A ORIGEM DO CRISTIANISMO E O DOMÍNIO DO MUNDO -- 20/10/2005

 

O Cristianismo, a maior religião do mundo, teve suas raízes na incorporação da crença na ressurreição dos mortos pelos judeus durante o cativeiro babilônico e na profecia de Miquéias sobre um libertador de Israel do jugo assírio. Após a frustrada tentativa de Yeshua (Jesus), culminando na sua execução, seus seguidores levaram ao mundo a crença de que ele ressuscitou e ainda retornará para estabelecer um reino divino perfeito e eterno no nosso planeta. Mas essa ressurreição se formou no imaginário cristão bem gradativamente.

A própria Bíblia nos mostra que os hebreus nada sabiam sobre ressurreição dos mortos antes do cativeiro babilônico. Entretanto, no final do livro de Daniel está escrito que um anjo lhe havia prometido a ressurreição e recompensa (Ver A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS). A pergunta que os cristãos normalmente não se fazem é: se Deus ressuscita os mortos, por que ele não prometeu ressurreição a Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, etc.? Yavé teria inventado a ressurreição só depois disso? Não percebem que essa crença pertencia a religiões de outro povo e foi incorporada pelos hebreus quando viveram sob os domínios babilônio e persa.

Embora ninguém dos historiadores dos dias de Jesus nada tenha dito sobre ele, parece mais lógico que Jesus realmente tenha existido do que tenha sido totalmente inventado. Temos informação de que houve mais de um herói que quis libertar Israel do jugo romano. O próprio livro de Atos dos Apóstolos fala de outros dois, Judas e Teudas (Atos, 5: 36, 37).   Ele poderá ter sido um desses.

Como, nos dias do domínio assírio, o profeta Miquéias prometera que um ungido de Judá destronaria aquele império e libertaria Israel, o que muito parece se referir a Josias, rei de Judá que pretendeu unificar os dois povos (Israel e Judá), os hebreus continuaram esperando que um dia surgisse esse ungido que os libertasse e estabelecesse aquele reino imbatível, uma vez que Josias não o fez. Em vez de perceber que a previsão de Miquéias havia falhado, os judeus passaram a pensar que um dia surgiria aquele prometido. Não entenderam que se a profecia de Miquéias fosse verdade, um rei judeu teria derrotado a Assíria e dominado o mundo quando os assírios entraram em Judá.
 

Há dois mil anos, quando a maioria das populações do mundo inteiro era composta de analfabetos, era muito fácil inventar fatos e eles se tornarem história.  Assim, se, no final do primeiro século, o povo ouvisse dizer que alguém havia ressuscitado uns setenta anos antes, não havia ninguém vivo que pudesse desmentir.

 

Como historiadores da primeira metade do século jamais disseram uma palavra sobre Jesus, o herói executado que deu origem ao cristianismo não deve ter-se chamado Yeshua (salvador) e seus admiradores podem ter inventado esse apelido.  Ele pode ter sido um dos que pretenderam combater o império romano, mas não conseguiram juntar guerreiros para o combate e foram executados. É mais provável que seu nome tenha sido outro, e os seus seguidores o tenham mudado para dar o significado que tem: "aquele que salva".   Se seu nome fosse Yeshua mesmo, alguém de fora do cristianismo teria dito alguma coisa sobre ele como disseram sobre outros.

É provável que esse rebelde, após se ver sem saída e na iminência de ser morto pelos romanos, porém crendo na doutrina da ressurreição dos mortos, tenha dito aos seus companheiros que retornaria quando ressuscitado por Yavé para derrotar os romanos e estabelecer o tão sonhado reino eterno.

Morto Jesus, seus seguidores, crendo que ele seria ressuscitado, devem ter passado a pregar às outras pessoas que Jesus teria sido ressuscitado pelo deus Yavé e breve retornaria para ressuscitar a todos que cressem nele para formar o reino eterno. Talvez, inicialmente, até tenha pregado que sua ressurreição ainda iria ocorrer, e, posteriormente, tenham passado a pregar que ela já tivesse ocorrido. Em epístolas de Paulo, vemos que ele esperava que Jesus retornasse antes mesmo de sua morte (I Coríntios, 15: 51, 52; I Tessalonicenses, 4: 17).

Como levantarem-se pessoas contra os romanos e serem executadas era coisa bem banal naqueles dias, os historiadores da época não devem nem ter dado atenção a mais essa execução, ou Jesus (Yeshua) pode ter sido um nome inventado para algum dos executados. Todavia, a doutrina da ressurreição de Jesus e de seus seguidores deve ter ido crescendo e aumentando os adeptos; e, à medida que o fato ficava mais distante, os contos a respeito de Jesus iam ficando mais elaborados, e foram surgindo os milagres de curas, ressurreições, etc. É claro que, se houvesse alguém capaz de fazer um aleijado se tornar normal e um cego enxergar, isso não iria passar sem que ninguém percebesse como nos mostra a falta de registros anteriormente aos evangelhos. Muito menos poderiam ocorrer ressurreições sem haver um grande tumulto que chegasse ao conhecimento de muita gente. Se Filon de Alexandria viveu nos dias de Jesus e nunca escreveu uma linha falando sobre Jesus e seus feitos, bem como outros historiadores da época nada disseram, isso só nos leva à certeza de que esse feitos são lendas. Outrossim, como poderia ter ocorrido três horas de escuridão e ninguém além dos cristãos ter tomado conhecimento? Se qualquer eclipse solar, que é um fenômeno comum, era registrado, três horas de escuridão, algo incomum, iria ficar fora da história? 
Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) — Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.
Plínio, o velho (23 d.C. – 79 d.C.) — História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos” (Lee Salisbury, Jesus: o incômodo silêncio da História).

Poderia ocorrer tal evento tão excepcional e nenhum desses dois autores tomar conhecimento?   Além disso, três horas de escuridão seria um fenômeno visto em mais da metade do mundo.  E o mundo nada viu disso.  Só o grupo cristão disse ter visto.

Algumas décadas após a execução desse herói, algumas pessoas escreveram dezenas dos chamados evangelhos. Eles eram extremamente contraditórios, vindos das várias correntes doutrinárias cristãs. Entre os poucos textos selecionados posteriormente pela igreja romana para comporem o novo testamento, sendo os mais harmônicos, ainda há muitas divergências. Exemplo de divergência cristã pode ser visto na justificação pela fé ou pelas obras comentadas divergentemente por Paulo e Tiago. Só os cristãos não percebem que o que têm como "a verdade" é o conjunto dos pontos de vista do grupo dominante.

Os evangelhos dizem: "Assim a sua fama correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos; e ele os curou" (Mateus, 4: 24). "E logo correu a sua fama por toda a região da Galiléia" (Lucas, 1: 28). "A sua fama, porém, se divulgava cada vez mais, e grandes multidões se ajuntavam para ouvi-lo e serem curadas das suas enfermidades" (Lucas, 5: 15). Todavia, ninguém dos historiadores dos seus dias nada registrou sobre ele. Não poderia uma pessoa ficar tão famosa e ao mesmo tempo desconhecida dos historiadores da época.

Os primeiros historiadores judeus e romanos a falarem do cristianismo nasceram depois da época dada como da execução de Jesus e escreveram o que ouviram de outros. "A fé cristã se fortaleceu no decorrer dos últimos vinte séculos não por se constituir em um impecável museu de relíquias capazes de narrar de forma coerente e incontestável a história de Jesus. A fé cristã se enriqueceu da adversidade e construiu uma vigorosa verdade teológica apesar das falhas gritantes dos registros históricos sobre o homem que mandou o apóstolo Pedro construir a sua Igreja. Sua passagem terrestre, no entanto, deitou sobre o tempo histórico marcas muito tênues. Fora os Evangelhos, textos sagrados do cristianismo, a figura de Jesus aparece citada apenas de forma cifrada ou pouco clara em obras escritas dezenas de anos depois de sua morte. Por essa razão, as raras descobertas arqueológicas que iluminam o período histórico de Jesus na Palestina são recebidas com grande curiosidade pelos estudiosos" (Veja, 15 de dezembro/2004, pág. 104.

Entre as inúmeros contradições do cristianismo que encontramos nos seus textos sagrados, além da primeira crença, a de Paulo, de que Jesus retornaria naqueles dias, mais três idéias diferente sobre o fim do mundo de pecados aparecem no Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus e Lucas falam da destruição de Jerusalém pelos romanos como sendo o início da grande tribulação predita pelo profeta Daniel (Ver
OS TEMPOS DOS GENTIOS) e afirmam que, passado aquele período difícil, Jesus estaria retornando para buscar seus escolhidos e estabelecer o reino divino. O apocalipse já fala do império romano como a besta de sete cabeças e dez chifres, mas apresenta ainda um outro poder seguinte representado por uma besta semelhante a touro com chifres de cordeiro antes do estabelecimento do reino de Jesus. São Pedro já disse que um dia iria haver um grande estrondo, e o mundo seria destruído pelo fogo, assim como, segundo eles criam, já havia sido destruído por água.

Para ver como os cristãos usaram o velho testamento para tornar Jesus o messias, leia
O MESSIAS DE BELÉM NUNCA EXISTIU NEM PODERÁ EXISTIR.

Como alguns séculos depois o imperador romano se converteu ao cristianismo, este foi unificado segundo a doutrina prevalente em Roma, e todos as correntes divergentes foram extintas; isso é o que os estudiosos constatam dos registros encontrados, apesar de a igreja ter tentado destruir todos os escritos e qualquer outra coisa que fosse contrária à linha cristã de Roma.

Os cristãos clandestinos, aqueles que divergiam do cristianismo romano, devem ter firmado muito sua fé nas afirmações de que Roma era a prostituta montada na besta e o cristianismo romano deve ter passado a ser visto como a besta pelos dissidentes. E é isso mesmo que diz o Apocalipse: a mulher é a "cidade que reina sobre os reis da Terra", cidade edificada sobre "sete montes". Não há como negar. Talvez a besta semelhante a touro com chifres de cordeiro no apocalipse tenha derivado da visão de alguém que já procurava combater o cristianismo romano. E esse livro chegou a ser rejeitado pela igreja, vindo posteriormente a ser aceito para fazer parte da Bíblia. A existência dos vários chamados apócrifos, que nada mais são do que posições de partes do cristianismo daqueles dias, nos dá um claro testemunho de que a chamada "verdade" é o pensamento da ala cristã que se sobrepôs às outras.

Quanto às profecias de Daniel, é bom ler o artigo
O FIM: ANTÍOCO EPÍFANES, IMPÉRIO ROMANO, OUTRO PODER FUTURO.

No final da Idade Média, surgiram os protestantes, que conseguiram enfraquecer o Catolicismo, porém fortaleceram a crença em Jesus e na ressurreição dos mortos. A essa altura, os prodígios de Jesus já eram cristalizados como fatos incontestáveis pelos fiéis.

No século XIX, alguns protestantes fizeram uma interpretação das profecias de Daniel, calculando que 1843 seria a data do retorno de Jesus. Como isso não ocorreu, recalcularam e pensaram que houvesse cometido um pequeno erro, devendo o evento ocorrer em 1844. Como naturalmente nada se cumpriu, refizeram a interpretação, passando a crer que, em vez da volta de Jesus, seria a passagem de Jesus do lugar santo para o lugar santíssimo do santuário que criam existir no céu. Assim, ainda deveriam passar mais alguns anos até que ele retornasse.

Como, diferentemente do livro de Daniel, o Apocalipse apresentam um outro poder perseguidor após o poder romano, passaram a pregar que os Estados Unidos, mediante o protestantismo unido como o catolicismo, dariam cumprimento à figura da besta semelhante o touro, que fariam uma grande perseguição antes do retorno de Jesus; mas tudo isso deveria ocorrer brevemente, porque quase todos os sinais do fim já haviam ocorrido (Veja, por exemplo,
AS ESTRELAS NÃO CAÍRAM PELA TERRA
).

Na década de oitenta, conheci em Rondônia um livro intitulado "ELLEN G. WHITE E A IGREJA ADVENTISTA". Segundo esse livro, Ellen G. White havia dito, na última conferência de que participou, já bem próximo a sua morte, em 1915, que a maioria daqueles que estavam ouvindo-a não passariam pela morte, mas estariam vivos por ocasião da volta de Jesus.  Acredito que, se ainda existirem alguns das crianças daquele dia, não devem ser muitos.  Há poucos anos, procurei com os adventistas em Belo Horizonte o livro "ELLEN G. WHITE E A IGREJA ADVENTISTA" e o chamado "Crede nos seus profetas", mas me disseram desconhecê-los.

Atualmente há milhares de ramos cristãos e todos eles têm suas maneiras de explicar a doutrina e justificar por que Jesus ainda não veio, cada um como o dono da verdade e negando a verdade dos outros. Há até aqueles que dizem que a volta de Jesus é apenas figurada; mas seus argumentos não têm convencido muita gente. Eles são uns poucos milhares no mundo.

Talvez a gritante distância entre as crenças cristãs do novo testamento e as explicações de todos os ramos cristãos atuais seja a razão de o Islamismo, religião não cristã, ser a religião que mais cresce no mundo atual.

Acho que atualmente corremos mais risco de um dia o mundo ser torturado pelo poder muçulmano do que qualquer outro dominador que possa surgir. O radicalismo religioso me assusta mais do que qualquer socialismo ou ditadura militar leiga. Mas espero que o conhecimento prevaleça sobre as crendices.

Como todas as mitologias, a origem do Cristianismo, como acima deduzido, só pode ter sido desenvolvida aos poucos a partir de um grupo de adeptos da crença na ressurreição dos mortos cujo líder tenha mesmo sido executado pelos romanos. O caráter mitológico desse líder deve ter sido formado bem posteriormente à sua morte. Só isso pode explicar a falta de registro sobre esse homem, chamado filho de Deus, ou mesmo Deus, que se tornou tão importante no decorrer dos séculos.

 

Ver também A CRIAÇÃO DO MITO DE JESUS

Ver mais
RELIGIÃO

 

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