O QUE PENSEI E O QUE PENSO SOBRE JESUS

 

Da crença na realidade da ressurreição de Jesus, percorri o caminho até concluir que ele não existiu, nem eram judeus os que o inventaram.

 

Inicialmente, com base no desconhecimento que recebi na infância, eu simplesmente cria que Jesus foi um deus que nasceu de uma mulher, viveu até os trinta e três anos, foi crucificado como sacrifício pelos pecados humanos, ressuscitou no terceiro dia, e breve retornará para buscar os cristãos.

 

Todavia, aos vinte anos de idade, quando decidi ser um religioso exemplar e conhecer bem "a verdade", comecei a perceber que a história de Jesus apresenta, da concepção à ressurreição, uma contradição após outra, não existindo uma unanimidade entre os evangelhos em quase nada a seu respeito.

 

Lendo que os saduceus "dizem que não há ressurreição" (Marcos, 12:18),  e o frágil argumento utilizado por Jesus (v. 26, 27), comecei a analisar e percebi que a ressurreição não existe na história patriarcal, não faz parte das promessas de Yavé na lei dita dada a Moisés.  Embora não tivesse oportunidade de ler nenhuma obra que tratasse do assunto, comecei a ver a razão de os saduceus não aceitarem essa crença.   Só muitos anos depois, é que tomei conhecimento de que os judeus assimilaram a crença na ressurreição ao viverem no cativeiro babilônico.

 

Concluindo que a ressurreição não passa de uma crença herdada dos babilônios, e analisando as previsões de um salvador de Israel e domínio do mundo pelos judeus, cheguei à conclusão de que Jesus não poderia ser o predito salvador, o que deveria ter sido um rei nascido em Belém, mas não um alguém que seria morto e ressuscitado, e sim um rei poderoso que haveria de destronar a Assíria e repatriar os israelitas que estavam no exílio (Miquéias, 5: 2-15).  E, como isso não aconteceu no devido tempo, não poderia mais existir esse salvador. 

 

Sabendo que Jesus não poderia ser o salvador predito por Miqueias e consequentemente não poderia ter ressuscitado, já que, como dizem os saduceus, a ressurreição não existe, imaginei como deveria ter sido a história de Jesus: um herói que teria tentado libertar os judeus do poder romano, mas não teria conseguido reunir um exército para isso, e teria sido executado, mas teria dito aos seus seguidores que iria ressuscitar e retornar com poder divino para os libertar.  Imaginei que essa ideia de ressurreição tivesse ido se modificando com o tempo, até um dia terem os cristãos começado a dizer que essa ressurreição já ocorrera e que ele voltaria brevemente; pois em um evangelho está escrito: "Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino." (Mateus 16:28), e ao falar dos últimos acontecimento do mundo gentio que precederia sua volta, ele teria dito: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram (Mateus, 24: 34).

 

Com a popularização da internet, tendo acesso a muitas obras que antes não conhecia, descobri que nenhum dos vários grandes escritores que viveram nos dias em que Jesus teria vivido jamais disse sequer uma palavra sobre Jesus, e nem tomou conhecimento de um grupo que dissesse que seu líder executado tivesse ressuscitado.  A conclusão a partir desse fato já não poderia ser mais a mesma de antes. Jesus não poderia ter existido.  O máximo que poderia ter acontecido é ter-se formado um mito com base em um dos que foram executados por revolta contra o poder romano, e o seu nome ter sido substituído por "Yeshua", "Jesus", que significa salvador.  Ademais, um grande terremoto em Jerusalém não foi mencionado por nenhum historiador da época, e uma escuridão de três horas sobre toda a Terra, se tivesse acontecido, teria sido observada em mais da metade do mundo, devendo haver muitos registros dela, o que não existe.

 

Mais recentemente, um estudioso americano apresentou uma hipótese que nos parece bastante plausível: "As facções de judeus na Palestina da época, que aguardavam por um messias guerreiro profetizado, eram uma constante fonte de insurreição violenta durante o primeiro século", diz o historiador."Quando os romanos exauriram os meios convencionais de anular rebeliões, eles mudaram para a guerra psicológica. Eles pensaram que o meio de parar a atividade missionária fervorosa era de criar um sistema de crença adversário. Foi quando a história do messias 'pacífico' foi inventada", diz Joseph Atwill".

 

"Atwill diz ter encontrado um relato de Flávio Josefo (historiador romano) sobre a guerra entre romanos e judeus. O americano argumenta que o texto contêm diversos paralelos entre o texto e o Novo Testamento.

A sequência de eventos e localidades visitadas por Jesus Cristo segundo o texto bíblico é aproximadamente a mesma da campanha militar de Tito Flávio, imperador romano durante a guerra, afirma Atwill."
<https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/pesquisador-historia-de-jesus-e-farsa-criada-por-romanos,c2b6abbf319a1410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html>

 

A dedução de Joseph Atwill faz todo sentido.  Se nenhum historiador dos dias de Jesus fez referência a alguém que fizesse cegos enxergarem, deficientes físicos andares e até mortos ressuscitarem, nem tomaram conhecimento de qualquer grupo que tenha dito que seu líder executado tenha ressuscitado, podemos ter certeza de que não existiu essa pessoa.  Os atos de Jesus são cópias de atos de deuses babilônicos, egípcios e greco-romanos, e as referências às escrituras sagradas judaicas para referendar Jesus são todas desviadas do contexto, não existindo sequer uma que realmente previsse um salvador com aquelas características.  O fato de seu itinerário ser o mesmo de Tito Flávio, como também observou  Joseph Atwill, indica que os criadores do mito tomaram esse caminho como base para facilitar a elaboração da ficção.

 

Levando em consideração a completa ausência de referência de quaisquer dos escritores que poderiam ter conhecido Jesus ou ouvido falar dele; o fato de as citações de profetas judeus pelos evangelhos serem todas desviadas de seus contextos; as numerosas contradições existentes nessa estória e a constatação de estudiosos que o itinerário de Jesus tenha sido o mesmo de um determinado general romano, acho hoje mais conclusivo que Jesus tenha mesmo sido um mito criado pelos romanos lá pelo segundo século desta era.

 

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