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SEIS (NÃO, SETE!) VAHRIAS E AVARIAHDAS
Millôr Fernandes
05/10/2009

La riqueza no trae la felicidad. La pobreza, mucho menos. Pois é, chego ao espanhol.
(Un Dinosaurio en un Dedal. Daniel SAMPER Pizano)

Die Schweizer, weltweit grösste Uhrenindustrielle, haben den Satz: "Zeit ist Geld" erfunden".
(E em alemão! De Hans Stefan Wertheimer: "Die witzigsten Bonmots  Sprüche und Aphorismen. Lexikon der heiteren Weisheiten").
Tremei, johann wolfgang von GOETHE!!!

 

I Reflexão de Lula: "O que mais me espanta no Obama é que quando ele discursa não comete nenhum erro de português".

 

II E já que agora, devido ao Obama, se fala tanto de Lincoln, conto um episódio pouco conhecido. Depois do imenso tumulto no teatro em que Lincoln foi assassinado, o crítico teatral, não querendo perder a oportunidade, perguntou à viúva: "Mas, tirando isso, o que a senhora achou do espetáculo?".

 

III Tem gente que sabe. Pela primeira vez vejo um jornalista, a excelente Ana Cristina Reis, reclamar de todo mundo usar o adjetivo independente em lugar do advérbio de modo, independentemente. Exemplinho: "Independente disso", quando o "certo" é: "Independentemente disso". O que, aqui entre nós, não tem a menor importância. Ela e eu sabemos.

Mas também, Cristina, não é querer demais exigir que os caras saibam a diferença entre adjetivo e advérbio?

 

IV Agora, em matéria de linguagem, o que me causa irritação, porque está mesmo errado, é o uso indevido, em qualquer das dezessete línguas em que leio (tá bem, deixo por três ou quatro!), de "na década de 1950", "na década de 1770". Querem falar de década e usam milênio. Década é década, se refere a 10, não a 1 000, ô meus!

 

V E, nestes tempos de ortografismos adoidados, hifenização portuguesmente correta, volto a ler a coleção da VERDE. VERDE, uma publicação pioneira feita em Cataguases. Ainda hoje moderníssima (*), com seus redactores, anno 1, apoiando gymnasios, o director prafrentex (não, isso é de outra época!), aparecendo para um público não preparado. Um triunpho!

E lendo VERDE volto a lembrar aos leitores:

Ontem, hontem tinha agá e hoje não tem. Hoje, ontem tinha agá e hoje também tem.

 

(*) Eu tinha, não sei onde botei, o primeiro número da VERDE, um número especial, capa em folha-de-flandres. Modernismo é isso aí, bicho. Em 1927!

 

VI Leio na extraordinária biografia – involuntária – de Saul Steinberg: "Em 1950, aos 50 anos, Vladimir Nabokov não tinha um só dente, usava dentadura superior e inferior, sofria de várias formas de doenças urinárias, pulmonares, cardíacas. Sofria também de lumbago, psoríase, tinha fraturas de ossos. Vivia em clínicas e hospitais. Sem falarmos de problemas permanentes com editores, advogados – e parentes".

Pergunto eu: como, cinco anos depois, aos 55 anos, Nabokov ainda teve tesão pra escrever Lolita?

 

VII E leio também, e aconselho a ler, Lucio Costa:

ARQUITETURA
Arquitetura é coisa para ser exposta à intempérie.
Arquitetura é coisa para ser concebida como um todo orgânico e estrutural.
Arquitetura é coisa para ser pensada, desde o início, estruturalmente.
Arquitetura é coisa para ser encarada na medida das ideias e do corpo do homem.
Arquitetura é coisa para ser sentida em termos de espaço e volume.
Arquitetura é coisa para ser vivida.
Tudo isso me lembra, a mim, millôr, a moção final, aprovada no Congresso de Arquitetura de Atenas, em 1952:
Os materiais da arquitetura são o Sol, o Espaço, as Árvores e o Concreto Armado. Nessa ordem e nessa hierarquia.

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