A NOVA JERUSALÉM

 

Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão"  "E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo."  Essa é a fantasia judaica que os cristãos herdaram: a cidade santa e o reino eterno.

 

A previsão de uma nova Jerusalém e um reino eterno parece que foi feita no início do cativeiro babilônico, quando os judeus ainda não conheciam a crença na ressurreição dos mortos.  Assim está no profeta Isaías:


Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão: Mas alegrai-vos e regozijai-vos perpetuamente no que eu crio; porque crio para Jerusalém motivo de exultação e para o seu povo motivo de gozo. E exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não tenha cumprido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; mas o pecador de cem anos será amaldiçoado. E eles edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o fruto delas. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo das obras das suas mãos: Não trabalharão debalde, nem terão filhos para calamidade; porque serão a descendência dos benditos do Senhor, e os seus descendentes estarão com eles. E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro juntos se apascentarão, o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor” (Isaías, 65: 17 a 25).

 

Naqueles dias, quando, frustrada a promessa de um reino eterno com a queda da Assíria, os judeus estavam submetidos ao novo império: Babilônia.  Então apareceu a profecia de Isaías acima citada.   Babilônia cairia, e o reino do mundo seria entregue ao povo escolhido de Yavé.  Seria chamado de novos céus e nova terra; pois nunca mais o povo de Yavé seria oprimido; as pessoas teriam uma longa vida (quem morresse com cem anos estaria morrendo jovem); até o lobo e o leão deixariam de ser carnívoros, e nenhum mal. Mas, observem, nada de imortalidade, nada de ressurreição.  Isso, porque até aqueles dias, as crenças dos judeus ainda eram outras, eles nada sabiam sobre ressurreição dos mortos.

 

No cativeiro babilônico, os judeus conheceram novas crenças, entre elas a ressurreição, que deu muita força para eles.  Nada melhor do que um dia depois da morte voltar  viver!  Além disso, aprenderam que, quando chegasse o dia da ressurreição, não haveria mais sofrimento.  Isso é maravilhoso! É fantástico! 

 

Caiu Babilônia.  Só faltava a nova Jerusalém e o domínio judaico do mundo.  Os medo-persas permitiram os judeus exilados retornarem para a sua terra.  Tudo parecia estar dando certinho conforme dizia a profecia.  Só faltava agora eles assumirem o poder.

 

MAS...

 

Apareceu Alexandre, o Grande.  Alexandre dominou os medos e persas e tomou conta de todo o mundo conhecido pelos judeus.  Daí para a frente a sorte deles começou a piorar novamente.  Nada de estabilidade em Jerusalém.  Como a morte de Alexandre e a divisão do império grego entre os quatro gerais, Cassandro, Lisímaco, ptolomeu e Seleuco, agravou-se ainda mais.

 

Como os seleucos dominaram a área onde estavam os judeus, um dia veio o rei Antíoco IV e fez o pior: executou, entre outros, "o ungido" sumo-sacerdote judeu, chamado Onias, e colocou seus sacerdotes para sacrificar animais que os judeus consideravam imundos, como porco, por exemplo no altar sagrado de Yavé.

 

Esse período foi, segundo eles,  "um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo" (Daniel, 12:1).

 

Nesse tempo, Judas Macabeu preparou seu exército e conseguiu retomar o poder em Judá.  Então, surgiu a profecia que, detalhando todos aqueles acontecimentos (capítulos 8 a 12) dizia que, após aquela grande tribulação, os domínios do mundo seriam entregues aos "santos do altíssimo", ou seja, o povo judeu.

 

A previsão era:  "E desde o tempo em que o holocausto contínuo for tirado, e estabelecida a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias.  Bem-aventurado é o que espera e chega aos mil trezentos e trinta e cinco dias "(Daniel, 12: 11, 12).  Antíoco tinha abolido o holocausto contínuo dos judeus, e, cerca de três anos e meio depois, Judas havia restabelecido o santuário, voltando o sacrifício a ser oferecido novamente todas as tardes e manhãs.   Novamente, só faltava os judeus dominarem o mundo.

 

Como das outras vezes, os judeus não foram muito adiante.   Vieram os romanos e dominaram tudo.  Novamente,  só restou aos judeus surgir aquele rei salvador, que deveria ter surgido nos dias da Assíria.    É por isso que vários judeus tentaram tomar o poder e foram executados pelos romanos.

 

Devido à completa falta de referência a Jesus e ao cristianismo no primeiro século da nossa era, deduzimos que foi lá pelo final desse referido primeiro século que surgiu o novo movimento religioso, que pregava que seu líder executado pelos romanos era o salvador previsto pelos profetas (Ver ORIGEM DO CRISTIANISMO)

 

Entre os diversos escritos cristãos, no apocalipse foram repetidas várias profecias do passado, principalmente as de Daniel, com acréscimo de muitas coisas.   Entre essas profecias, repetiu-se a de Isaías que deveria ter cumprimento após a queda de Babilônia: a nova Jerusalém.  É por esse motivo, que Roma foi chamada de Babilônia no Apocalipse.

 

Todavia, a nova Jerusalém do Apocalipse já seria uma nos moldes da nova crença judaica, nela já não existiria pecado, não existiria morte, e os seus habitantes já seriam na maioria pessoas ressuscitadas, tudo sobrenatural.

 

"E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.   E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo.  E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.  E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.  Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida. Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.  Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte." (Apocalipse, 21: 1-8). 

 

E a lista dos excluídos vai mais longe quando se consulta Paulo:

"nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas" (I Coríntios, 6: 9).  Se você pula a cerca, você estará fora.  Se você for homossexual, também; e ainda que não tenha relações extraconjugais, nem seja homossexual, basta praticar sexo anal para ser barrado na porta da cidade santa e ser lançado naquele lago de fogo que arde eternamente. Horrível, não é?!!!
 

Assim seria a nova Jerusalém dos cristãos, não uma Jerusalém normal, com uma vida de trabalho, envelhecimento e morte (Isaías, 65: 17 a 25), mas uma cidade sobrenatural, onde as pessoas não envelhecem, nem morrem, nem sente dor, tudo uma maravilha, como os crentes pediram a deus.  Não sei o que pensam esse padres e pastores pedófilos.  Eles se enquadram na lista dos "devassos" (I Coríntios, 6: 9), que também estão excluídos do reino dos céus.

 

Ver mais RELIGIÃO.
 

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