POR QUE DEUS VIVE E SOBREVIVE? -- 25/03/2007 -

 

Por que ainda sobrevive um deus entre a maioria da população humana? Por que são poucos os que concluem que ele é, tanto quanto os outros já inexistentes, produto da imaginação humana.

Lembro que, em minha bem tenra infância, todos os dias à noite, minha mãe me ensinava a rezar buscando a proteção divina. Aprendi que Deus criou todas as coisas; que o homem foi feito do pó da terra e a mulher, de sua costela; que a mulher comeu uma fruta proibida e a deu ao homem, e todos os sofrimentos humanos, inclusive a morte, derivaram dessa desobediência; que Jesus morreu crucificado e ressuscitou para salvar do tormento eterno aqueles que vivessem segundo a vontade divina; que estávamos muito próximos do dia em que Jesus viria do céu para recolher esses bons cristãos e levá-los para o céu, e os maus iriam para o inferno, onde ficariam queimando eternamente; que Jesus delegou a São Pedro a condução de sua igreja, e após a morte Pedro, outros substitutos dele deram continuidade ao trabalho, sendo esses representantes divinos da Terra chamados papas.

Em nosso meio era muito raro e parecia muito absurdo quando ouvíamos que uma pessoa dizia que Deus não existe. Parecia-nos a pessoa mais estúpida aquela que duvidasse da existência desse ser que é chamado de Deus.

Até por volta dos dezessete anos, embora não tivesse nenhuma dúvida sobre a existência desse deus criador de todas as coisas, eu não ligava muito para esses assuntos, raramente indo a uma igreja. Todavia, por essa época, comecei a ler doutrina adventista do sétimo dia, onde era informado que o papa, ao invés de representante de Cristo, era a besta do Apocalipse; que a verdade estava com a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Então comecei a ler a Bíblia e as dúvidas começaram a surgir.

Conheci a interpretação da profecia de Daniel, capítulo 7, no livro Pelos Meandros do Mal. “Um tempo, dois tempos e metade de um tempo" (Daniel, 7: 25) teria sido de 538 a 1798 A.D., período em que o papa perseguia os que se opunham a seus dogmas e mudou "os tempos e a lei", alterando o limite do dia do por do sol para meia noite e trocando o sábado pelo domingo; que seu título - VICARIUS FILII DEI - continha o número da besta, que o identifica.

Confiante de ter encontrado VERDADE, passei a apresentá-la para todos com quem falava. Estudava constantemente a Bíblia.

Certo dia, escrevi uma carta a um bom amigo, bom católico, que ficou escandalizado com o que eu disse, afirmando-me que os papas eram os sucessores de São Pedro, e que sua igreja era aquela fundada por Cristo.

Mudando para Rondônia, conheci um grupo de adventistas, os quais me afirmaram que a Igreja Adventista do Sétimo Dia já não era mais a igreja de Deus, sendo esta os remanescentes chamados Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. Passei a conhecer várias interpretações e histórias eclesiástica.

Durante um bom tempo, tinha plena convicção de que estava seguindo a VERDADE e devia levá-la a todas as pessoas. Discutia muito com aqueles que não acreditavam na doutrina que eu havia tomado como a verdadeira, e, muitas vezes, até convencia as pessoas de que estava certo.

A certa altura, após uns dois anos de profissão de fé adventista, comecei a ver que muitas coisas ensinadas pela igreja a que pertencia estavam muito contraditórias em relação ao conteúdo da própria Bíblia. Assim, após muito estudar, concluí que essa doutrina não era “a verdade” que diziam ser, e passei a estudar em busca da doutrina que, entre tantas, fosse a verdadeira. Alguém, dentre tantos religiosos discordantes, deveria estar com a verdade.

Depois de muito estudar, comecei a perceber que a própria Bíblia era cheia de contradições. Aí fiquei com a fé um pouco abalada. A palavra de um ser onisciente não poderia conter contradições, imaginei.

Após meditar sobre essa vasta coleção de afirmações inconciliáveis, que dizem compor a verdade divina, levei em conta que os escritores ditos divinamente inspirados tinham uma visão do universo tão primitiva quanto à dos antigos caldeus, que adoravam os astros.

Poderíamos considerar bom (Salmos, 34:8), perfeito (Mateus, 5: 48) e justo (Salmos, 145: 17) um deus que “vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração” (Deuteronômio, 5: 9)?

Poderíamos hoje aceitar como vinda do todo-poderoso e onisciente criador do universo a informação de que o sol “principia numa extremidade dos céus, e até a outra vai o seu percurso” (Salmos, 19: 4-6)? Por que o criador não inspirava seus emissários para explicarem que o Sol não circula em torno da Terra, e esta é que orbita em volta do Sol?

Se o próprio Cristo disse que próximo de seu retorno “as estrelas cairão do firmamento” (Mateus, 24:29), estava confirmando a visão humana da época, como se vivêssemos no centro do universo, e os milhões de estrelas que enfeitam o céu, minúsculas como parecem aos nossos olhos, pudessem cair “pela terra como a figueira, quando abalada por vento forte, lança seus figos verdes” (Apocalipse, 6:13). Isso está totalmente divorciado da propagada onisciência de um criador de todas as coisas.

Os mensageiros divinos deviam imaginar, como qualquer homem pré-histórico, um mundo quadrado; pois, se tivessem conhecimento da forma do planeta, certamente não falariam de “quatro cantos da terra” (Apocalipse, 7:1; 20:8). Como poderíamos determinar quatro cantos em uma bola?

Se, além de tudo isso, a cronologia profética dava este mundo por extinto em tempo bem anterior ao nosso (Veja no livro A ARRISCADA PRETENSÃO DE SABER O FUTURO), em que eu poderia firmar minha fé? Onde buscar evidências de uma verdade divina, se a descobertas humanas puseram por terra as afirmações dos chamados mensageiros de Deus?

Ante os dados arqueológicos atuais, como continuar acreditando que todo esse universo foi feito em um período literal de sete dias (tardes e manhãs - Gênesis, 1: 1-31; 2:1) há aproximadamente seis mil anos?

Sem entender por que tantos absurdos poderiam proceder do onisciente, pedia em minhas orações que Deus me mostrasse a verdade, mas me vi cada vez mais desiludido pela análise rigorosa dos pilares da fé.

O Espiritismo refere-se ao Deus da Bíblia e ao verdadeiro Deus, como entidades diferentes.

Ante isso, pondero comigo mesmo:

Se o Deus da Bíblia não me mostrou a verdade, o que há para me persuadir a crer no Deus do Espiritismo?

E Alá, o terrível Deus dos muçulmanos?

Se Jeová ordenava a matança dos gentios pelos israelitas; Alá determina a guerra santa dos muçulmanos contra os ímpios (o resto da humanidade); a cruz de Cristo justificou as hediondas cruzadas contra os hereges (os que se opunham aos dogmas católicos); as religiões continuam sendo a maior causa de guerras no planeta; qual desses deuses seria o verdadeiro?

Estudando as profecias, percebi que essas previsões não se cumpriam, mas os religiosos adaptavam fatos a elas; que, se as primeiras profecias se tivessem cumprido, não estaríamos hoje em um mundo como este.

Sabendo que
a - os profetas não previram o futuro como antes eu imaginava;
b - as informações dos ditos homens inspirados mostravam completa ignorância em relação às coisas que dependiam de conhecimento científico, não podendo ser palavras de pessoas inspiradas por um ser onisciente;
c – esse conjunto chamado de palavra de Deus está cheio de contradições;
d – a ciência não nos deixa dúvida de que o universo não foi criado há seis mil anos, mas há bilhões de anos;
e – a arqueologia prova que os seres vivos não foram feitos como são hoje, mas passaram por uma longa cadeia evolutiva;

Para mim não foi difícil descobrir que divindades foram produto da falta de conhecimento humano. Mas imagine se é fácil para quem não tem ou não dedica tempo a verificar a Bíblia. E para quem é analfabeto? E quantas pessoas são capazes de ler a Bíblia com isenção? A maioria só lê aqueles versículos indicados pelos pastores de suas igrejas e jamais vêem as contradições. Outros são preparados para apresentar explicações mirabolantes capazes de convencer os incautos de que as contradições não existem. Muitos outros nem tomam tempo de ler, porque acham que, se tanta gente está acreditando, isso não pode estar errado. Assim, sempre há uma ampla maioria dando vida a algum deus. Essa é a razão por que esse deus ainda sobrevive mesmo nos nossos dias.

Vejam A MAIOR PROVA DE QUE DEUS É UMA CRIAÇÃO DO HOMEM

 

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