RAÇAS HUMANAS EXISTEM, OU NÃO EXISTEM RAÇAS HUMANAS? -- (21/07/2006)


Entre as tentativas de combate ao racismo (discriminação de raças humanas), até se alega atualmente, recorrendo-se à ciência, não existir raças no gênero humano. Mas não se aplicaria aos humanos os mesmos critérios aplicados aos outros animais?

Já encontrei algumas matéria que afirmam categoricamente não existirem raças humanas. Outras apenas lançam dúvida. Mas apesar das dificuldade de distinção em muitos casos, não me parece correto afirmar que não existem raças humanas.

“Raça tem somente um significado científico e é biologicamente único. Refere-se a uma única subdivisão das espécies conhecidas, membros de uma herança física, a qual visa distinguir-se de outras populações da mesma espécie. Apesar desta definição ser precisa tanto quanto possível, os cientistas entendem que não existem claras subdivisões na única espécie chamada homem, isto é, o homo sapiens. A maior parte das pessoas pertencem a categorias entre subdivisões do que propriamente àquela da qual pertencem, ou de que um mesmo indivíduo pode ter características que o colocam em diversas categorias simultaneamente".
(www.bahai.org.br/racial/Raca.htm).

O texto acima usa a definição "os cientistas", mas deve ser uma parte dos cientistas. A falta de clareza entre as subdivisões pode ser observada também em animais muito diversificados, como cães por exemplo, e nem por isso se nega que eles tenham raças.

Um dos participantes do Yahoo Respostas respondeu o seguinte:

"Bom, parece que a luz dos novos conhecimentos sobre o genoma da espécie humana o conceito de diferentes "raças", no sentido de diferentes variantes de uma mesma espécie esta ultrapassado. As diferenças genéticas entre grupos humanos são muito pouco significativas. De qualquer modo mais a título de curiosidade, poderíamos falar de "grupos étnicos" básicos da humanidade como se costumava classificá-los: CAUCASÓIDE (OU CAUCASIANA) que se referia a todas as raças "brancas", NEGRÓIDE (ou ETIÓPICO) as raças negras ou africanas, MONGOLÓIDE, as raças asiáticas, AMERICANA, para as raças nativas das américas e ilhas próximas e MALAIO. Essa era uma classificação muito aceita a partir do fim do séc. XVIII. No séc. XX ouve uma outra tentativa de classificação de "raças" que resultou em oito grupos: africanos, ameríndios, aborígines australianos, mongolóides, indianos, sul-asiáticos, oceânicos e caucasianos....   Mas como disse no começo, hoje se sabe que há tão pouca variação genética significativa na humanidade que o conceito de "raças", com rigor técnico e científico, não se aplicaria a nossa espécie.  Quer dizer a gente é tudo...GENTE!"

<http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060929210803AAQ7dFN>

 

"Quer dizer a gente é tudo... GENTE!".  Mas, cachorro também, tudo é cachorro, gato, tudo é gato, boi também tudo é boi, e as diferenças existentes nos grupos são classificadas como raças.  As diferenças existentes entre algumas raças de gatos podem ser menos perceptíveis do que a existente entre um russo, um japonês, um árabe e um negro nativo da região equatorial da África.  Assim, a recusa em chamar os grupos étnicos humanos de raças é apenas um receio de promover racismo. 

 

Afirmam que "um mesmo indivíduo pode ter características que o colocam em diversas categorias simultaneamente", e isso é real. Mas entre outros animais também podemos encontrar essa mistura. Assim como um filho de negro africano com japonês ou com loiro nórdico, ou com índio americano vai ficar em um grupo intermediário, um filhote de duas raças caninas ou bovinas dará um descendente mestiço de definição um pouco difícil. Todavia, como isso não é suficiente para eliminar as raças caninas e bovinas, também não justifica afirmar que não existem raças humanas. Em um lugar muito miscigenado como o nosso país, muitas pessoas podem proceder de uma mistura de difícil identificação. Entretanto, a menos que um dia a mistura humana se globalize tanto que não restem mais grupos distintos, acho que ainda existem raças humanas.

 

A Luiza Brunet tem 80% de ancestralidade européia, 15,5%, quase 16% de ancestralidade ameríndia. É bastante significativo”, afirma o doutor Sérgio". (Fantástico, 06/08/2006). A cantora Ivete Sangalo: "européia 99,2%, ameríndia 0,4% e africana 0,4%" (Idem). Se há diferenças humanas suficientes para determinar percentagem indígena, européia e africana, o que isso quer dizer? Se dissermos que um boi tem certa percentagem de gir, um tanto de nelore e mais um pouco de caracu, dizemos que ele tem uma mistura de três raças. Por que os diferentes grupos bovinos são raças, e os nossos não o seriam? Só porque isso alimentaria os argumentos dos racistas?

 

Se raças são resultados de mutações dentro de uma espécie decorrentes do ambiente ou qualquer outro fator, a espécie humana não está isenta dessas divisões naturais. Racismo é uma coisa que seria bom ser eliminado. Mas afirmar que raças não existem é um argumento meio frágil. O certo é tentar estabelecer igualdade jurídica entre as pessoas de todas as raças, mas tentar eliminar artificialmente o reconhecimento da existência das raças não me parece uma boa alternativa. 
 

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