TRAJETÓRIA DA DITADURA
31/03/2014

Hoje faz cinquenta anos do golpe militar que, sob a alegação de proteger a democracia, privou os brasileiros por vinte e um anos, entre outros, do direito de escolher seus governantes.

TRAJETÓRIA DA DITADURA

Cenário pré-golpe

Prometendo eliminar a corrupção, Jânio Quadros é eleito em 1960, com quase 50% dos votos.

O presidente perdeu apoio das elites ao desprezar o Congresso.

Jânio rejeitou os EUA, se aproximou da China e de Cuba e condecorou o então ministro cubano Che Guevara com a mais alta comenda concedida a estrangeiros pelo Brasil.

Após 207 dias de governo, Jânio Quadros renunciou. Surgiram rumores de que ele planejava um golpe que o manteria no poder como ditador, o que nunca foi confirmado.

 

Instabilidade

A renúncia de Jânio lançou o Brasil em profunda crise política. Os militares impediram a posse do vice João Goulart, contrariando a Constituição.

Jango era visto como uma “ameaça comunista” pela proximidade com sindicalistas.

O Congresso altera a Constituição e muda o regime, instaurando o Parlamentarismo. Tancredo Neves assume como primeiro-ministro e Jango toma posse destituído de poderes presidenciais.

A pressão popular força a realização de um plebiscito em 1963, para que o povo escolhesse o regime de governo.

 

 

Vésperas do Golpe

Em janeiro de 1963 mais de 80% dos eleitores dizem NÃO ao parlamentarismo, devolvendo a Jango plenos poderes.

O presidente inicia as Reformas de Base. Jango defendia ampla reforma agrária, eleitoral e da educação, além de restrição das remessas de lucro das multinacionais.

Setores contrários articulam a derrubada do governo.

Em 13 de março de 1964, o presidente faz um comício em frente à Central do Brasil, no Rio, reunindo cerca de 100 mil pessoas. Antes, Jango institui por decreto a reforma agrária, irritando ainda mais a direita.

 

 

O Golpe

O mundo vive o auge da Guerra Fria e Jango era tido como ameaça comunista pelos EUA. O governo americano envia ao Brasil um aparato militar pronto para entrar em ação.

25 de março de 1964: Protesto de marinheiros no Rio de Janeiro contra a cúpula militar. O comandante dos Fuzileiros Navais, almirante Candido de Aragão, é demitido.

30 de março: Jango promete restaurar a patente dos militares demitidos.

31 de março: O general Mourão Filho parte de Juiz de Fora com tanques rumo ao Rio de Janeiro. Soldados tomam as ruas e prendem políticos, sindicalistas e estudantes.

 

 


Caça às bruxas

O presidente Jango foge para o Uruguai. Em 3 de abril de 1964, o presidente do Congresso, senador Moura Andrade, declara vaga a presidência da República.

O Congresso ganha poderes para escolher o novo presidente. Políticos são cassados, entre eles os ex-presidentes Juscelino Kubistchek, Jânio Quadros e João Goulart.

O marechal Humberto de Alencar Castello Branco toma posse em 15 de abril como presidente do Brasil. Ele permite a livre remessa de lucros ao exterior, intervém nos sindicatos e proíbe greves.

 

 

1968 - O ano da virada

Em 1968 intensifica-se a luta do movimento estudantil contra o regime militar. Em março, o estudante Edson Luiz é morto em confronto entre estudantes e policiais no Rio.

A morte deu ânimo aos protestos. Em 26 de junho, houve a Passeta dos 100 Mil, no Rio. O governo proíbe as manifestações de rua.

Em 13 de dezembro, o presidente Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Número 5. O AI-5 confere poderes extraordinários ao presidente, suspende garantias constitucionais e aumenta a perseguição aos opositores do regime.

 

 

Censura

Após o golpe, as lideranças políticas, sindicais e estudantis foram aniquiladas por cassações, demissões, prisões, torturas e desaparecimentos.

A censura dos militares forçava a criação de linguagens alternativas na imprensa, na música e nas artes.

Em dezembro de 1968, Gilberto Gil e Caetano Veloso são presos, ficando dois meses num quartel do Exército em Realengo, no Rio. Ao serem soltos, partem para um exílio voluntário em Londres.

Chico Buarque, que teve várias composições vetadas, parte para a Itália em 1969.

 

 

Os Anos de Chumbo

Na clandestinidade, a resistência recorre à luta armada. O Partido Comunista Brasileiro organiza uma guerrilha às margens do Rio Araguaia.

Grupos de esquerda, como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), realizam assaltos a bancos e sequestros para financiar a guerrilha.

Setembro de 1969: O embaixador dos EUA no Brasil, Charles Elbrik, é capturado no Rio e em troca é exigida a libertação de 15 presos políticos e a divulgação de um manifesto.

O governo atende às reivindicações e três dias depois os 15 prisioneiros seguem para o México.

 

 

Milagre econômico

Em outubro de 1969 assume a presidência Emílio Garrastazu Medici, consolidando a estrutura da repressão.

A luta armada é sufocada e centenas de militantes são presos, torturados e mortos. Muitos estão até hoje desaparecidos.

Enquanto isso, o Brasil tinha um crescimento econômico em torno de 7% ao ano financiado por dívidas contraídas no exterior.

Foi um tempo de obras faraônicas como a hidrelétrica de Itaipu, a rodovia Transamazônica e a ponte Rio-Niterói.

O tri do Brasil na Copa de 70 foi usado pelo governo militar numa campanha de marketing que ligava sua imagem às vitórias do futebol.

 

 

A direita contra-ataca

Na “caça aos comunistas” a direita também passa a usar táticas de guerrilha. Atentados a bomba destruíram bancas de jornais que vendiam publicações consideradas de esquerda, notadamente, O Pasquim.

Em 30 de abril de 1981, uma bomba que seria plantada durante um show do Dia do Trabalho, no Rio Centro, explodiu no colo de um sargento, revelando o envolvimento do Exército na campanha do terror.

A esquerda começa a se reorganizar. O líder sindical Luiz Inácio da Silva funda o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980.

 

 

Diretas Já!

No final dos anos 70, a sociedade pressionava para que os militares deixassem o poder.

Em agosto de 1979, o presidente João Figueiredo assina a Lei da Anistia e os exilados políticos começam a voltar ao Brasil.

A campanha das Diretas Já! exigindo eleições diretas para presidente se espalha pelo país. Em janeiro de 1985, o Congresso elege Tancredo Neves como primeiro presidente civil em 20 anos.

Tancredo adoece e o vice José Sarney toma posse. Tancredo falece um mês depois. São criados novos partidos e instaura-se a Assembleia Constituinte. Uma nova Constituição é promulgada em 1988.

 

 

Volta à democracia

Após 25 anos, os brasileiros votam para presidente em eleições diretas.

Fernando Collor de Mello (PRN) derrota Lula (PT) no segundo turno de eleições de 1989.

Dois meses depois, o Plano Collor confisca a poupança e taxa depósitos e aplicações financeiras. Em 1992, o irmão do presidente, Pedro Collor, revela um esquema de corrupção no governo.

No final do ano, o Congresso vota pela abertura do processo de impeachment de Collor, que renuncia em 29 de dezembro, antes de ser condenado.

Fonte: BBC http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/03/140321_timeline_golpe_fl.shtml

 

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