ATÉ ONDE VAI O PODER DA FÉ?

 

Se de um lado os crentes dizem que a fé remove montanha, e de outro há quem diga que a fé não vale nada, os fatos mostram que a fé tem poder sim, mas não vai tão longe quanto pensam os religiosos. 

 

Quando estamos doente e nos recuperamos, o que ocorre é a vitória das defesas do nosso organismo na correção do que está errado nele.  Muitas vezes, precisamos de medicamentos para ajudar as nossas células de defesa; todavia, muitas outras vezes, elas conseguem resolver o problema naturalmente. No entanto, além dos medicamentos, incentivo psicológico também tem efeito.  Se o enfermo acreditar que algo está lhe fazendo bem, seu cérebro manda mensagem positiva para o sistema imunológico, que reage positivamente.  Aí entra a fé. 

 

A fé tem poder, assim como o placebo, aquele medicamento falso que os cientistas usam para testar um medicamento novo. Uma boa percentagem das pessoas que recebem o placebo apresentam melhora.  Essas pessoas, ao acreditarem que estão tomando um medicamento capaz de curar sua enfermidade, pensam positivamente, e seu sistema imunológico reage positivamente.  Da mesma forma, quando alguém acredita em um deus, um santo, um orixá, ou qualquer outra entidade sobrenatural, pode ter efeito positivo na recuperação.

 

Todavia, vale lembrar que a fé tem limite.  A fé não é capaz de repor um órgão ou um membro perdido.  Se você tiver seu dedo decepado, pode orar o resto da vida, que não crescerá outro dedo no lugar.

 

A fé pode até ajudar a prolongar um pouco a vida, mas tão pouco, que não se nota em estatísticas. 

 

Se o resultado da fé fosse tão grande, os judeus teriam dominado o mundo há muitos séculos. Eles receberam várias promessas divinas de que iriam dominar o mundo; todas as previsões falharam, e eles não perderam a fé, continuam com esse objetivo até hoje, sem perceber que Yavé não é mais do que os deuses dos outros povos.

 

“Para a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Pualo, o efeito placebo soa como um fenômeno inexplicável porque o ser humano se acostumou a enxergar a capacidade de cura como algo externo a si mesmo. ’Projetamos o efeito curador no médico, no remédio, na cirurgia, num objeto mágico, numa imagem sagrada – ou no placebo.’

Denise cita a história do paciente Wright, um americano com câncer em estado avançado, que ficou famoso na medicina pela evidência do poder dos efeitos placebo e nocebo. Doente terminal, Wright apresentava tumores grandes e respirava com a ajuda de tubos de oxigênio. Ele descobriu que o hospital em que estava internado iria realizar testes com uma nova droga, o krebiozen, e pediu para ser incluído no grupo a ser estudado. Apesar de desenganado, estava tão entusiasmado que os médicos não tiveram alternativa senão aceitá-lo nos testes. Dias depois das primeiras aplicações de krebiozen, Wright deixou o hospital recuperado. Mas isso só durou até os jornais divulgarem pesquisas que questionavam o efeito terapêutico da droga. Wright ficou deprimido. Seus tumores voltaram, ele teve uma recaída fulminante e foi internado novamente, em estado grave. O médico, percebendo o efeito placebo, disse que tinha disponível krebiozen refinado, muito mais eficaz que a versão anterior. Wright recuperou a confiança na cura e, depois das injeções de placebo, recebeu nova alta. Quando o relatório final da Associação Médica Americana foi divulgado, dizendo que a droga de fato não funcionava, Wright retornou ao hospital e, dias depois, morreu.” (Superinteressante, agosto de 2001).

 

Exemplo como o do paciente Wright deixa claro, você acreditar em algo não significa que aquilo exista, mas a sua fé pode produzir efeito positivo.  Por outro lado, o perigo está em que, da mesma forma, quando você pensa que há algo sobrenatural atuando contra você, a sua crença pode lhe trazer os efeitos negativos que você teme.

 

A fé tem realmente poder. Mas o poder da fé vai até onde um cérebro estimulado pode levar as reações positivas do organismo.  O que passa disso, ou é lenda, ou é fraude.  Se a fé tivesse um poder além disso, os religiosos viveriam muito mais do que os não religiosos. 

 

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