PROMESSAS, FRACASSOS, MAIS PROMESSAS... E MUITA PERSISTÊNCIA -- 15/07/2001

 

Miqueias prometeu que Josias destronaria a Assíria  e  repatriaria  os  israelitas  (Miquéias, 5: 2-15).  Josias morreu na batalha e eles continuaram dominados por gentios, mas não perderam a fé.
Isaías prometeu que cairia Babilônia, e a nova Jerusalém teria paz perpétua, os  judeus  dominariam sobre todas as nações (Isaías, 65: 17-25).  Após a queda de Babilônia eles ficaram sob o domínio medo-persa, mas nem desconfiaram das promessas de Yavé, mesmo após passar do domínio dos persas para o dos gregos e, depois, o dos sírios. 
Daniel prometeu que, após a morte de Antíoco Epífane, os reinos do mundo seriam entregues aos judeus.  Eles caíram sob domínio romano.    Mantiveram-se  fiéis  a  Yavé  e  tentaram  se livrar dos romanos, sendo dispersos pelo mundo. Não só a monarquia judaica, que seria eterna como o Sol, mas até a terra da promessa eles perderam.  Mas não perderam a fé.
Os cristãos interpretaram que as palavras de Daniel se referiam à destruição de  Jerusalém  no ano 70, e ficou a promessa de Jesus que,  após  aquela

 

A palavra divina judaica disse que eles dominariam o mundo quando a Assíria tentasse invadir suas terra. Falhou a promessa, nova profecia disse que seria estabelecido o reino eterno com a queda de Babilônia. Falhou de novo, outro profeta prometeu o reino com a queda de Antíoco IV.  Falhou novamente, eles ficaram esperando suplantar o império romano e dominar a Terra. Perderam mais uma vez, estão esperando até hoje. E os cristãos pegaram as mesmas profecias ultrapassadas, adaptaram a si próprios e estão esperando a qualquer momento o fim do mundo de pecado.

Nos dias de Josias, rei de Judá, apareceu na reforma do templo um livro que falava da criação de todo o universo por Yavé, o deus dos judeus, e a origem desse povo, sua servidão no Egito e seu livramento por um profeta miraculoso chamado Moisés, seguida de uma série alternada de tempos de prosperidade e períodos de infortúnio, que foram atribuídos ao comportamento fiel e infiel dos hebreus a Yavé. O livro foi dado como escrito nos dias de Moisés e tornou o povo mais confiante no seu deus. Estava inaugurado o livro que se tornou o mais vendido do mundo até os nossos dias, a Bíblia.

Avançadas análises arqueológicas atuais, conjugadas com averiguação de remanescentes de bibliotecas dos povos que viveram nos períodos dados como a época dos patriarcas hebreus, trouxeram descobertas bastante chocantes: tanto a falta de vestígios arqueológicos quanto as correspondências e registros históricos dos povos da época nos dão conta de que algumas cidades relacionadas aos patriarcas não existiam no tempo em que eles teriam vivido; não há indícios arqueológicos de uma peregrinação de um povo por quarenta anos no deserto, assim como as correspondências do Egito com os povos da região chamada Canaã mostram uma realidade histórico-geográfica bem diferente do que está registrado nos livros atribuídos a Moisés e outros subseqüentes; a arqueologia revela que Jericó não tinha muro para cair ao som das trombetas do exército israelita (Josué, 6). Tudo isso indica que o livro foi escrito nos dias de Josias com o fim de fortalecer o ânimo dos judeus na tentativa de unificar judeus e israelitas num reino poderoso.

No livro dos Reis, havia a animadora promessa de Yavé, transmitida pelo profeta "Natã" a Davi:


"Quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, levantarei a tua descendência depois de ti, um dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. Esse me edificará casa, e eu firmarei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha misericórdia não retirarei dele, como a retirei daquele que foi antes de ti; mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e para sempre o seu trono será firme. Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi". (I Crônicas, 17: 3, 11-15).

Essa promessa de Yavé está confirmada, segundo o salmista:


"Achei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi. A minha mão será sempre com ele, e o meu braço o fortalecerá. O inimigo não o surpreenderá, nem o filho da perversidade o afligirá. Eu esmagarei diante dele os seus adversários, e aos que o odeiam abaterei. A minha fidelidade, porém, e a minha benignidade estarão com ele, e em meu nome será exaltado o seu poder. Porei a sua mão sobre o mar, e a sua destra sobre os rios. Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Também lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei o mais excelso dos reis da terra. Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele ficará firme. Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias dos céus. Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças, se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, então visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniqüidade. Mas não lhe retirarei totalmente a minha benignidade, nem faltarei com a minha fidelidade. Não violarei o meu pacto, nem alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez para sempre jurei por minha santidade; não mentirei a Davi. A sua descendência subsistirá para sempre, e o seu trono será como o sol diante de mim; será estabelecido para sempre como a lua, e ficará firme enquanto o céu durar. (Salmos, 89: 20-37).

Quando Israel, o reino do Norte, caiu sob o jugo da Assíria (II Reis, 17: 1-6), e Judá estava ameaçado do mesmo destino, o profeta Miquéias renovou a promessa:

“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).

Essas palavras fortaleceram sobremodo o ânimo do povo, que confiava em Yavé. Tudo indicava que Josias seria esse salvador.

Todavia, os fatos frustraram irreparavelmente essa promessa, quando Josias foi morto em batalha pelo faraó Neco, e quem ditou as coisas em Judá desde então foi o Egito (II Reis, 23: 29, 30, 33-36; 24: 7-14).

As palavras do profeta prometiam que nos dias em que a Assíria entrasse na terra de Judá, o ungido de Belém derrotaria a Assíria e traria de volta o restante de Israel para viver para sempre em paz com Judá.

A realidade: Talvez a profecia tenha sido criada nos dias em que o rei da Assíria destruiu várias cidades de Judá e impôs aos judeus pesado tributo. Entretanto, em vez de um belemita libertar Judá, repatriar Israel e formar aquele reino inabalável, nem houve quem salvasse Israel, e Judá caiu sob o jugo egípcio. A profecia não se cumpriu, mas o povo ainda continuou pensando que um dia viria esse salvador.

A assíria perdeu seu poder, mas não foi derrotada por um ungido Judá, sim pelo rei de Babilônia. A situação piorou para os dois reinos, que nem mais tiveram reis, caindo a promessa de o trono de Davi permanecer "para sempre", ainda que seu povo descumprisse o pacto de Yavé (Salmos, 89: 20-37).

Nos dias de Babilônia, o profeta Isaías teria pronunciado novamente a palavra de Yavé, anunciando a queda de Babilônia, a construção da nova Jerusalém (Jerusalém havia sido destruída pelo império babilônico), e a paz perpétua do povo:

"E Babilônia, a glória dos reinos, o esplendor e o orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou" (Isaías, 13:19)

"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão: Mas alegrai-vos e regozijai-vos perpetuamente no que eu crio; porque crio para Jerusalém motivo de exultação e para o seu povo motivo de gozo. E exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não tenha cumprido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; mas o pecador de cem anos será amaldiçoado. E eles edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o fruto delas. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo das obras das suas mãos: Não trabalharão debalde, nem terão filhos para calamidade; porque serão a descendência dos benditos do Senhor, e os seus descendentes estarão com eles. E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro juntos se apascentarão, o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor" (Isaías, 65: 17-25).

Novamente, a promessa não se cumpriu, e eles continuaram passando de um jogo para outro: após Babilônia, veio Medo-Pérsia, depois Grécia, depois a Síria, depois Roma. A afirmação nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor caiu no vazio; Jerusalém foi novamente destruída.

Nos dias em que o império grego estava dividido, quando Antíoco Epífanes profanou o templo de Jerusalém e estabeleceu sobre ele sacrifícios aos seus deuses, Judas Macabeu conseguiu restabelecer o santuário. Parece que nesses dias é que apareceu a profecia de Daniel falando da abominação assoladora: os capítulos 8 a 12 de Daniel (o livro de Daniel não é uma seqüência, mas os capítulos 7 e 8 foram até escritos em línguas diferentes, o primeiro, que parece ter vindo por último, em aramaico e o segundo em hebraico, conforme informam alguns estudiosos).

Se dessa vez o povo acreditou que iria ser estabelecido aquele reino inabalável para sempre, isso também não ocorreu.

O capítulo 7, que parece ter sido escrito depois do 8, já apresenta uma história muito parecida, mas o período de "um tempo, dois tempos e metade de um tempo" de assolamento e "destruição do poder do povo santo" já parecia não ser mais de um rei oriundo dos gregos, e sim do império seguinte, representado pelo "quarto animal", na visão de quatro animais que representavam os últimos reinos do mundo antes do estabelecimento do eterno reino de Israel. Em ambos os capítulos, era prevista a vitória final do povo de Yavé, para não ser molestado nunca mais.

Afirmam alguns comentaristas de Daniel que o povo judeu reconhecia a vitória de Judas Macabeu como o cumprimento da profecia sobre o fim da desolação. Mas, como o capítulo 7 apresenta a desolação procedente do quarta animal, que seria um reino posterior ao da Grécia, os evangelistas Mateus e Lucas apresentaram, após a destruição de Jerusalém do ano 70 AD, palavras atribuídas a Jesus, afirmando que a "abominação da desolação de que falou o profeta Daniel" se referia àquele período que eles já estavam vivendo nos dias em que foram escritos os evangelhos:

"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo (que lê entenda)" (Mateus, 24: 15). "Quando, pois virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação" (Lucas, 21: 20). "Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais" (Mateus, 24: 21 [Referência a Daniel, 12:01]). "E, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles" (Lucas, 21: 20). "Estes por quarenta e dois meses calcarão aos pés a cidade santa", completou o autor do Apocalipse (Apocalipse, 11: 2).

E a nova promessa de eternidade foi:

"Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." (Mateus, 24: 29 a 31).

Isso foi inspirado nas palavras do livro de Daniel: "Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído" (Daniel, 7: 13, 14).

Ficou determinado na profecia de Daniel: "os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, dois tempos, e metade de um tempo" (Daniel, 7: 25).

Aí ficou um problema sério para os defensores das profecias:

Se esse assolamento de "um tempo, dois tempos e metade de um tempo", três anos e meio se referia à profanação do templo por Antíoco Epífanes, a profecia não se cumpriu fielmente, porque "os santos", o povo judeu, não estabeleceram aquele reino eterno previsto. E as palavras de Jesus em Mateus e Lucas já seriam vazias de sentido.

Se, por outro lado, o quarto animal da profecia se referia mesmo a Roma, há outro problema a resolver: o tempo indicado são mesmo três anos e meio, ou cada dia representa um ano? Segundo os adventistas do sétimo dia, cada dia representa um ano.

Se os mil duzentos e sessenta dias devem ser considerados dias literais, a profecia caiu por terra também; porque os romanos teriam que ter dominado após a destruição de Jerusalém apenas três anos e meio, e os hebreus estabeleceriam o reino eterno previsto. Isso não aconteceu.

Se cada dia representam um ano, fica um pouco melhor, mas ainda não é possível ajustar os fatos à profecia, pela seguinte razão:

Mil duzentos e sessenta anos chegariam ao século 14, pouco depois do ano 1300 da Era Cristã.

Se "logo em seguida à tribulação", teria que ser estabelecido o reino, que, segundo os evangelhos teria Jesus como o rei (Mateus, 24: 29 a 31), isso também não deu certo; porque após o tempo determinado, já se passaram mais seis séculos, o mundo já foi dominado pela Igreja Católica, pela Inglaterra e, por último, pelos Estados Unidos.

Agora mestres religiosos tentam adaptar a besta do Apocalipse aos Estados Unidos. Mas tudo é tentativa de desviar a realidade, uma vez que as promessas divinas falharam sempre.

Não obstante todos esses fracassos da chamada palavra divina, os judeus continuam esperando aquele messias que deveria ter vindo nos dias da Assíria, e os cristãos aguardam um retorno do Jesus que foi crucificado. E a Bíblia continua sendo "A VERDADE" para muita gente. Judeus e cristãos continuam tendo seu deus como uma realidade, apesar de tudo isso.

 

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