MINHAS ENCARNAÇÕES -- 26/08/2003 -

 

Espiritamente pensando, já tive outras vidas e vou ter mais além desta. Assim, me pus diante dos dois caminhos que me foram dados.  Qual o melhor a escolher?

Em certo país europeu, houve um rei, que vivia as mil maravilhas e castigava a todos os que o desagradassem. Terminada sua vida repleta de prazer, seu espírito reencarnou para pagar as conseqüências do seu comportamento egoísta.

Nessa reencarnação, nasci eu, menino gago, de saúde um tanto precária, em uma família paupérrima, destinado ao sofrimento. Começo a viver rodeado de meninos maus, que não perdem uma oportunidade de criticar a minha gaguez, a minha magreza e o meu jeito inibido.

Eu me vejo diante de duas alternativas:

1) Aceitar resignadamente todo o sofrimento, pagar com o bem todo o mal que me fizerem, levar uma vida altruísta, para que, depois da minha "passagem", um certo indivíduo, que nunca saberei quem será, possa nascer lá na Suécia ou na Noruega e levar uma vida que todos pedem a Deus.

2) Lutar contra tudo e todos, esforçar o máximo e preparar para passar por cima de todos esses malvados que me atormentam, buscar a satisfação de todos os meus desejos, ser feliz e ter orgulho de mim mesmo, contando com o risco de aquele cara que não sem quem será - e nem ele terá conhecimento de ser a minha reencarnação - nasça lá na Etiópia, na Nigéria, ou outro lugar igual e viva na maior miséria.

Considerando que
NÃO TENHO NENHUMA LEMBRANÇA DOS PRAZERES DESFRUTADOS POR AQUELE REI EUROPEU,
NEM AQUELE INDIVÍDUO, QUE NASCERÁ NÃO SEI ONDE, VAI TER MEMÓRIA DO BEM OU MAL QUE EU FIZER AQUI, NEM DO MEU SOFRIMENTO OU DA MINHA FELICIDADE,

Opto pela segunda alternativa: Não tendo boa saúde na infância, procurar os mais eficientes meios de melhorá-la; fazer muito exercício físico para ficar forte; estudar com muita determinação para adquirir conhecimento e poder ser bem remunerado pelo meu trabalho; não usar nenhuma droga, porque elas trazem muito mais sofrimento do que prazer, não sendo conveniente no balanço de ganhos e perdas; procurar aprender a bater bem, para não apanhar e poder dar umas pancadas nos chatos que atravessarem o meu caminho; satisfazer o máximo possível todas as minhas vontades e fazer o bem a quem reconheça e me retribua; não devo fazer caridade, para não atrapalhar os planos de purificação dos miseráveis que também nasceram para pagar as injustiças de outros; talvez eu até deva contribuir um pouco para o sofrimento deles, como instrumento da vontade divina.

Dessa forma,

Eu me livro das conseqüências do comportamento daquele egoísta experto e mau que viveu lá na Europa e não merecia o meu sacrifício, sacrifício esse que também não lhe traria qualquer proveito;

E não perco o meu tempo preparando boa vida para aquele cara que não me interessa se nascer no Japão, no Afeganistão ou no Butão.

Esse deus da reencarnação é tão injusto e difícil de entender quanto o deus dos hebreus, que vingava a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração. Aliás, é pior, porque os bisnetos e trinetos quando sofressem poderia até estar cientes de quem teria sido seu bisavô e seu trisavô, ter informações sobre o comportamento deles e saber por que estaria sofrendo, oportunidade que, segundo os espíritas, não têm os reencarnados.

 

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