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A TIMIDEZ

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A palavra timidez vem do latim “timor”, que significa medo. É o medo do que os outros vão pensar de nós. É o medo de desagradar, de errar, de nos comprometer. É o medo dos outros.

Antigamente, pensava-se que a timidez era uma característica pessoal, imutável e, portanto, sem cura. Hoje sabemos que é um distúrbio emocional e que pode ser tratada.

A timidez nos atrapalha em todos os níveis de nossa vida. No campo profissional há uma exigência, cada vez maior, de pessoas desinibidas, capazes de “vender” algumas ideias, de falar em público, fazer conferências etc. Na vida escolar há sempre apresentações de trabalho para os colegas. Na vida amorosa, a abordagem à outra pessoa é o começo de tudo.

Para o tímido, tudo isso é um suplício. A ansiedade com todas as suas desagradáveis conseqüências: coração disparado, pernas trêmulas, mãos frias, desconforto geral, vai a mil, quando o tímido se sente observado ou tem que tomar uma iniciativa pública. É o medo do “palco”.

Para evitar esse constrangimento, a pessoa se retrai do convívio social, das festas, do namoro, limitando extremamente a sua vida. A existência humana se define pela relação com o mundo. O sentimento de inclusão e de partilhamento nos faz sentir a plenitude da vida.

A timidez é exatamente o contrário disto e tem por objetivo nos “excluir” das coisas mais importantes: sexo, amor, alegria, brincadeiras. Não é possível acabar com a timidez para depois enfrentarmos a vida. À medida, porém, que vamos nos aventurando em situações para nós embaraçosas, mesmo forçando um pouco, o medo vai diminuindo.

Pode até haver certa graduação neste enfrentamento, mas sem ele jamais sairemos da redoma construída pelo nosso orgulho. A zona de conforto, na qual se instala o tímido, é uma grande proteção para seus medos, mas o impede de viver em plenitude seus desejos e sua liberdade. Todo esforço, neste sentido, será recompensado por uma existência mais rica e mais satisfatória.

(Antônio Roberto, Jornal Aqui, 18/03/2009)


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