O Cristianismo se baseou em adaptação de
textos do chamado velho testamento ao Jesus de Nazaré, tornando-o o Messias predito. Mas
a realidade que a própria Bíblia mostra é que o messias prometido pelo profeta
Miquéias nunca existiu, nem poderá existir. Neste artigo é fácil entender por
quê.
"E, congregados todos os príncipes dos
sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o
Cristo.
E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo
profeta:
E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá;
porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel."
(Mateus 2:4-6). Que história é essa?
Nos dias em que a Assíria subjugara o reino de Israel, e Judá ainda estava
parcialmente livre, o profeta chamado Miquéias predisse um libertador do povo,
nascido em Belém, a
quem outro profeta chamou ungido, messias em hebraico, cristo em grego. Vejam quando
ele deveria vir e o que deveria fazer:
“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de
Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas
saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os
entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o
resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e
apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus;
e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E
este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar
em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes
dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de
Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em
nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio
de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva,
que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de
Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os
animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual,
quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão
será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus
inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus
cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e
derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não
terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as
tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei
os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor
exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).
Isso foi escrito, pelo menos está dito que foi, “nos dias de Jotão Acaz e
Ezequias reis de Judá” (Miquéias, 1: 1).
Vamos ver um pouco da história, para entender as palavras de Miquéias:
“No ano duodécimo de Acaz, rei de Judá, começou a reinar Oséias, filho de Elá,
e reinou sobre Israel, em Samária nove anos. E fez o que era mau aos olhos
do Senhor, contudo não como os reis de Israel que foram antes dele. Contra ele
subiu Salmanasar, rei da Assiria; e Oséias ficou sendo servo dele e lhe pagava
tributos. O rei da Assíria, porém, achou em Oséias conspiração; porque ele
enviara mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava, como dantes, os tributos
anuais ao rei da Assíria; então este o encerrou e o pôs em grilhões numa prisão.
E o rei da Assíria subiu por toda a terra, e chegando a Samária sitiou-a por
três anos. No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou Samária, e levou
Israel cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala, e junto a Habor, o
rio de Gozã, e nas cidades dos medos. (II Reis, 17: 1-6).
O segundo Livro dos Reis informa que: “No ano décimo quarto do rei Ezequias,
subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá,
e as tomou. Pelo que Ezequias, rei de Judá, enviou ao rei da Assíria, a Laquis,
dizendo: Pequei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres suportarei. Então o
rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e
trinta talentos de ouro” (II Reis, 18: 13, 14).
Quando deveria vir o Messias? “Quando a Assíria entrar em nossa terra, e
quando pisar em nossos palácios”, teria dito o profeta.
Segundo o profeta, quando a Assíria tentasse dominar Judá, surgiria o Messias, o
rei salvador e
a esmagaria, libertaria Israel, estabelecendo o reino unificado de Israel sobre
todas as nações, "até os fins da Terra”.
O reino de Judá permaneceu parcialmente livre por bom tempo (digo parcialmente,
porque o povo continuava em sua terra, tendo seus reis, porém pagando tributo
para a Assíria). A Acaz, sucederam: Ezequias (16: 20), Manassés (18:21), Amom
(18: 21), e Josias (21: 24), o que determinou uma reforma do templo, onde dizem
ter sido achado o livro da lei de Moisés (II Reis, 22: 1-8). “Então disse o sumo
sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da lei na casa do Senhor.
E Hilquias entregou o livro a Safã, e ele o leu” (v. 8). Dadas as
incongruências existentes na história pregressa, concluíram alguns analistas que
esse livro da lei não fora encontrado, mas elaborado pelos escribas do reino e
posto ali a mando de Josias (Ver detalhes). Havia até a seguinte predição:
“E o homem clamou contra o altar, por ordem do Senhor, dizendo: Altar, altar!
assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será
Josias; o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam
incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti” (II Reis, 13: 2). Tudo parece
ter sido elaborado, com todos os assombrosos prodígios divinos e a predição
sobre Josias, para levantar o ânimo do povo na luta para reunificar o reino.
Após matar os sacerdotes adoradores de outros deuses e destruir tudo que
estivesse ligado à idolatria (adoração que não seja a Yavé) segundo a lei do
livro, “Josias tirou também todas as casas dos altos que havia nas cidades de
Samária, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem o Senhor à ira, e
lhes fez conforme tudo o que havia feito em Betel. E a todos os sacerdotes dos
altos que encontrou ali, ele os matou sobre os respectivos altares, onde também
queimou ossos de homens; depois voltou a Jerusalém. Então o rei deu ordem a
todo o povo dizendo: Celebrai a páscoa ao Senhor vosso Deus, como está escrito
neste livro do pacto” (II Reis, 23: 19-21). Ali está registrado que “não se
celebrara tal páscoa desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em
todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco nos dias dos reis de Judá” (v.
22). Conferindo todas as descobertas sobre a história anterior, que acreditam
ter sido encontrada na reforma do templo, não é difícil perceber que essa
“páscoa” nunca existira antes.
Josias estava disposto a fazer o que estava predito: buscar o restante de Israel
que estava exilado na Assíria e estabelecer aquele reino eterno dos hebreus.
Mas, apesar de todo o preparo ideológico contido no livro, Josias não conseguiu
estabelecer o reino unido. Foi morto em uma batalha, e Judá foi dominada pelo
Egito. Depois veio Babilônia.
“Nos seus dias subiu Faraó-Neco, rei do Egito, contra o rei da Assíria, ao rio
Eufrates. E o rei Josias lhe foi ao encontro; e Faraó-Neco o matou em Megido,
logo que o viu.
...
E o povo da terra tomou a Jeoacaz, filho de Josias, ungiram-no, e o fizeram rei
em lugar de seu pai.
...
Ora, Faraó-Neco mandou prendê-lo em Ribla, na terra de Hamate, para que não
reinasse em Jerusalém; e à terra impôs o tributo de cem talentos de prata e um
talento de ouro. Também Faraó-Neco constituiu rei a Eliaquim, filho de Josias,
em lugar de Josias, seu pai, e lhe mudou o nome em Jeoiaquim; porém levou
consigo a Jeoacaz, que conduzido ao Egito, ali morreu. E
Jeoiaquim deu a Faraó a
prata e o ouro; porém impôs à terra uma taxa, para fornecer esse dinheiro
conforme o mandado de Faraó. Exigiu do povo da terra, de cada um segundo a sua
avaliação, prata e ouro, para o dar a Faraó-Neco. Jeoiaquim tinha vinte e cinco
ano quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém.
...
Jeoiaquim dormiu com seus pais. E Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar. O rei
do Egito nunca mais saiu da sua terra, porque o rei de Babilônia tinha tomado
tudo quanto era do rei do Egito desde o rio do Egito até o rio Eufrates. Tinha
Joaquim dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém.
...
Naquele tempo os servos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, subiram contra
Jerusalém, e a cidade foi sitiada. E Nabucodonosor, rei de Babilônia, chegou
diante da cidade quando já os seus servos a estavam sitiando. Então saiu
Joaquim, rei de Judá, ao rei da Babilônia, ele, e sua mãe, e seus servos, e seus
príncipes, e seus oficiais; e, no ano oitavo do seu reinado, o rei de Babilônia
o levou preso. E tirou dali todos os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros
da casa do rei; e despedaçou todos os vasos de ouro que Salomão, rei de Israel,
fizera no templo do Senhor, como o Senhor havia dito. E transportou toda a
Jerusalém, como também todos os príncipes e todos os homens valentes, deu mil
cativos, e todos os artífices e ferreiros; ninguém ficou senão o povo pobre da
terra” (II Reis, 23: 29, 30, 33-36; 24: 7-14).
Como a própria Bíblia relata, quando deveria surgir o Messias e estabelecer o
reino universal e eterno, Judá passou da opressão assíria para o jugo egípcio, e
depois veio Babilônia, que se tornou a grande potência da época, o domínio da
Assíria se acabou, e o povo de Israel não foi libertado por ninguém de Judá, mas
se tornou cativo de Babilônia juntamente com Judá; coisa bem diferente do que
dizia a profecia.
Depois da Babilônia, vieram os impérios Medo-Pérsia, Grécia,
Síria e finalmente Roma,
e, como a Assíria já nem existia mais, deveriam perceber que não haveria o tal
messias. Mas, diante de tantas maravilhas contidas no livro que os escribas
disseram ter achado no templo, o povo continuou a esperar que um dia esse
messias viesse. Yavé não iria mentir.
Nos dias romanos, sete séculos após a época em que deveria vir o tal libertador,
muitos surgiram dizendo-se o "messias", e todos foram mortos executados pelos
romanos. O entranho é que esse Jesus de Nazaré, que a maior parte do mundo atual acredita
ser o messias, ninguém dos historiadores da época soube de sua existência, o que
leva historiadores atuais a concluir que Jesus tenha sido simplesmente uma
invenção romana.
Jesus não podia ser o messias, pelas seguintes razões:
a) O messias deveria surgir quando a Assíria entrasse nas terras de Judá; mas a
Assíria se acabou sem que o messias surgisse;
b) O messias deveria livrar o povo de Judá e reunir a ele o restante, Israel,
estabelecendo um reino mundial, destruindo as nações que não adorassem a Yavé;
mas Jesus, se tiver existido, terá vindo muito fora da época determinada, sendo morto pelos romanos, e
ficando seu povo em uma situação pior do que
todas as anteriores: foi disperso pelo mundo.
Como já disse, Jesus não teria sido o único que apareceu dizendo ser o messias.
O livro Atos dos apóstolos afirma que, quando as autoridades pretendiam matar
alguns apóstolos cristão, “...levantando-se no sinédrio certo fariseu chamado
Gamaliel, doutor da lei, acatado por todo o povo, mandou que por um pouco
saíssem aqueles homens; e prosseguiu: Varões israelitas, acautelai-vos a
respeito do que estais para fazer a estes homens. Porque, há algum tempo,
levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; ao qual se ajuntaram uns
quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe obedeciam foram
dispersos e reduzidos a nada. Depois dele levantou-se Judas, o galileu,
nos dias do recenseamento, e levou muitos após si; mas também este pereceu, e
todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. Agora vos digo: Dai de mão a estes
homens, e deixai-os, porque este conselho ou esta obra, caso seja dos homens, se
desfará; mas, se é de Deus, não podereis derrotá-los; para que não sejais,
porventura, achados até combatendo contra Deus.” (Atos, 5:34-39).
Várias décadas depois dos dias em que dizem ter vivido Jesus, os evangelistas fizeram várias adaptações de textos dos
profetas judeus como previsão sobre Jesus. A isso se deve o grande sucesso
do Cristianismo.
Mateus disse que o Nascimento de Jesus de Maria era o cumprimento do que fora
predito: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será
chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” (Mateus, 1:23).
Mas o tema era bem outro: o profeta falava da ingratidão do povo de Israel e do
filho que nasceria da profetisa sua esposa:
“Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará
à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele
souber rejeitar o mal e escolher o bem. Pois antes que o menino saiba
rejeitar o mal e escolher o bem, será desolada a terra dos dois reis perante os
quais tu tremes de medo. Mas o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o teu povo e
sobre a casa de teu pai, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que
Efraim se separou de Judá, isto é, fará vir o rei da Assíria.” (Isaías, 7:
14-17).
Prossegue um pouco adiante:
“E fui ter com a profetisa; e ela concebeu, e deu à luz um filho; e o Senhor
me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Has-Baz. Pois antes que o menino saiba
dizer meu pai ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de
Samária, diante do rei da Assíria.” (Isaías, 8: 3). Aí ficou mais claro
de quem o profeta falava. Nada tinha a ver com Jesus, mas falava dos dias em que
a Assíria dominou Israel.
O mesmo Mateus escreveu ainda outra, referindo-se a Jesus:
“... e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da
parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho” (Mateus, 2:
15).
Outra adaptação mais furada. Ao ler Oséias, 11:1, 2, temos:
“Quando Israel
era menino, eu o amei, e do Egito chamei a meu filho. Quanto mais eu os chamava,
tanto mais se afastavam de mim; sacrificavam aos baalins, e queimavam incenso às
imagens esculpidas.”
Oséias estava falando da nação israelita, referindo-se à sua estada no Egito,
nada de predição sobre ninguém. Esse é a mais grosseira das adaptações feitas
pelos cristãos.
Pedro também teria argumentado que Davi tivesse predito a ressurreição de Jesus Cristo:
“pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja
a corrupção” (Atos, 2: 27).
O que está escrito no Salmo 16 é um hino em que Davi expressava a sua confiança
no seu deus, que não o desampararia, dizendo no versículo 10: “Pois não deixarás
a minha alma no Seol, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” Nada
indica ser uma predição referente a uma pessoa do futuro.
Além das adaptações de textos para transformar Jesus no Messias, a nova
doutrina, “ressurreição dos mortos”,
que os judeus assimilaram em Babilônia, pareceu muito atraente aos religiosos.
E, assim, os cristãos conseguiram convencer muita gente e, com o passar dos
séculos, a religião cresceu tanto, que o imperador romano gostou da estória e se tornou cristão,
tornando o Cristianismo a religião oficial,
preparando o caminho para o Cristianismo sanguinário que vigorou na Roma papal.
E, como a estória já estava bem preparada havia muito tempo, o Cristianismo se
ramificou em milhares de religiões e tornou-se a maior religião do mundo, tudo
tendo como forte base o livro engendrado nos dias de Josias.
Como se vê, não são os ateus nem os judeus, mas a
própria Bíblia que informa que o messias não existiu, mas os cristãos adaptaram
grosseiramente textos do chamado Velho testamento a seu Jesus, com o que convenceu
primeiramente os povos incultos, que não tinham como conferir todos os textos,
vindo posteriormente, com a crença mais fortalecida, convencer até o imperador
romano a tornar o Cristianismo a religião oficial do império, o que propiciou a expansão do cristianismo pelo mundo.
Como
o Messias deveria libertar o povo e estabelecer o reino nos dias da
Assíria,
e a Assíria nem existe mais,
e isso não aconteceu,
o Messias nunca
existiu, nem poderá existir.