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O PÓS-MORTE NA BÍBLIA

 

A Bíblia contém quatro crenças sobre o que ocorre depois da morte.  Isso decorre das sucessivas submissões dos judeus a povos diversos.

 

a- O homem é uma alma que, ao morrer, se extingue completamente, voltando a ser pó.

b- O homem tem uma alma imaterial, que continua a existir após a morte do corpo.

c- O homem morre e nasce novamente em outro corpo.

a- O homem morrer, vira pó, depois ressuscitará um dia.

 

 

a- O HOMEM É UMA ALMA, QUE, AO MORRER, EXTINGUE-SE COMPLETAMENTE

 

Assim pensavam os judeus quando começaram a escrever suas escrituras sagradas:

 

O Autor do primeiro capítulo de Gênesis disse:

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente."(Gênesis 2:7)

 

Jó teria dito também:

“Oxalá me encobrisses na sepultura e me ocultasse até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasse de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó, l3: 13 e 14).

“...o homem se deita, e não se levanta: enquanto existirem os céus não acordará, nem será despertado do seu sono” (Jó, 13: 12).
Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais” (Jó, 7: 9, 10)

 

O autor de Eclesiastam também cria assim:

“Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”(Eclesiastes, 9:5, 6).

 

 

b- O HOMEM POSSUI UMA ALMA QUE SOBREVIVE À MORTE DO CORPO

 

A certa altura, o homem deixou de ser simplesmente uma alma vivente, passando a ser um corpo físico, com uma alma imaterial, que sobrevive à morte do corpo.

 

Uma necromante teria feito Samuel, profeta morto, subir da tumba e falar com Saul (I Samuel, 28: 8-20).

A idéia aparece também entre cristãos: Moisés teria aparecido a Jesus e seus apóstolos (Mateus 17:3)

Pedro também afirmou que Jesus, "em espírito", "pregou aos espíritos em prisão" (I Pedro 3:19)

 

c- A crença indiana da reencarnação aparece também uma vez entre os cristãos:

"Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" (João 9:2).  Para ter pecado para nascer cego, o homem teria que ter passado por outra vida. 

Essa idéia, no entanto, foi combatida expressamente pelo mestre  da corrente dominante do Cristianismo.  Paulo disse:  "E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo" (Hebreus 9:27).

 

 

d- O HOMEM MORRE, SE DESFAZ, DEPOIS RESSUSCITA, VOLTANDO A RECOMPOR O CORPO

 

A primeira promessa de ressurreição e vida eterna aparece em Daniel:

"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." "Tu, porém, vai-te, até que chegue o fim; pois descansarás, e estarás no teu quinhão ao fim dos dias." (Daniel, 12: 2 e 13)

 

E foi essa a crença que prevaleceu no ramo cristão dominante:

"Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados,  num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados." (I Coríntios, 15: 51, 52).

 

EVOLUÇÃO DA CRENÇA PÓS MORTE

 

Quando começaram a escrever a Bíblia, os hebreus acreditavam que a morte era o fim da vida.  Todavia, em contato com outros povos, assimilaram a idéia de que o ser humano tem uma alma ou espírito, que continua existindo mesmo depois que o corpo se desfaz.   E, no cativeiro babilônico, encontraram a crença na ressurreição dos mortos.  E, em algum contato, alguns receberam a crença indiana de que o homem passa por várias vidas.

Como a ressurreição traz uma ameaça aos maus e uma promessa maravilhosa ao bons, essa idéia prevaleceu na formação do Cristianismo.

As quatro idéias discrepantes são o resultado da convivência sob domínio de povos de crenças diversas, resultando da prevalência da crença na ressurreição.

 

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