RELIGIÃO VIDA E DIREITOS HUMANOS

 

Religião, vida e direitos humanos é uma mistura quase impossível. Pois o que eles imaginam ser preceitos divinos deve ser imposto ao mundo por quem ama a Deus sobre todas as coisas. A vida não tem lá grande importância frente à vontade divina, e a morte está sempre à espreita dos desobedientes. A história nos mostra que religião é mais íntima da morte, e direitos humanos muitas vezes são abomináveis.

Direitos humanos tem seus pilares na liberdade do homem de pensar, expressar e escolher seu meio e modo de vida, desde que não fira os direitos alheios. Não só a vida, mas a integridade do ser são de primordial importância. A liberdade, inclusive de praticar a religião que considerar ideal, é um dos direitos humanos. Pelo seu turno, a religião, excetuando as que estão distante da aquisição de poder político, tem aquilo que contraria seus princípios de fé como algo criminoso perante Deus, que deve ser rechaçado. Aí começa o terror imposto aos não religiosos assim que uma religião adquire o comando do governo. Em qualquer tempo e lugar que um governante se julgue executor da vontade divina, a tortura e a morte faz parte da sua justiça.

Os reinos influentes da Idade Clássica, Egito, Assíria, Babilônia, por exemplo, impunham as vontades de seus deuses, que eram expressa nas vontades de seus reis. Quem não adorasse ao Deus eleito pelo rei estaria pondo a cabeça em risco. Não foi diferente com os hebreus. Jeová era o único Deus. Quem adorasse outros deuses deveria morrer. Mas não era só isso. Morte às prostitutas, morte aos homossexuais, morte aos necromantes, a versão espírita da época, morte e saque contra os povos gentios seus vizinhos era a ordem de Jeová. A vingança das iniqüidades dos pais nos filhos pode não ter sido original do deus de Israel, mas está em seu mandamento nas tábuas do testemunho da lei mosaica.

A Roma pagã, o mais poderoso poder político da Idade Antiga, não foi cruel à altura de sua força; foi bem tolerante com as crenças e práticas religiosas dos povos conquistados. A igreja registrou que eles foram cruéis com os cristãos, cuja oposição deveria ser insuportável. Diz-se que Jesus Cristo pregou paz e resignação, segundo os evangelhos, mas a história nos mostra que os cristãos foram os que mais semearam a morte enquanto pregavam a vida.

A Roma pagã foi tolerante, mas a Roma Cristã deu vida ao terror contra todos que não abraçassem incondicionalmente sua doutrina. Qualquer idéia que lançasse dúvida em relação às chamadas verdades divinas era pecado mortal. Assim um cristianismo sangüinário conquistou o mundo. E a Reforma Protestante não trouxe a paz. Países cujos monarcas se converteram ao Cristianismo dos protestantes chegaram a cometer os mesmos crimes da igreja chamada apóstata. A expressão direitos humanos só veio a existir depois que se começou a desvincular religião de poder político. Hoje se vê como em países cujos cabeças se pautam por preceitos religiosos não há liberdade de pensamento, e o comportamento pessoal é imposto sob rígidas penas. O terrorismo dos nossos dias é vontade divina. Onde há ordem divina, há ameaça à liberdade humana.


Religião, vida e direitos humanos são elementos incapazes de resultar uma mistura homogênea. A primeira dá pouco valor à segunda e muitas vezes abomina os últimos.

 

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