NASCER DE NOVO NÃO PODERIA SER REENCARNAÇÃO -- 21/02/2007 -

 

Subjugados por vários povos, os judeus assimilaram diversas crenças, entre elas a ressurreição dos mortos e a reencarnação. Nascido do judaísmo, o cristianismo herdou a esperança de ressurreição. Não obstante em seu meio fosse conhecido o reencarnacionismo, o Cristianismo dominante, o romano, não era adepto da crença na reencarnação. Assim sendo, “nascer de novo”, expressão que aparece nos evangelhos, de modo nenhum poderia ser reencarnação.

Os espíritas não desistem nunca de citar “nascer de novo” como defesa de sua crença em que vivemos várias vidas. Todavia, analisando bem, vemos que, posto que entre os judeus existisse a crença reencarnacionista, isso não tem apoio no cristianismo primitivo prevalente no Novo Testamento.

Não estou dizendo que os evangelhos sejam “a verdade” como afirmam os cristãos. Apenas estou falando das idéias neles contidas que, entre pontos de vista divergentes, se sobrepuseram às outras.

Não pode haver dúvida de que essa crença existia no meio judaico e apareceu em um dos evangelhos:

E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus” (João, 0: 1, 2).

Como alguém poderia pecar antes de nascer? Isso só ocorreria se tivesse outra vida anterior. Quem faz uma pergunta assim acredita que uma pessoa tem mais de uma vida. E a resposta de Jesus segundo esse evangelista, não teria negado a idéia de reencarnação. Assim, até me parece que o autor do evangelho atribuído ao apóstolo João pudesse ser alguém que acreditasse nessa idéia, o que não quer dizer que os autores dos outros evangelhos compartilhasse com ele esse pensamento.

Buscando fonte extrabíblica, somos informados que entre os judeus a idéia era acatada:


"Estes (os fariseus) atribuem tudo ao destino [ou providência] e a Deus, e embora deixe que o agir de forma correta ou o contrário esteja principalmente nas mãos dos homens, apesar de o destino, de fato, cooperar com cada ação. Dizem que todas as almas são incorruptíveis, mas que as almas dos bons homens apenas são movidas para outros corpos, - porém as almas dos maus são sujeitas ao castigo eterno” (Guerra Judaica, livro II, cap. VIII, citado em um artigo espírita).

Embora essa crença na reencarnação existisse no meio judaico e apareça nos evangelho de João, olhando sob o ponto de vista de Paulo, o apóstolo que até pode ser considerado o criador do cristianismo, podemos afirmar que ela não sobreviveu no meio cristão. Paulo foi extremamente claro em negar tal idéia, ao dizer que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (Hebreus, 9: 27).

Do ponto de vista de outro evangelho, a idéia de uma nova vida só poderia vir através da ressurreição. “Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava, e ficou muito perplexo, porque diziam uns: João ressuscitou dos mortos; outros: Elias apareceu; e outros: Um dos antigos profetas se levantou”. (Lucas 9:7,8).

Conforme esse evangelho, não há lugar para reencarnação, mas para ressurreição:

a – “João ressuscitou dos mortos”. Não se pode admitir aqui o alegado pelos espíritas, que o “ressuscitou” seja o mesmo que “reencarnou”. Para alguém acreditar que João teria reencarnado, ter-se-ia que demandar um longo tempo, para o nascimento de uma criança e seu crescimento até a vida adulta, período esse que não poderia ter decorrido entre a morte de João e o trabalho dos discípulos de Jesus.

b – “Elias apareceu”. A crença judaica e cristã, conforme suas escrituras, é que Elias não morreu, mas foi levado para o céu em vida (II Reis, 22: 11). Assim, ele não teria que reencarnar, mas simplesmente retornar ao mundo.

c – “Um dos antigos profetas se levantou”. O que é “levantar”? “A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja levantado dentre os mortos” (Mateus, 17: 9). Como o evangelho de Mateus, tanto quanto os demais, diz que Jesus ressuscitou, isto é, seu corpo morto reviveu, não resta dúvida que as idéias expressas no Evangelho de Lucas são, não de reencarnação, mas de ressurreição.

Vejamos agora o que seria “nascer de novo”:

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo” (João, 3: 3-5).

Jesus teria dito que o novo nascimento seria “nascer da água e do Espírito” . Alguns adeptos da ressurreição dizem que “nascer da água” é passar pelo batismo e do espírito é uma mudança de caráter. E, a tomar por base os ensinamento do apóstolo Paulo, o significado só poderia ser esse: “quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e VOS RENOVEIS NO ESPÍRITO DO VOSSO ENTENDIMENTO, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Efésios, 4: 22 a 24).

Conquanto nos textos do chamado Novo Testamento haja várias crenças conflitantes, não há lugar para se interpretar que “nascer de novo” no cristianismo signifique a chamada reencarnação, mas sim uma transformação de caráter, como se vê bem claro na carta de Paulo aos efésios: “que vos revistais de um novo homem”, não que vós morrais e nasçais novamente; porque “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (Hebreus, 9: 27). É isso que prevaleceu no cristianismo primitivo, não essa crença de que as pessoas passam por várias vidas.

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