Antônio Palocci, por estar enriquecendo de uma forma um tanto suspeita, pode ser chamado a dar explicações. Mas isso é uma boa moeda de troca para a bancada religiosa, que não pedirá a apuração do caso se seus interesses forem atendidos pelo governo.
“Dilma suspende kit anti-homofobia do MEC, após pressão da bancada religiosa da Câmara
Publicada em 25/05/2011 às 14h27m
Luíza Damé
BRASÍLIA – Diante da reação negativa das bancadas religiosas, a presidente Dilma Rousseff mandou suspender a produção e distribuição de vídeos e cartilhas contra a homofobia, organizados pelos ministérios da Educação e da Saúde. A decisão da presidente foi informada, nesta quarta-feira, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a deputados das bancadas evangélica, católica e da família, que ameaçaram obstruir as votações de interesse do governo na Câmara, convocar o ministro da Educação, Fernando Haddad, e apoiar a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, caso o material fosse distribuídos às escolas. Segundo Gilberto, a presidente considerou o material inadequado.”
<http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/25/dilma-suspende-kit-anti-homofobia-do-mec-apos-pressao-da-bancada-religiosa-da-camara-924534273.asp>
É o tal toma-lá-dá-cá. Os nossos representantes não estão lá no Congresso para cuidar da moralidade pública, mas para lutar por interesses de categorias e negociar apoio, ainda que em troca de condescendência com irregularidades do outro lado.
Se um funcionário público consentir com a irregularidade de uma empresa em troca de alguma outra vantagem, estará prevaricando e se corrompendo, cometendo uma falta grave, digna de perda do cargo. Mas os parlamentares evangélicos, como não são funcionários públicos, mas agentes do poder, podem trocar o apoio a seus interesses pelo consentimento com irregularidades de outros agentes públicos.
Parece que o deus cristão não considera pecado uma chantagem que vise a beneficiar os interesses das igrejas. É nisso que dá colocar os homens de deus no poder.