AS SETE CABEÇAS DA BESTA DO APOCALIPSE -- 09/04/2006 -

 

 

Vários intérpretes, ao longo dos séculos, têm explicado o que seriam as sete cabeças da besta do Apocalipse, mas todos erram, e os que tentarem explicar daqui para frente continuarão errando, porque cada um, em vez de analisar bem o que está escrito, com base na história daquele tempo, adapta a figura aos princípios da própria religião.

 

DEZ REINOS é uma figura muito falada, que surgiu pela primeira vez no sonho de Nabucodonozor, apareceu no sonho de Daniel e repetiu-se na visão de João. Várias são as interpretações a respeito dos dez reinos, uma colocando-os no passado e outras projetando-os para o futuro, e até alguém chegando a considerá-los existentes em seus dias. Todavia, cada interpretação é digna de crítica e nenhuma se comprovou verdadeira (Veja capítulo Os Dez Reinos da Profecia). No presente capítulo, o tema é AS SETE CABEÇAS, sete reinos (ou sete reis, conforme a interpretação).

A quarta besta de Daniel (cap. 7: 7, 8) tinha dez chifres (v. 20), "fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles" (vers. 21), deveria destruir a cidade e o povo santo (cap. 9: 26; 12: 7) e fazê-lo durante "um tempo, dois tempos e metade de um tempo" (cap. 7: 25; 12: 7). A primeira besta de João tinha dez chifres (Apoc. 13: 1), deveria pelejar contra os santos e vencê-los (vers. 7) e fazê-lo por "quarenta e dois meses" (vers. 5), que equivale aos três tempos (anos) e meio (Daniel, 7: 25); o que nos parece ser o mesmo poder visto pelos dois profetas.


Na visão de João, entretanto, havia alguns pormenores não vistos por Daniel; entre eles SETE CABEÇAS (Apoc. 13: 1).

As sete cabeças igualmente os dez chifres sempre foram alvo de interpretações, cada uma localizando-as em entidades diferentes e em tempos os mais distantes.

Aqui está uma explicação sobre as cabeças, da própria profecia: "As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete" (Apocalipse, 17: 9 a 11).

SETE FORMAS DE GOVERNO

Nos primórdios da Igreja Adventista do Sétimo Dia, segundo Uriah Smit, em seu livro "Daniel e Apocalipse", interpretavam-se as sete cabeças como sendo SETE FORMAS DE GOVERNO pro que passou o império romano, a saber, reis, cônsules, decênviros, ditadores, triúnvros, imperadores e papas.

Nos dias de João, Roma era governada por imperadores. Reis, cônsules, decênviros, ditadores e triúnviros já estavam no passado; após os imperadores, isto é, após o ano 476, dizem que Roma foi governada pro uma exarca de Ravena, por um período de aproximadamente sessenta anos, até que o domínio passou para os papas. Esse exarca foi, segundo a interpretação adventista, aquele que deveria "durar pouco", sendo o papa o oitavo. O exarca, devido à sua pequena duração, não foi contado entre as sete cabeças; assim interpretavam.

Um grande obstáculo, todavia, encontramos quanto à justificativa do pouco tempo para não contar o exarca como cabeça. Como nos dias de Cristo Roma já estivesse governada por imperadores, tendo seu domínio do mundo começado em 168 antes de Cristo, para as cinco cabeças anteriores sobraria, em média, tempo muito menor do que os sessenta anos do exarca.

SETE POTÊNCIAS MUNDIAIS

No correr dos anos, talvez devido a críticas ou mesmo desejo de apresentar coisa nova, surgiu outra interpretação: as sete cabeças seriam SETE POTÊNICAS, a saber, Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma Imperial e Roma Papal. Nessa interpretação, embora com pouco temp a menos do que o período babilônico, parece haver um pouco de razão para justificar ser o EXARCA o governante não considerado como cabeça.

NOVIDADE SOBRE SETE POTÊNCIAS

Posteriormente às duas interpretações adventistas, entre eles surgiu uma terceira interpretação que, pela sua complexidade interpretativa, acho conveniente transcrever.

"Ao tempo em que esta profecia teve sua especial aplicação, cinco das sete cabeças da besta já haviam "caído". Embora possa não ser sábio mostrar-se dogmático sobre a identificação dessas cabeças, é significativo que há sete diferentes e distintos poderes introduzidos nas escrituras pelos símbolos proféticos. Estes estão claramente indicados: Babilônia (o leão, Dan. 7: 14); Medo-Pérsia (o urso, verso 5); Grécia (o leopardo, verso 6); Roma pagã (a besta com dez chifres, verso 7); Roma papal ou eclesiástica (abesta com sete cabeças de Apoc. 13; também a ponta pequena que falava grandes coisas e blasfêmias (Dan. 7: 8; Apoc. 13: 2, 5); republicanismo e democracia (a besta com dois chifres, verso 11); e a última grande confederação do mal (a besta escarlate (Apoc. 17: 3 ...

... Como já salientamos no capítulo 6, João foi levado em visão ao futuro e estava contemplando os acontecimentos do juízo. Ao tempo em que a grande cena se abriu no céu (1844), o papado estava em maré baixa. Poucos anos antes havia ele recebido a ferida mortal. Ao tempo que esta profecia de Apoc. 17 tem sua especial aplicação, cinco desses grandes pdoeres já haviam caído. Eram eles Babilônia, Média-Pérsia, Grécia, Roma pagã e Roma papal, sendo que a ferida mortal foi infligida ao papado em 1798
." (Roy Allan Anderson, O Apocalipse Revelado, páginas 197 e 198).

Sem se discutir sobre o tempo do juízo, que os adventistas consideram como sendo a partir de 1844, consideremos que a República dos Estados Unidos é considerada a sexta cabeça. Crê o autor do livro supramencionado que o papa retomará o poder por "um pouco de tempo" (Idem, pág. 199), e chama de "última confederação do mal" a união da Igreja Católica com as igrejas protestantes para combater os adventistas.

OS SETE PAPAS

Já alguém apresentou a interpretação de que as sete cabeças se referem a sete papas. Aquele não contado como cabeça, o que deveria durar "pouco tempo", seria João Paulo I; conseqüentemente, João Paulo II, segundo eles, deveria assumir o poder papal perdido e ser a besta destruidora dos santos.

Como João não estava escrevendo no Século XX, não há como justificar as palavras: "dos quais caíram cinco, um existe, e outro ainda não chegou (Apocalipse: 17: 10).

SETE IMPERADORES

Uma outra interpretação, jamais apresentada por teólogos, até parece adequada ao sonho de João.
Afirma-se que João escreveu o Apocalipse próximo do ano 100 A. D. Ele estava vivendo no período considerado "tempo dos gentios" (Lucas, 21: 20 a 24), o tempo da "grande tribulação" ou "tempo de angústia", no qual os romanos calcavam "aos pés a cidade santa" (Mateus, 24: 15 a 21; Daniel, 12: 1 e 11; cap. 9: 24 a 27; Apocalipse, 13: 5 a 7 e cap. 11: 2).

Nero, que governou do ano 54 ao 68, deu início à perseguição aos cristãos. Galba sucedeu a Nero, de 68 a 69. Oto Vitélio, foi imperador em 69. Vespasiano governou de 69 a 79. Tito dominou de 79 a 81. Domiciano foi cabeça do império de 81 a 96. Esta linhagem se encontra no Manual Bíblico de Henry H. Halley, pág. 671. Provavelmente, o autor do Apocalipse estivesse escrevendo ainda no final do governo de Domiciano, o sexto imperador a contar de Nero; haviam caído cinco, e um existia. Parece muito óbvio que João estivesse vendo nas cabeças da fera esses imperadores do Chamado tempo dos gentios. Mas esta interpretação também não é tão satisfatória; pois parece um pouco forçado imaginar que passasse pela cabeça do escritor que depois do próximo imperador viesse um que concluísse tudo, sendo que o período profético deveria abranger muitas gerações.

O certo, entretanto, é que João acreditava que com o cerco de Jerusalém começou o período descrito como de destruição dos santos (Daniel, 7: 25); "tempo de angústia tal qual nunca houve... nem haverá jamais" (Daniel 12: 1; Mateus 24: 15 a 21 e Lucas 21: 20 a 24), tendo escrito que os gentios pisariam a cidade santa por "quarenta e dois meses" (Apocalipse, 11: 2); período este que começou com esses imperadores supracitados.  Nada tinha a ver com os nossos dias.  O autor jamais imaginaria que o mundo fosse durar tanto.

(A Arriscada Pretensão de Saber o Futuro, 1999, págs. 79 a 89).
 

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