OS EFEITOS DA BÍBLIA SOBRE O MUNDO

/2010


"E se... a Bíblia não tivesse sido escrita?
por Mariana Iwakura

A Bíblia está na base da cultura ocidental. É tão importante que, no século 15, foi escolhida para estrear a prensa de tipos móveis, desenvolvida por Gutenberg, e se tornou o primeiro livro impresso na história. E esse é só um detalhe de sua influência no mundo.

 

Sem a Bíblia, as três principais religiões monoteístas de hoje – cristianismo, judaísmo e islamismo – não existiriam.  O culto a um deus único se espalhou com a confecção dos livros que deram origem à Torá e ao Antigo Testamento, ainda no século 7 a.C. No entanto, foi com o Novo Testamento que essa idéia triunfou. “O cristianismo minou completamente a crença em diversos deuses”, diz o historiador André Chevitarese, da UFRJ. “Sem ele, o mundo continuaria a dar grande importância à religião, mas seria politeísta.”

 

Chevitarese acredita que, sem o cristianismo, as tradições das colônias americanas também estariam melhor preservadas. “No politeísmo, há mais tolerância entre diferenças religiosas”, afirma. Para ele, os europeus teriam explorado o continente economicamente, mas respeitando a cultura e a religião indígenas, da mesma maneira que, no século 2 a.C, o império romano assimilou os deuses gregos (Zeus virou Júpiter, por exemplo).

 

Outra possível diferença seria o avanço do conhecimento científico. “O cristianismo passou a ver as descobertas da ciência como um desafio a Deus e inibiu muitas delas”, diz Chevitarese. O astrônomo Galileu Galilei, por exemplo, foi obrigado a se retratar perante a Igreja Católica, no século 17, por ter dito que a Terra girava em torno do Sol. “Teríamos uma astronomia muito mais avançada hoje, se a Igreja não tivesse condenado os estudos do universo desde o século 4”, diz o historiador. Sem esse empecilho, é possível que os planos dos cientistas de hoje para colonizar a Lua já tivessem sido implementados e que celebrações no solo do satélite fossem comuns.

 

Festa da Lua

Os avanços tecnológicos nos permitiriam celebrar datas religiosas até no espaço

 

Orientalismo

A divisão entre Ocidente e Oriente, criada pela visão européia e cristã do “nós” versus “eles”, não existiria. Com isso, é possível que valores e práticas da medicina oriental estivessem mais presentes na nossa vida

 

Deuses Diversos

Num mundo politeísta, as práticas religiosas seriam bem diversificadas. E todas seriam respeitadas. Uma divindade como a Lua, por exemplo, poderia ser adorada por diferentes pessoas, de várias maneiras. E, nas Américas, as imagens não seriam, como são hoje, inspiradas na estética greco-romana. Teríamos uma grande influência da cultura indígena pré-colonização

 

Feliz Natal

A data tida como a do nascimento de Jesus foi uma apropriação que o cristianismo fez de uma festa antiga, dedicada ao deus Mitra, popular na Pérsia e na Roma antiga. Ou seja, mesmo sem a Bíblia faríamos grandes celebrações no dia 25 de dezembro, que não seriam mais importantes que as festas de outros deuses

 

Elite e servos

A Bíblia pregou a noção de que o trabalho engrandece o homem diante de Deus. Sem ela, a relação com o trabalho continuaria como na Antiguidade: à elite, caberia o trabalho intelectual.  Ao resto, o trabalho manual

 

Os clones

A idéia cristã de que o ser humano é resultado da ação divina – e, portanto, a visão de que mexer com a vida é colocar-se contra Deusimpediram diversos avanços da ciência. Sem a Bíblia, é possível que não houvesse sequer oposição a pesquisas com células-tronco, aborto e clonagem

 

Coisa de macho

É possível que sexo entre homens fosse bem aceito entre as elites, como acontecia na Grécia antiga. No entanto, como os cultos politeístas antigos preteriam mulheres, casais femininos seriam censurados.

(Superinteressante, maio/2005)

 

A existência da Bíblia, ao contrário do que pensam muitos, trouxe muito atraso. Não tivesse o Cristianismo dominado o mundo violentamente como fez na Idade Média, o mundo poderia estar melhor.  Poderíamos ter tido avanços científicos mais significativos bem mais cedo.  Mas a oposição à ciência, que foi muito severa séculos atrás e, embora bem mais branda,  ainda existe hoje, entravou muito o desenvolvimento humano.

 

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