EFEITO PLACEBO E EFEITO NOCEBO - 13/10/2001

 

No livro “A FONTE DA JUVENTUDE”, tenho um capítulo denominado “A fé ou pensamento positivo”, no qual abordo o poder do pensamento positivo. Mas o negativo também tem poder destrutivo. A grande corroboração do que digo nesse capítulo está em um artigo da Revista SUPERINTERESSANTE de agosto de 2001, que fala do efeito placebo e do efeito nocebo. A cura está em grande parte na força do pensamento da pessoa. Isso também nos auxilia no prolongamento da nossa juventude.

“Placebo é um termo emprestado do latim. Significa ‘agradar’. Serve para designar a substância inócua usada em experimentos clínicos que testam a eficácia terapêutica de uma nova droga. Nesses experimentos, os pacientes são divididos em dois grupos: o primeiro recebe o novo medicamento e o segundo, que servirá de controle, o placebo.... ‘O índice de melhora do grupo que recebe placebo chega a 40% dos casos, em média’, afirma o psiquiatra Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo. isso mostra que até quatro em cada dez pacientes sente alívio de algum sintoma físico somente por tomar um remédio de mentira acreditando que é verdadeiro. Eis o efeito placebo. A vontade de se curar, a crença no médico ou no poder terapêutico da substância trazem benefícios para o doente, desde potencializar a ação de um medicamento até reverter um quadro de dor, por exemplo. ‘O efeito placebo é real. Trata-se de ciência e não de esoterismo ou magia, como muita gente pensa’, diz o farmacêutico José Carlos Nassute, professor da Universidade Estadual Paulista. Em Araraquara.”

O efeito placebo explica como o religioso pode realmente obter milagre. É claro que se ouvem muitos relatos de fatos miraculosos que são inventados para iludir o povo; mas alguns milagres acontecem, independentemente do objeto da fé, dependendo apenas da intensidade dela. Pode-se crer que algumas pessoas tenha mesmo obtido cura pelo contato com um charlatão que se aproveite da fé do povo.

“Mas, tanto nos experimentos quanto no consultório [informa o artigo da revista], os médicos encontram também casos de efeito nocebo – o fenômeno inverso ao placebo. ‘O paciente pode, ao tomar uma substância inócua, sentir os mesmos efeitos colaterais que um remédio causaria’, diz Robert Hahn, especialista em antropologia médica do Centro de Controle de Doenças do governo dos Estados Unidos.”

“Para a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Pualo, o efeito placebo soa como um fenômeno inexplicável porque o ser humano se acostumou a enxergar a capacidade de cura como algo externo a si mesmo. ’Projetamos o efeito curador no médico, no remédio, na cirurgia, num objeto mágico, numa imagem sagrada – ou no placebo.’

Denise cita a história do paciente Wright, um americano com câncer em estado avançado, que ficou famoso na medicina pela evidência do poder dos efeitos placebo e nocebo. Doente terminal, Wright apresentava tumores grandes e respirava com a ajuda de tubos de oxigênio. Ele descobriu que o hospital em que estava internado iria realizar testes com uma nova droga, o krebiozen, e pediu para ser incluído no grupo a ser estudado. Apesar de desenganado, estava tão entusiasmado que os médicos não tiveram alternativa senão aceitá-lo nos testes. Dias depois das primeiras aplicações de krebiozen, Wright deixou o hospital recuperado. Mas isso só durou até os jornais divulgarem pesquisas que questionavam o efeito terapêutico da droga. Wright ficou deprimido. Seus tumores voltaram, ele teve uma recaída fulminante e foi internado novamente, em estado grave. O médico, percebendo o efeito placebo, disse que tinha disponível krebiozen refinado, muito mais eficaz que a versão anterior. Wright recuperou a confiança na cura e, depois das injeções de placebo, recebeu nova alta. Quando o relatório final da Associação Médica Americana foi divulgado, dizendo que a droga de fato não funcionava, Wright retornou ao hospital e, dias depois, morreu.” 

Shepard Siegel, psicólogo da Universidade McMaster, no Canadá, “cita um caso clássico de pessoas com alergia ao pólen – mesmo quando expostas a flores de plástico desenvolviam uma grave reação alérgica. ‘A associação entre a imagem da flor e a lembrança do malefício do pólen trazia a mesma reação à visão daquelas flores artificiais’.” De tudo isso se depreende que é justificável enganar o doente com expectativa otimista, o que é ótimo remédio. (Superinteressante, agosto de 2001)

Saber sobre o efeito placebo pode ser placebo ou mesmo nocebo. Um indivíduo muito pessimista pode eliminar todo o efeito, como aconteceu com o paciente Wright. Fosse ele um otimista, ou tivesse sido convencido de que o poder da cura estava dentro dele, certamente não teria morrido como morreu. Ele até tinha uma grande fé; mas dependia de algo em que depositar essa fé, que não poderia ser ele próprio. Como um religioso que confia em um deus, um santo, um orixá, etc., ele confiou no medicamento e estava se curando; mas ao ser convencido de que o medicamento não curava, sucumbiu. Exemplos como esse devem ser aproveitados para a compreensão da força que temos dentro de nós aumentar a nossa autoconfiança. Esse é um dos dez principais fatores do conjunto que apresento em A FONTE DA JUVENTUDE.

 

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