MÚSICA LIBERA DOPAMINA

MÚSICA LIBERA DOPAMINA

Ouvir música provoca liberação de dopamina e dá prazer
Cientistas identificaram que substância é secretada antes do prazer associado à música ouvida e durante o auge emocional
AFP | 10/01/2011 10:59
 


Música e prazer: equipe mediu a liberação de dopamina e a atividade do cérebro de quem ouve música

O intenso prazer que se sente ao escutar música provoca no cérebro a liberação de dopamina, um neurotransmissor que serve para avaliar ou recompensar prazeres específicos associados à alimentação, drogas ou dinheiro, de acordo com um estudo publicado neste domingo (9).

A dopamina é uma substância química da molécula do “sistema de recompensa”, que serve para reforçar alguns comportamentos essenciais à sobrevivência (alimentação), ou que desempenha um papel na motivação (recompensa secundária através do dinheiro).

Então como pode estar envolvida em um prazer abstrato como o de ouvir música, que não parece ser diretamente indispensável para a sobrevivência da espécie?

Para entender isso, pesquisadores da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), selecionaram dez voluntários de 19 a 24 anos entre os 217 que responderam a um anúncio solicitando pessoas que sentiram “estremecimentos”, sinais de extremo prazer, ao escutar música.

Graças a vários aparelhos de diagnóstico por imagens, a equipe de Salimpoor Valorie e Robert Zatorre mediu a liberação de dopamina e a atividade do cérebro.

Paralelamente, sensores informavam a frequência cardíaca e respiratória dos voluntários, bem como sua temperatura ou sinais de estremecimento de prazer no nível da pele.

Os resultados publicados na revista científica Nature Neuroscience mostram que a dopamina é secretada antes do prazer associado à música ouvida, e durante o próprio “estremecimento” de prazer, ou seja, no auge emocional.

Tratam-se de dois processos fisiológicos distintos que envolvem diferentes regiões no “coração” do cérebro.

Durante o auge do prazer, é ativado o núcleo “accumbens”, envolvido na euforia produzida pela ingestão de psicoestimulantes, como a cocaína. Antes, no prazer por antecipação, a atividade da dopamina é observada em outra área do cérebro.

O nível de liberação da dopamina varia com a intensidade da emoção e do prazer, em comparação com as medições realizadas ao escutar uma música “neutra”, isto é, indiferente aos voluntários.

“Nossos resultados ajudam a explicar porque a música tem esse valor em todas as sociedades humanas”, concluem os pesquisadores. Permitem compreender “porque a música pode ser utilizada de forma eficaz em rituais, pelo marketing ou em filmes para induzir estados de humor”, acrescentam.

Como um prazer abstrato, a música contribuiria, graças à dopamina, para um fortalecimento das emoções, ao estimular noções de espera (da próxima nota, de um ritmo preferido), de surpresa, de expectativa. (Último Segundo, 10/01/2011 10:59).


De acordo com uma publicação do Conselho Global de Saúde Cerebral (GCBH, na sigla em inglês),

“ouvir, tocar ou compor uma melodia pode gerar uma sensação de bem-estar, reduzir o estresse, facilitar as relações interpessoais, modular o sistema cardiovascular, melhorar o equilíbrio e fortalecer o sistema imunológico sem nenhum efeito adverso. Ainda segundo o documento, esses benefícios podem ser observados em pessoas de diferentes idades e estados de saúde.”

“Além disso, o GCBH sugere que ouvir ou executar música é uma maneira poderosa de estimular o cérebro, pois afeta diferentes regiões do órgão, incluindo aquelas envolvidas na audição, coordenação motora, atenção, linguagem, emoções, memória e habilidades de raciocínio. Desta forma, ajuda várias partes cognitivas a trabalharem juntas.

No campo da memória, por sua vez, o documento diz que a música pode ajudar as pessoas a evocar lembranças e emoções significativas. Ouvir uma melodia também ajuda na gestão do estresse e promove o bem-estar mental, diz o GCBH.

Tocar música, cantar ou dançar em grupo é uma boa maneira de fortalecer as relações sociais com os outros e reduzir a solidão, o que é bom para a saúde do cérebro. Além disso, “aprender a cantar uma nova canção, tocar um instrumento ou dançar estimula a capacidade de raciocínio das pessoas”.

Outro ponto do relatório indica que a música pode ajudar a melhorar a qualidade e a duração do sono, que é um fator importante para a saúde do cérebro.

O documento também reconhece que “há evidências convincentes de que o tratamento especializado baseado em música (musicoterapia) pode melhorar o movimento em pacientes com doenças como Parkinson, incluindo melhorias em sua capacidade de andar e falar”.

O GCBH também relata que há evidências de que a música contribui para a recuperação de pacientes pós-acidente vascular cerebral (AVC), e o canto, especificamente, tem sido usado para ajudar as pessoas a recuperar funções de linguagem. “

<https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/01/qual-o-efeito-da-musica-no-cerebro-das-pessoas>

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