RESSURREIÇÃO, COISA QUE NINGUÉM VÊ, MAS DIZEM TER OCORRIDO
-- 08/01/2009 --

 

Jesus não é o primeiro mito de ressurreição entre os judeus. Até mesmo antes de eles adotarem a crença de que todos os mortos irão ressuscitar, seus escritos já traziam milagres de mortos ressuscitados. E isso existe nas mitologias de outros povos também. Mas um messias redentor ressuscitado já foi objeto das estórias dos judeus ainda bem antes de Jesus, o messias cristão. O curioso que ninguém mais além de um grupinho religioso presencia as ressurreições.

Crêem os budistas que Buda tenha ressuscitado mortos, e alguns deuses de outros povos também foram tidos como capazes de fazer ressurreição.

E os judeus, em uma época em que não tinham nenhuma promessa divina de ressurreição, seus escritos já diziam que o profeta Eliseu trouxera à vida o filho morto de uma viúva (II Reis, 4: 32-36); e ainda menciona o mesmo livro que, após a morte de Eliseu, um cadáver que tocou em seu osso retornou à vida (II Reis, 13: 21). Mas esses milagres não tinham nada a ver com a promessa de ressurreição dos mortos, que os judeus incorporaram em sua religião após viverem na Babilônia.

Mas, quanto à crença na ressurreição dos mortos, os livros escritos anteriormente ao cativeiro de Babilônia não a continham:

O livro de Jó diz: “Oxalá me encobrisses na sepultura e me ocultasse até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasse de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó, l3: 13 e 14). Era assim que seu autor cria: “...o homem se deita, e não se levanta: enquanto existirem os céus não acordará, nem será despertado do seu sono” (Jó, 13: 12).

Eis a resposta ainda mais clara: “Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais” (Jó, 7: 9, 10)

Salomão, se tiver sido mesmo o autor do Eclesiastas, não cria na existência de consciência após a morte; pois o livro atribuído a ele diz: “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”(Eclesiastes, 9:5, 6).

Mas, com as sucessivas submissões a outros povos, o povo de Yavé foi assimilando nova forma de pensar:

Lendo o profeta Isaías, que parece ter parte escrita nos dias do cativeiro babilônico, já notamos algum rudimento da crença na ressurreição dos mortos.

O capítulo 26 de Isaías, no versículo 14, diz: “Os falecidos não tornarão a viver; os mortos não ressuscitarão; por isso os visitaste e destruíste, e fizeste perecer toda a sua memória.” Entretanto, no versículo 19, já lemos: “Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó; porque o teu orvalho é orvalho de luz, e sobre a terra das sombras fá-lo-ás cair.” Parece que o seu autor já acreditava que a ressurreição existiria para eles, o povo escolhido de Yavé.

Mas a chamada verdade mudou bem mais: no livro de Daniel, que foi escrito depois do cativeiro babilônico, já encontramos a ressurreição dos mortos nos moldes de hoje: justos ressuscitando para vida eterna e injustos ressuscitando para morte e desprezo eterno (Daniel, 12: 2).

“Fora algum tremendo golpe de sorte, o máximo que a arqueologia pode fazer é iluminar a vida cotidiana no tempo de Jesus (indicando em que tipo de casa ele vivia ou que modelo de taça ele teria usado para beber vinho com seus discípulos) ou como era a religião judaica naquela época. Esse provavelmente é o caso de um misterioso texto do século 1 a.C., pintado numa pedra e analisado por Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em julho passado, Knohl apresentou sua interpretação do texto (o qual não está inteiramente legível e, por isso, tem de ser reconstruído hipoteticamente): ele mencionaria a morte e ressurreição de um Messias décadas antes do nascimento de Jesus. Ainda que a interpretação esteja correta, é difícil ver como ela mudaria nossa compreensão sobre as origens do cristianismo. Afinal, um dos grandes argumentos dos seguidores de Jesus é justamente que seu retorno dos mortos já tinha sido previsto nas profecias judaicas” (revista Galileu - Edição 206 – Set. de 2008).

Livros e mais livros, lições de igrejas, etc. estão cheios de exemplos que dizem ser previsão da morte e ressurreição de Jesus: Todavia, o que uma análise cuidadosa constata é que não existe nenhum texto no chamado Velho Testamento que anuncia que o salvador dos judeus irá morrer e ressuscitar.

Os persas, que dominaram sobre os judeus após os babilônios, e entre os quais os judeus viveram bom tempo, anunciaram que seu salvador iria ressuscitar os mortos e presidir o juízo final. Os romanos também tinham entre seus mitos Dionísio, como tendo morrido e ressuscitado.

Mas os judeus, pelo menos seus profetas, não diziam isso: diziam, sim que um rei poderoso, nascido em Belém, iria esmagar a Assíria e dominar sobre todas as nações (Miquéias, 5: 2-15).

Posteriormente, outros já diziam que eles iriam estabelecer um reino poderoso após a queda de Babilônia, mas sem qualquer fenômeno sobrenatural:

“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão: Mas alegrai-vos e regozijai-vos perpetuamente no que eu crio; porque crio para Jerusalém motivo de exultação e para o seu povo motivo de gozo. E exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não tenha cumprido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; mas o pecador de cem anos será amaldiçoado. E eles edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o fruto delas. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo das obras das suas mãos: Não trabalharão debalde, nem terão filhos para calamidade; porque serão a descendência dos benditos do Senhor, e os seus descendentes estarão com eles. E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro juntos se apascentarão, o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor” (Isaías, 65: 17-25).

Finalmente, Daniel, o primeiro a anunciar a ressurreição dos mortos nos moldes de hoje, via um filho de Israel julgando vivos e mortos (Daniel, 12: cap. 7: 9-27), sem, entretanto, afirmar que ele passasse pela morte.

O único texto que fala que “será morto o ungido” (Daniel, 9: 26) se refere à morte do sumo sacerdote judeu sob o domínio de Antíoco IV, rei da Síria. Mas diversos cristãos tomam o texto como sendo anúncio da morte de Jesus. Antíoco, veja O FIM: ANTÍOCO EPÍFANES, IMPÉRIO ROMANO, OU OUTRO PODER FUTURO

O que chama a atenção dos estudiosos do assunto é que todas as ressurreições são contadas por grupos religiosos e não chegam ao conhecimento de ninguém mais, senão muito tempo depois através do que escrevem esses religiosos.

Deixando de lado os milagres de Buda e outros deuses antigos, concentremos nos mais recentes, os dos judeus:

1 – uma inscrição foi feita em uma pedra no século I A. C., sendo encontrada muitos séculos depois. Agora fica a pergunta: porque ninguém mais tomou conhecimento desse messias ressuscitado além do que escreveu na pedra? Por que as autoridades religiosas judaicas continuaram esperando o tal messias e não tomaram conhecimento desse? E, porque esse ficou esquecido, só restando a inscrição da pedra? E que fim levou ele, que não fez nada pelos judeus e desapareceu? Por que religiosos judeus não disseram nada sobre ser ele verdadeiro ou falso? Essa pedra é muito suspeita.

2 – Depois desse messias ressuscitado e desaparecido, vem Jesus, o messias cristão. Outro desconhecido.

Os evangelhos dizem: "Assim a sua fama correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos; e ele os curou" (Mateus, 4: 24). "E logo correu a sua fama por toda a região da Galiléia" (Lucas, 1: 28). "A sua fama, porém, se divulgava cada vez mais, e grandes multidões se ajuntavam para ouvi-lo e serem curadas das suas enfermidades" (Lucas, 5: 15).

Todavia, nenhum historiador de seus dias jamais mencionou o seu nome; embora os evangelhos digam que sua fama teria corrido por toda a região, além de historiadores judeus e romanos terem silenciado a respeito, nenhum povo visinho deixou qualquer registro que falasse de algum homem que pregasse reino divino e fizesse milagres.

Ademais, além de sua grande fama que não ficou registrada, seu fim foi acompanhado de fenômenos astronômicos e geológicos capazes de chamar a atenção de quase todo o mundo, mas ninguém mais além dos cristãos tomou conhecimento disso. E não sejamos ingênuos em pensar que naquele tempo isso não era registrado. Pelo menos duas pessoas da época estavam de olho nos fenômenos:

Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) — Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.
Plínio, o velho (23 d.C. – 79 d.C.) — História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos” (Lee Salisbury, Jesus: o incômodo silêncio da História).

Um terremoto capaz de rasgar o véu do templo judaico não passaria despercebido de observadores da época, como Sêneca e Plínio, que registravam fenômenos naturais; mas ninguém deu notícia desse terremoto.

Mas, o mais visível que não foi visto por ninguém além de cristãos foram as “três horas” de escuridão que os evangelhos dizem ter ocorrido por ocasião da morte de Jesus (Mateus, 27: 45; Marcos, 15: 33). Três horas de escuridão teriam que ser conhecidas por mais da metade do mundo, e ninguém viu isso.

E, se ninguém mais viu o mundo escurecer por três horas, já é desnecessário perguntar por que uma porção de pessoas mortas teriam retornado à vida e entrado na cidade de Jerusalém, sem que ninguém além de cristãos também as visse.

Após levar em consideração que o deus onisciente dos judeus nunca lhes prometeu ressurreição antes de eles viverem em Babilônia (onde o povo que acreditava em ressurreição) e que os que escreveram os livros mais antigos negaram essa crença; levando-se em conta que Buda teria ressuscitado mortos, que Dionísio teria sido executado e teria ressuscitado, e que outros deuses de outros povos também estariam ligados ao milagre da ressurreição; analisando-se o fato de nenhum escritor de confiança não cristão ter tomado conhecimento sobre Jesus, e nenhum historiador ou cientista ter registrado terremoto nem escurecimento do sol por ocasião da anunciada morte e ressurreição de Jesus; o que poderia levar uma pessoa criteriosa a acreditar nessas estórias, a não ser a influência e o condicionamento religioso capaz de tirar a capacidade crítica do ser humano? O que tem isso de mais confiável do que as lendas indígenas de Saci Pererê, Iara, Boitatá e outros? Pessoas foram dizendo ou escrevendo que teriam ocorrido fatos bizarros e, tempos depois, outros foram dando tudo como realidade, e, quanto mais o tempo foi distanciando esses contos, mais força de verdade eles foram adquirindo, chegando ao ponto atual: nem o resgate dos registros daqueles dias que ignoram completamente tais coisas é capaz de demover das cabeças de milhares de pessoas que essas lendas sejam uma grande realidade. Por mais que a arqueologia e outras ciências provem a falsidade de tais relatos, sempre haverá um grupo de pessoas dispostas a fazer tudo para desqualificar as informações científicas e históricas. E a ressurreição, coisa que ninguém vê, continua como uma grande verdade.
 

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