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POR QUE MORREM TANTOS MUÇULMANOS NAS PEREGRINAÇÕES? -- 14/01/2006 -

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Como qualquer outro deus, Alá nunca está lá quando os fiéis se vêem em perigo.

"Massacre evitável
José Carlos Alexandre

Como em anos anteriores, com incontável número de mortos e feridos, a peregrinação de ontem na Arábia Saudita, resultou em tragédia.

Num lamentável tributo ao profeta Maomé que fez o mesmo trajeto há 1.400 anos.

Estava assistindo multidões e multidões passando pelo deserto em direção às cidades sagradas sábado, na TV a cabo que retransmite canais em língua árabe.

Todos de branco, uma mochila azul, rezando, sempre rezando, acompanhados por aparelhagens móveis de som

Gente fiel a Alah, independentemente de suas posses, status social

Pessoas que parecem trazer no semblante qualquer coisa de satisfação pessoal, de tranqüilidade de espírito

Mal sabendo, talvez que caminham para a morte.

Se alguém der um espirro mais forte

Um estampido que for, um balão que estoure e eis o pânico e a inevitável morte

O governo saudita começa a se mexer, é verdade.

E anuncia a substituição da ponte de Jamarat por outra, moderna, com entradas e saídas em quatro níveis

Um projeto superior a um bilhão de dólares

Mas dólares na Arábia Saudita (plena de petróleo) não são problemas

O que não pode continuar é esse quase massacre anual de fiéis

PEREGRINAÇÃO - A morte no hajj
Corre-corre resulta na morte de 345 pessoas e 289 ficam feridas

Meca - Um corre-corre durante uma das etapas da peregrinação anual (o hajj) dos muçulmanos a Meca, na Arábia Saudita, causou ontem a morte de pelo menos 345 pessoas e ferimentos em 289, segundo os primeiros dados do Ministério da Saúde do país. A grande maioria dos mortos é originária do sul da Ásia, segundo a TV saudita. Foi a pior tragédia do hajj em mais de uma década. As vítimas foram esmagadas quando se dirigiam, em meio a milhares de outros fiéis, ao Al-Jamarat, os três pilares que representam o diabo e ficam na localidade de Mina, a poucos quilômetros dos locais sagrados de Meca.

O Al-Jamarat é um conhecido gargalo para a multidão de cerca de 2,5 milhões de pessoas que este ano realiza a peregrinação a Meca, um dos preceitos do islamismo. De acordo com o ritual, os peregrinos devem lançar pedras contra essas colunas para livrar-se de seus pecados. Segundo o general Mansour al-Turki, porta-voz do Ministério do Interior, o tumulto começou quando os peregrinos iam realizar o último dos três dias de lapidação do diabo, pouco antes do pôr-do-sol.

MALAS

Nesse momento, algumas malas caíram de ônibus que passavam diante de um dos acessos para Al-Jamarat. Alguns peregrinos começaram a correr e a se amontoar. Os pilares se encontram sobre uma grande e comprida ponte de pedestres sobre a planície deserta de Mina. O corre-corre começou na base de uma das rampas de acesso à ponte. As TVs árabes mostraram fileiras de cadáveres estendidos sobre macas no pavimento e cobertos com lençóis. ¨Escutei gritos e ao olhar para trás vi gente saltando uns sobre os outros. Veio a polícia e cercou o lugar. Começaram a retirar corpos. Não pude contá-los. Eram muitos¨, relatou a peregrina egípcia Suad Abu Hamada.

PARA A MORTE

Outro egípcio, Ahmed Mustafá, disse ter visto os corpos sendo levados em caminhões refrigerados. ¨Era como a estrada para a morte¨, comentou um peregrino que não quis dar o nome, descrevendo um cenário com mulheres desmaiando e as pessoas se acotovelando e empurrando. A confusão aumentou porque milhares de pessoas se dirigiam para os pilares enquanto outras buscavam o lado da saída na ponte.

Muitos tentavam pegar pertences que haviam caído. Feridos foram levados para os hospitais de Mina, Meca e Riad. Desde 1990 houve sete tumultos com grande número de mortes perto dos pilares representando o diabo. No hajj deste ano, o desmoronamento de um hotel que abrigava peregrinos, no dia 5, em Meca, causou a morte de 76 pessoas e ferimentos em dezenas. Depois das sucessivas tragédias nos anos 90, as autoridades melhoraram a circulação nos lugares por onde devem passar obrigatoriamente os milhões de peregrinos. Ampliaram a ponte e as rampas de acesso, além de manter uma força de segurança de cerca de 60 mil homens para controlar a multidão e impedir ataques de extremistas islâmicos.

ATENTADOS

Para evitar as grandes aglomerações, vários clérigos emitiram editos religiosos (fatwas) autorizando os peregrinos a começar o ritual do apedrejamento pela manhã. Pela tradição, essa etapa tem de ser cumprida depois das preces do meio-dia e antes do pôr-do-sol. Além disso, o governo saudita passou nos anos 90 a limitar o número de participantes do hajj, estabelecendo quotas por país, conforme sua população. Para cada um milhão de habitantes é autorizado o envio de mil peregrinos.

As autoridades também temem que o evento seja usado para atentados ou protestos de radicais islâmicos. Em 1987, 402 pessoas, incluindo 275 iranianos partidários do aiatolá Ruhollah Khomeini, morreram durante uma manifestação de protesto em Meca contra a política americana no Oriente Médio. (AE/AP)
Os dramas da peregrinação

Massacre evitável


OS DRAMAS DA PEREGRINAÇÃO
1975 - Dezembro: um incêndio num acampamento de peregrinos perto de Meca deixou 200 mortos. Um bujão de gás explodiu e o fogo se propagou rapidamente pelas barracas.

1979 - 20 de novembro: várias centenas de homens armados hostis ao regime saudita se instalaram durante duas semanas na Grande Mesquita de Meca e tomaram dezenas de peregrinos como reféns. A invasão da Mesquita ocorreu no dia 4 de dezembro, sob a orientação de três militares franceses do GIGN (Grupo de Intervenção da Gendarmeria Nacional) enviados por Paris a pedido de Riad. Balanço oficial: 153 mortos, 560 feridos.

1987 - 31 de julho: as forças da ordem sauditas reprimem uma manifestação proibida de peregrinos iranianos (402 mortos, entre eles 275 iranianos, segundo um balanço oficial saudita). As relações diplomáticas irano-sauditas foram rompidas no dia 24 de abril de 1988. Os iranianos estarão ausentes da peregrinação até 1991.

1989 - 10 de julho: um duplo atentado nas proximidades da Grande Mesquita de Meca deixou um morto e 16 feridos. Dezesseis xiitas kuwaitianos acusados de serem os autores do atentado são executados no dia 21 de setembro.

15 de julho: cinco paquistaneses foram mortos e outros 34 ficaram feridos num incêndio num acampamento perto de Meca.

1990 - 2 de julho: um tumulto ocorreu num túnel de Mina, ao sul de Meca, depois de um defeito no sistema de ventilação. 1.426 peregrinos, asiáticos em sua maior parte, morreram asfixiados.

1994 - 24 de maio: 270 peregrinos morrem num tumulto durante o ritual de apedrejamento de Satã em Mina, por causa de um ¨fluxo recorde¨ de peregrinos, segundo as autoridades.

1995 - 7 de maio: três pessoas foram mortas e 99 outras ficaram feridas num incêndio num acampamento de peregrinos perto de Mina.

1997 - 15 de abril: um incêndio provocado por um aquecedor a gás devasta os acampamentos de barracas de peregrinos no vale de Mina, deixando 343 mortos e mais de 1.500 feridos.

1998 - 9 de abril: mais de 118 peregrinos foram mortos e mais de 180 ficaram feridos num tumulto em Mina, durante o rito de apedrejamento de estelas.

2001 - 5 de março: 35 peregrinos, 23 mulheres e 12 homens foram mortos e vários outros ficaram ligeiramente feridos durante um rito de apedrejamento.

2003 - 11 de fevereiro: 14 fiéis, entre eles seis mulheres, morreram no primeiro dia de apedrejamento de estelas em Mina.

2004 - 1º de fevereiro: 251 pessoas morreram num tumulto em Mina, no primeiro dia de apedrejamento de estelas.

2005 - 23 de janeiro: 29 peregrinos morreram nas enchentes provocadas pelas chuvas mais intensas dos últimos 20 anos no país, que atingiram a região de Medina (oeste). Na véspera, três peregrinos morreram durante tumultos ocorridos durante o ¨apedrejamento de Sat㨠em Mina.

2006 - 6 de janeiro: 76 pessoas morreram no desabamento de um hotel na cidade de Meca. 12 de janeiro: 345 peregrinos morreram num tumulto durante o ritual de apedrejamento de estelas."
(Diário da Tarde, 13/01/2006)

Observa-se que a freqüência com que ocorrem esses desastres é cada vez maior.
Muitos cristãos dizem que essas tragédias acontecem porque eles não adoram a Deus segundo a vontade desse deus. A vontade divina é o que fazem os cristãos que tiverem interpretando esses fatos. Os judeus também devem ter suas versões.
Nós, entretanto, observamos o seguinte:
1 - o serem eles um grande número favorece o desastre, razão por que nos últimos anos a situação tem agravado.
2 – ao mesmo tempo que demonstram uma grande devoção ao seu deus, parece até que entendem que Alá nada faz por eles frente aos inimigos. Se acreditassem realmente na proteção de seu deus, não iriam se desesperar diante de qualquer ameaça.
Assim como Yavé não deu o controle do mundo aos hebreus, e eles caíram sucessivamente sob o domínio dos povos adoradores de outros deuses, os fiéis de Alá, inconscientemente, entendem que não podem contar com nenhuma proteção divina, ainda que digam o contrário.

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