²³ No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram,
²⁴ Dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão.

²⁵ Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão.
²⁶ Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo;
²⁷ Por fim, depois de todos, morreu também a mulher.
²⁸ Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?
²⁹ Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.
³⁰ Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.
³¹ E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo:
³² Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.
(Mateus 22:23-32)
Como sabemos, os saduceus não acreditam na ressurreição, porque ela não existe na lei mosaica, além de nunca ter sido mencionada em toda a história patriarcal. A nenhum patriarca Yavé prometeu ressurreição. E sabemos que a ressurreição só apareceu no ideário judeu depois que eles conviveram com o império medo-persa. Aqueles capítulos de Daniel, que se crê escritos nos dias do cativeiro babilônicos, pelos seus detalhes se nota que foram escritos por ocasião da vitória dos macabeus. Pois o texto afirma que após a grande tribulação, referindo-se ao período de domínio de Antíoco Epífanes, “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão.” (Daniel 7:27), referência ao povo judeu. Era o que imaginava quem escreveu aqueles capítulos. E, como bem sabemos os reinos do mundo não foram entregues aos judeus e eles, pouco tempo depois da vitória dos macabeus, caíram sob o domínio romano, acabaram sendo expulsos da terra que acreditava lhes ter sido dada por yavé.
Diante disso, quem escreveu essa parte dos atos de Jesus, não usaria a promessa que o anjo teria feito a Daniel: “Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias.” (Daniel 12:13). Ele preferiu esse argumento inconsistente:
“Deus vos declarou, dizendo:
³² Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.”
Se eu digo eu sou o filho de Benedito Pereira, eu não estou dizendo que Benedito Pereira esteja vivo ou que ele vá retornar à vida. Da mesma forma, dizer que um deus é o deus de alguém que já morreu não quer dizer que aquela pessoa esteja viva ou venha futuramente reviver. O personagem Jesus não teria qualquer argumento consistente em favor da ressurreição com base na lei que acreditam ter sido dada a Moisés ou em toda suposta relação de Yavé com os patriarcas de Adão a Davi nem qualquer rei judeu posterior que tenha existido até a monarquia dita perpétua deles ter sido extinta. Por isso escreveram que ele usou esse argumento frágil, inconsistente.