Estupro, na visão humana, é crime hediondo; na visão divina, é pecado, mas não tão grave quanto um aborto.

O gráfico acima foi publicado na página 34 da Edição 213 da Revista Galileu, abril/2009, gerando alguma revolta, como podemos ver nas palavras de um leitor:
“Ridículo gráfico da página 34 (edição 213, intitulado “O Mundo visto pelo Arcebispo”. Não sou católico, mas temos de olhar a questão de maneira mais ampla. Uma revista ligada em ciência não pode publicar uma barbaridade dessas. Antes de qualquer brincadeira, vocês poderiam perguntar ao bispo a fundamentação que ele usou para se pronunciar, pois qualquer pessoa séria, antes de julgar, faz um levantamento das motivações. É mais fácil rotular esta ou aquela denominação do que usar espaço para campanhas esclarecedoras e trabalhar os valores que seriam a base da sociedade. Edson Andrade Couto, SP”
Barbaridade!!!
O juiz deve também fazer “um levantamento das motivações” do estuprador?
A revista é feita por pessoas que pensam em termos de direitos humanos, não de dogmas de pensamento primitivo.
O autor do gráfico apenas retratou um dos absurdos que ainda podemos ver decorrentes da mentalidade bárbara que criou juízes imaginários para comandar os destinos humanos.
A vítima, os médicos e a mãe, todos se encontraram no mesmo lugar, o âmbito dos excomungados. Só o estuprador se livrou da excomunhão. O arcebispo cumpriu seu dever, comportou dentro dos parâmetros divinos a que deve submeter-se. Mas a Revista não tem dever de concordar com algo tão estranho para visão do ser humano do século XXI.
Estupro é crime hediondo, mas não um pecado tão grave quanto eliminar um feto para salvar a vida de uma menina. E retratar a situação graficamente é uma “barbaridade”. Só mesmo um deus, ser idealizado pelo homem primitivo, poderia inspirar um pensamento desse, que, infelizmente ainda encontra muitos defensores.