SAIBAM POR QUE NOSSOS COMBUSTÍVEIS CONTINUAM TÃO CAROS

“Venda da BR Distribuidora, dona dos postos Petrobras, mudou dinâmica dos preços dos combustíveis
Crise no Oriente Médio reacende discussão; Ineep aponta aceleração nos ganhos na margem de distribuição e revenda das distribuidoras nos últimos anos
14 de março de 2026 | 08:00
 

Postos Petrobras não são mais propriedade da petroleira estatal, mas da empresa Vibra Energia, até 2029
Foto: Jaques Diogo – 20.10.2016
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Marco Aurélio Neves

Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã começaram há apenas duas semanas, mas o tempo foi mais do que suficiente para os desdobramentos do conflito abrir alguns flancos no setor de combustíveis do Brasil, ainda que o mercado nacional não dependa do petróleo oriundo do Oriente Médio. Um deles tem como cerne a Vibra Energia, empresa que opera os postos da marca Petrobras após a privatização da BR Distribuidora, em 2019.

A Vibra é a maior distribuidora e comercializadora de combustíveis do país, com uma rede de mais de 8 mil postos e cerca de 22% de participação no mercado. Para o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Mahatma Ramos, há evidências que a privatização do elo da cadeia de distribuição e comercialização da Petrobras, tanto da BR Distribuidora quanto da Liquigás, alteraram as dinâmicas do mercado de distribuição e comercialização de combustíveis.

Segundo análise do Ineep, há uma nítida aceleração nos ganhos na margem de distribuição e revenda das distribuidoras de combustíveis entre 2019 e 2025.

A privatização da BR Distribuidora foi concluída totalmente em 2021, quando a petroleira estatal vendeu o restante de sua participação após perder o controle da empresa anos antes. Mesmo fora do negócio, que passaria a se chamar Vibra Energia, a Petrobras licenciou sua marca dos postos de gasolina para a nova empresa até 2029.

Ou seja, desde 2021, os postos de gasolina com a marca Petrobras não pertencem mais à estatal, mas a uma empresa privada, a Vibra. Além disso, uma cláusula de não concorrência (non-compete), estabelecida no processo de privatização da BR Distribuidora, impede a Petrobras de atuar diretamente na distribuição de combustíveis até meados de 2029.

De acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em janeiro de 2019, a margem bruta de distribuição e revenda da gasolina era de R$ 0,74 por litro (/l). Em maio de 2025, segundo projeções realizadas com a mesma base de dados, esse valor alcançou R$ 1,14/l, aumento significativo de 54,1%.

Um padrão semelhante ocorreu no caso do diesel, cuja margem passou de R$ 0,66/l para R$ 1,05/l, uma alta 59%, e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, que registrou elevação de R$ 31,96 para R$ 54,54 por botijão de 13 kg (+70,6%). A desproporção entre a redução nos preços de refinaria e a manutenção de altas margens, destaca o Ineep, levanta questionamentos sobre possíveis retenções de benefícios que deveriam chegar ao consumidor final.


Enquanto isso, a nova BR Distribuidora viu a disparada do seu Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) por metro cúbico (m³), indicador do setor que mede o resultado financeiro para cada unidade de combustível vendida, após amortizar os custos da compra, logística e operação do produto. Se nas mãos da Petrobras a média do Ebitda/m³ era de R$ 66/m³, sob posse da Vibra Energia este número está acima dos R$ 160/m³.

Crise no Estreito de Ormuz não justifica alta expressiva nas últimas semanas


Para Mahatma Ramos, a privatização gerou prejuízos para o consumidor brasileiro nos últimos anos, visto que as distribuidoras privadas nem sempre acompanharam a redução ou manutenção dos preços produzida pela nova política de preços da Petrobras. Em 2023 a estatal abandonou o Preço de Paridade de Importação (PPI), instituído em 2016, que considerava a cotação do dólar e do petróleo no mercado internacional no cálculo do preço do petróleo vendido pela estatal às distribuidoras.

“Em vários momentos, o que a gente observou é que essas empresas de distribuição privadas usaram a queda nos preços observados nas refinarias da Petrobras para ampliar suas margens de lucro”, disse.


O especialista do Ineep afirma que o Brasil importa menos de cerca de 23% dos derivados de petróleo que consome, sejam diesel, gasolina, querosene de aviação ou gás. Assim, ainda que o conflito no Oriente Médio e a crise no Estreito de Ormuz afetem os preços dos combustíveis vendidos em território brasileiro, os efeitos vão impactar estoques e produção futuros das empresas, não no estoque comprado e na produção realizada anteriormente.

Esse impacto futuro não justifica a alta expressiva dos preços observada nos postos de gasolina do país recentemente. Somente na última semana, o custo da gasolina subiu 2,5%, e o do diesel 11,8%, segundo levantamento da ANP. “As distribuidoras e os postos de gasolina agora estão operando com um combustível que já haviam adquirido a preços anteriores. Então, esse aumento repentino, na verdade, reflete sim esse oportunismo”, avalia.

Críticas de todos os lados


A privatização esteve no alvo dos ministros do governo Lula (PT) na quinta-feira (12/3), durante o anúncio de uma série de medidas do governo federal para reduzir os impactos da volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional no setor de combustíveis brasileiro. A preocupação, destacou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve-se ao fato da Petrobras não deter mais uma importante distribuidora de combustíveis.

Uma das medidas, apontou Haddad, é a criação de novos tipos para caracterizar abusividade do distribuidor, tanto para armazenamento de combustível injustificado quanto para aumento abusivo do preço, que passa a ser fiscalizada pela ANP a partir de critérios objetivos, que serão detalhados em um decreto.

Já o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) lamentou que a redução dos preços pela Petrobras demora a chegar na bomba de combustível e, às vezes, chega de forma parcial ou simplesmente não ocorre. Enquanto isso, por outro lado, segundo o ministro, o repasse das altas nos preços chegam a ser até mesmo antecipado pelas empresas.

A venda da BR Distribuidora também foi novamente criticada na sexta-feira (13/3) pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante o anúncio do reajuste no preço do diesel. Ela afirmou que a privatização impediu a petroleira estatal de atuar no preço final ao consumidor, o que onerou a sociedade e prejudicou a estatal.


Além disso, no início da semana, o Minaspetro, sindicato que representa os donos de postos de combustíveis em Minas Gerais, acusou a Vibra Energia de restringir a entrega dos produtos somente para os estabelecimentos da sua própria bandeira, deixando na mão os revendedores de marca própria, chamados também de Bandeira Branca. Segundo a entidade, os postos já estariam desabastecidos no Estado.

Sobre a acusação do Minaspetro, a Vibra declarou que enfrentou desafios na sua distribuição causados por questões climáticas, o que prejudicou o abastecimento de postos de combustíveis em Minas.

A reportagem procurou a companhia para comentar as demais declarações e as análises, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto.

Conseguimos tirar do poder quem causou esse dano ao consumidor brasileiro, mas ainda não podemos nos livrar do compromisso que ele impôs ao país com validade de 10 anos.    Uma eleição de um filho dele ou qualquer outro de seus aliados traria muito mais outros danos ao país.   E, para amenizarmos os prejuízos, temos que eleger, além do Presidente, um parlamento comprometido com o bem no país, não com os interesses estrangeiros.

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