Flávio Bolsonaro, agora, está mudando o discurso e dizendo que vai manter uma porção dos programas sociais e ainda melhorá-lo; mas isso é só para conseguir se eleger. Ele já divulgou amplamente que quer fazer no Brasil o que Milei faz na argentina. Nossas TVs evitam mostrar; mas os argentinos estão desesperados com a miséria que já começou com os programas de Milei, e aqui não seria diferente.

Mas, para você, trabalhador, que vive da sua força de trabalho, o mais grave de tudo que ele fará se eleito não é dar força aos evangélicos para terem direito de perseguir outras religiões, nem é privatizar as praias. Você não vai ter dinheiro nem para se aproximar das praias mesmo. O pior é acabar com os direitos trabalhistas.
Ele diz todos os dias que defende é a livre negociação. O que é a livre negociação: é você se colocar diante do seu rico patrão e ouvir: não temos condições de reajustar seus salários. Vamos ter que cortar alguns dos seus benefícios, para a empresa conseguir sobreviver a esta crise, por isso vamos manter só os trabalhadores que estiverem de acordo; e, diante das alternativas, você aceitar ficar com um pedaço para não perder tudo.
Há muito tempo, Lacordaire disse: “Entre o fraco e o forte, entre o pobre e o rico, é a liberdade que escraviza, é a lei que liberta.” É isso que ele queria evitar com esse aviso:
quando você, trabalhador, não estiver exausto dando conta do combinado e for despedido, irá à Justiça, e o juiz dirá: é, ele pegou pesado mesmo, mas se a lei abriu mão de sua validade dizendo que o que vocês combinaram prevalece sobre ela, eu não tenho instrumento eficiente pra socorrê-lo. Então, tarde demais, o pobre que terá ficado muito mais pobre preferirá a escravidão e trabalhar 12 horas por dia com salário rebaixado a perder a migalha que ainda lhe restar.
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