impotência sexual masculina. Já o fumante passivo tem de 200% a 300% mais chances de contrair câncer de pulmão que uma pessoa que não conviva com fumantes.” (Almanaque Abril, 1998, pág. 639).

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