O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e em aramaico, que eram idiomas usados pelos hebreus. A palavra SHEOL (transliteração de She’ól), que foi traduzida para inferno, aparece no Antigo Testamento 66 vezes. Mas não como um lugar de fogo e tortura como muitos pensam. O Seol era um estado de total inexistência. Descer ao Seol significava ser enterrado ou sepultado.

Se o Seol fosse um lugar de tormento eterno, Jacó, que era um servo de Deus, jamais iria dizer: “Pois descerei pranteando para o meu filho ao Sheol!” (Gn 37:35). E nem Jó, que era outro servo de Deus, em meio a todo sofrimento que estava passando, teria afirmado: “Quem dera que me escondesse no Seol, que me mantivestes secreto até que tua ira recuasse.” (Jó 14:13).
Se o Seol fosse um lugar de mais tortura, Jó não teria pedido para que o seu deus o mandasse para lá. Seria como sair do espeto e cair na brasa.
No livro de Eclesiastes 9:10, o Seol é descrito como um estado de total inexistência: “pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais“.
Mas até agora, eu só falei do chamado Antigo Testamento. O Novo Testamento foi escrito em grego, não foi escrito em Israel e só começou a ser escrito cá pelo segundo século da nossa era.
As palavras que foram traduzidas para inferno são Hades (aparece 10 vezes), Geena (aparece 12 vezes) e Tártaro (até onde eu sei, aparece apenas uma vez em 2 Pedro 2:4).
Hades e Tártaro são palavras da mitologia grega e representavam lugares reais. A mitologia grega já existia muito antes da religião judaica ser criada. Ou seja, os judeus pegaram esse mito emprestado dos gregos.
Na parábola do rico e do Lázaro Jesus teria citado o rico “no Hades, estando em tormento” dentro de “chamas” (Lc 16:19-31). E Jesus ainda teria usado outro termo que na nossa língua é traduzido para inferno: Geena, onde o fogo nunca se apaga e o verme nunca morre (Mc 9:47-48).
A Geena é uma alusão ao vale de Hinom (Géh Hin-nón; Gé-en-na). Esse lugar era um depósito de lixo, onde também eram jogados cadáveres de criminosos que não eram dignos de serem sepultados. O fogo ficava sempre aceso para queimar o lixo e os cadáveres. E muitas vezes esse lixo era queimado com enxofre.
Como vimos, nas escrituras sagradas judaicas que os cristãos chamam de Antigo Testamento, os judeus viam o inferno apenas como um lugar de descanso, de total inexistência. Já no texto cristão, que chamam de Novo Testamento, os cristãos copiaram dos gregos um inferno literal de fogo e tortura eternos. Alguns religiosos até dizem que Deus é amor, que jamais faria uma abominação dessas com seus filhos. Mas os textos são bem claros a apontar essa tortura como infinita.
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