“A expressão “últimos dias“, utilizada na Bíblia pelos judeus desde os tempos do cativeiro babilônico, continua causando confusão até hoje. Os leitores não percebem a falha das previsões e ficam tentando transportar as coisas do passado para o futuro. Vejam, por exemplo, a carta abaixo:
“Resolvi lhe mandar um estudo que fiz de uma profecia de Daniel.
Refere-se à visão do bode e do carneiro em Daniel 8.
Essa imagem que tem na profecia parece muito com o que aconteceu há pouco tempo atrás.
Após a queda das torres gêmeas nos Estados Unidos, houve, entre os americanos um grande sentimento de revolta e de vingança. Eles queriam uma resposta rápida ao ataque ao seu orgulho.
O bode seria os Estados Unidos, liderados por George Bush – o grande chifre (ele que é superorgulhoso). O bode não tocava o chão – ataque aéreo (foi a principal forma de ataque, pois os locais de ataque eram muito distantes). O bode vinha do ocidente.
O carneiro dava marradas para o norte, sul e ocidente, logo ele estava no oriente. Tinha dois chifres. Os Estados Unidos atacaram o Afeganistão e depois o Iraque.
O bode atacou o carneiro com todo o seu furor e não havia ninguém que o livrasse de suas mãos e não havia forças no carneiro para resistir ao bode – exatamente o que aconteceu – Os Estados Unidos atacaram esses dois países sem dó nem piedade, com toda a sua tecnologia em armas de guerra.
O que você acha desta interpretação? Não se encaixa direitinho?
Vi uma interpretação na Internet parecida com a minha e algumas pessoas dizem que o BODE se refere a Alexandre, o grande. Só que na passagem o anjo diz que a visão se refere AOS ÚLTIMOS DIAS, AO TEMPO DO FIM.
Aguardo sua resposta com ansiedade.
Atenciosamente.
Marcos Lima
Oi Marcos,
A primeira vez que encontramos a expressão “últimos dias” está em um texto escrito durante o exílio de Israel na Assíria:
“Acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor, será estabelecido como o mais alto dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações” (Isaías, 2: 2).
Últimos dias aí não seria “o fim do mundo” como dizem hoje, mas o fim da opressão ao povo escolhido de Yavé. A promessa era de que a Assíria cairia, e judeus e israelitas se uniriam daí em diante em um reino eterno, onde não haveria mais opressão.
Quanto ao bode do capítulo 8 de Daniel, o texto é muito claro ao se referir aos reis da da Média e da Pérsia que se uniram e derrotaram Babilônia, depois o rei da Grécia que destronou Medo-Pérsia, indo culminar em Antíoco IV, rei da Síria que dominou os judeus e, como sempre fazem todos os religiosos, proibia os rituais judeus e impunha a eles os próprios deuses, fazendo uma grande matança, até os judeus vencerem a guerra dos Macabeus, época que a profecia dizia que seria estabelecido o reino eterno dos judeus. Tudo isso deve ter sido escrito nos dias dos Macabeus, razão por que informa tantos detalhes até a vitória de Judas e perde o rumo da história daí em diante.
O texto não deixa dúvida: “o bode peludo é o rei da Grécia” (Daniel, 8:21), isso é, Alexandre Magno mesmo.