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ANTIDEPRESSIVOS NATURAIS
 

"Atividade física, vivência em grupo e tratamentos não medicamentosos são fundamentais para tratar muitos casos de depressão
Marina Alves

 

Bom seria se existe uma fórmula mágica para se livrar da depressão. Mas quem já vivenciou a situação sabe como é. Levar a vida não é nada fácil quando a tristeza e o desânimo ditam as regras no dia-a-dia. "Cada depressão tem sua causa. É necessário o acompanhamento de um profissional para construir os módulos particulares para sair do quadro, seja com ou sem medicamento", afirma Fabrício Junio Rocha Ribeiro, psicólogo, psicanalista e professor de Centro Universitário Newton Paiva.

Como hoje as pessoas querem respostas rápidas, muitos acreditam que a medicação é a solução dos problemas. "Está triste, toma remédio para ficar feliz. Não dorme, toma um comprimido para dormir. Mas assim as causas não são tratadas."

A estratégia indicada por Fabrício e outros especialistas é buscar e combinar diferentes medidas (veja algumas sugestões nesta página) e em casos graves usar medicamentos sintéticos.

"Os tratamentos alternativos que buscam vincular o deprimido com a vida, o envolvimento com mais pessoas e em atividades prazerosas são até mais eficazes que os medicamentos. Mas há casos que a medicação entra como dispositivo importante, mas lembrando que é artificial, que somente ela não resolve o problema", alerta Fabrício.



 

Alimentação

Certos alimentos consumidos diariamente contribuem para a prevenção da depressão. Fábia Costa, nutricionista e professora do Centro Universitário Newton Paiva, cita três grupos. Alimentos ricos em triptofano, aminoácido que leva à produção da serotonina, melhorando a qualidade do sono. “Antes de deitar, tome um copo de leite”, aconselha a nutricionista. Além do leite, o aminoácido é encontrado no feijão, lentilha, soja e carnes. Outra indicação é a cafeína, presente no café, chá e chocolate. “Ela melhora o desempenho cerebral. Mas deve ser consumida sem excesso: duas xícaras de café ou chá e um tablete pequeno de chocolate, por dia.”

Completando, Fábia recomenda a ingestão de ômega 3, encontrado nos peixes, principalmente no salmão. “Esses ácidos graxos ajudam a proteger o cérebro e o coração.”



Terapia

É através das palavras que a pessoa encontra as razões de seu sofrimento e trabalha as saídas para ele, na avaliação de Fabrício Ribeiro, psicólogo e psicanalista. “O deprimido está mergulhado em um estado que ele não consegue ver a saída. O psicólogo deve ajudá-lo a encontrá-la”, afirma. Fabrício indica alguns caminhos, como a participação em centros de convivência e até um acompanhante terapêutico, que é um mediador entre a casa do paciente e a cidade, mostrando novos lugares e pessoas. O terapeuta também é importante para que o paciente descubra alternativas. “O deprimido precisa produzir laços. A musicoterapia, a pintura e a produção de objetos com argila podem produzir efeitos benéficos.” Em casos graves, o terapeuta trabalha com o psiquiatra, que receita medicamentos.


 

Musicoterapia

É um recurso para tratar todos casos de depressão. “Quando a pessoa está deprimida, há um acúmulo de experiências vividas e ela não dá conta da situação. A música tem a propriedade de atingir um campo sensível. Sua ação atinge um nível profundo, atuando no emocional e no físico”, explica Marília Schembri, musicoterapeuta. O resultado proporciona relaxamento, fortalece e equilibra a resistência interior. Na musicoterapia é realizado um estudo do universo sonoro do paciente para descobrir quais canções foram importantes para ele. “Além de CD, pode-se usar instrumentos, a própria voz do paciente e até o silêncio do corpo. Atingimos o nível mais profundo do sentir, sem precisar mexer com o evento que levou à depressão.”


 

Yoga

Laya Yoga é uma prática de yogaterapia indicada para casos de depressão, atuando contra o estresse, angústias e medos. Maria José Marinho, professora de yoga terapêutica, ressalta que, diferente da técnica tradicional, os benefícios da laya yoga são sentidos já na primeira sessão, que dura cerca de uma hora. A técnica inclui uma série de respirações para atingir os estragos dos sentimentos negativos no organismo. Maria José afirma que muitos psiquiatras recomendam a laya yoga para diminuir ou retirar o medicamento do paciente. Uma pesquisa realizada por um hospital de Mumbai mostrou melhora de 40,6% do quadro de depressão.


 

 

 

Acupuntura

Mesmo que as causas da depressão sejam múltiplas, pode-se obter cura com a medicina chinesa, segundo Evaldo Pinheiro, formado em medicina chinesa e acupuntura. Ele afirma que a técnica pode ajudar tratando ou como complementação de medicamentos, dependendo do caso. A terapeuta corporal Gleysse Paulinelli diz que a técnica estimula os neurotransmissores – substância que atua na dor e/ou emoção envolvidas.

Segundo Evaldo, os benefícios são atingidos a partir do restabelecimento do equilíbrio. “O paciente começa a ter melhora emocional, mais vontade e disposição”, afirma. O número de sessões depende de cada caso.



 

Atividade física

Causa sensação de bem-estar devido a produção de endorfinas. “Os efeitos ajudam a rever ou suportar melhor a situação difícil da vida”, explica Pedro Américo, professor de educação física e proprietário da Academia Especial de Promoção da Saúde e Reabilitação. É indicada quando a pessoa tem ânimo para fazer algo, pois há casos graves em que o portador não consegue nem sair de casa. “O paciente chega mal na academia e sai percebendo que é capaz de fazer algo por si mesmo.” Pedro aconselha a trocar a solidão de casa por caminhadas ao ar livre ou academia. Qualquer atividade física, com duração de 15 a 20 minutos, três vezes por semana, é benéfica para o tratamento da depressão, diz Pedro.



 

Erva-de-São-João

A eficácia do extrato da erva-de-São-João foi comprovada por um estudo da organização Cochrane. O resultado aponta que a erva tem efeito superior ao do placebo e similar ao de medicamentos antidepressivos. O estudo também revelou que houve menor ocorrência de efeitos colaterais no tratamento de depressão leve a moderada. Tamara Melnik, mestre e doutora em psicologia, ressalta que o extrato não deve ser utilizado sem orientação médica. Segundo ela, há restrições na utilização, como em associação com outros antidepressivos, anticoagulantes e medicações para o emagrecimento.

 

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