JOVEM É ESPANCADO E MORTO POR COBRAR PAGAMENTO ATRASADO


Jovem imigrante é espancado até a morte por cobrar salário atrasado
1 de fevereiro de 2022

O congolês Moïse Kabagambe veio para o Brasil como refugiado político em 2014, fugindo da guerra e da fome com a família. Ao cobrar pagamento de dois dias de serviço no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, o imigrante foi amarrado e morto a mando do gerente Luciano Martins de Souza.

Heron Barroso | Redação Rio

RIO DE JANEIRO – No último dia 24 de janeiro, o jovem congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, foi amarrado e morto a pauladas por quatro homens, entre eles Luciano Martins de Souza, gerente do quiosque onde Moïse era diarista, no Rio de Janeiro. O crime aconteceu após o trabalhador ter cobrado dois dias de pagamento atrasado. Seu corpo foi achado amarrado em uma escada ao lado do local do espancamento.

Yannick Kamanda, primo de Moïse, teve acesso às imagens das câmeras de segurança. Segundo ele, o gerente do quiosque e o primo discutiram. Em seguida, Luciano pediu ajuda a outras pessoas, que imobilizaram o trabalhador e o agrediram com chutes, socos e um taco de beisebol. Moïse também teve as mãos e pernas amarradas. “O início da gravação que eu vi é ele reclamando com o gerente do quiosque. Alguns minutos seguintes, o gerente pegou um pedaço de madeira para ameaçar ele. Até então, ele estava só recuando. E o cara foi atrás dele. Como ele estava reivindicando alguma coisa, ele pegou uma cadeira e dobrou para se defender. Ele não chegou a atacar ninguém”, contou.

Yannick afirma que as agressões foram piorando. “Veio uma galera que o arremessou no chão, tentando dar um golpe de mata-leão nele. Vieram mais algumas pessoas bater nele com madeira, veio outro com uma corda, amarrou as mãos e as pernas para trás, passou a corda pelo pescoço. Ficou amarrado no mata-leão, apanhando. Tomando soco e taco de beisebol nas costelas. Até ele desmaiar”, relatou. O espancamento durou pelo menos 15 minutos.

Veja o vídeo da agressão: https://globoplay.globo.com/v/10261763/

Em seguida, ainda segundo Yannick, os agressores foram embora e o gerente do quiosque continuou trabalhando como se nada tivesse acontecido. “Eles (os agressores) foram embora e ficou só o gerente do quiosque. E ele (Moïse) deitado no chão, como se nada estivesse acontecendo. Trabalhando, atendendo cliente. E o corpo lá”.

A família só soube da morte na manhã do dia seguinte (25/01). “Em menos de 72h ele foi dado como indigente”, denuncia Faida Safi, prima de Moïse.

<https://averdade.org.br/2022/02/jovem-imigrante-e-espancado-ate-a-morte-por-cobrar-salario-atrasado/>

Dois réus envolvidos no assassinato do congolês Moïse Kabagambe, em janeiro de 2022, no Rio de Janeiro (RJ), foram condenados em júri popular, encerrado na noite desta sexta-feira (14).

Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca foram sentenciados por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa da vítima.

Condenados a 23 anos e 19 anos de cadeia, respectivamente, ambos devem cumprir a pena em regime fechado.

Foram mais de três anos de espera para o início do julgamento, que durou dois dias e trouxe novas imagens do crime.

<https://www.brasildefato.com.br/2025/03/15/tres-anos-depois-reus-do-assassinato-de-moise-kabagambe-sao-condenados-no-rio/>

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